Publicado em 27 Novembro 2016
Wandell Seixas Especial para o DN
O senador Wilder Morais (PP-GO) prometeu desenvolver esforços junto a seus pares no Congresso Nacional visando a aprovação de projeto de lei para a duplicação da Rodovia Belém-Brasília. A manifestação ocorreu durante compromisso público na cidade de Jaraguá, município cortado pela BR-153.
Trata-se de uma das principais vias de acesso à região central do Brasil, sendo uma rodovia de grande importância, sobretudo, para os estados do Tocantins e de Goiás, além da região do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. O trecho entre Brasília (DF) e Belém (PA) compreende 2.120 quilômetros. Em recente audiência pública, o parlamentar goiano teceu considerações sobre os múltiplos acidentes na rodovia que é espinha dorsal no interior brasileiro. "Esses acidentes causam vítimas fatais e prejuízos sem limite", comentou.
Idealizada no governo JK, em 1958, coube a um engenheiro carioca, Bernardo Sayão, a tarefa de construir um dos trechos da rodovia. Acompanhando pessoalmente as obras, no início de janeiro de 1959, nos trabalhos de abertura da mata uma árvore é derrubada de forma equivocada e atinge o barracão em que encontrava Saião, que morre no mesmo dia. A localização do acampamento ficava dentro do município de Ulianópolis (PA).
Numa homenagem a esse engenheiro carioca, que adotou Goiás como sua terra e chegou a ser vice-governador, a rodovia passou a chamar-se Bernardo Sayão. Em Ceres, construiu a Colônia Agrícola Nacional que tornou a região do Vale do São Patrício um pólo agrícola promissor no Estado. Há nas cidades à margem da rodovia ruas e avenidas com o seu nome.
Revolução Verde
A obra teve ainda a participação de um engenheiro goiano: Jair Lage, irmão de Otávio Lage, ex-governador do Estado. Coube a ele, a construção em trechos entre Goiás e Minas Gerais. Otávio Lage, por sua vez, com o advento da estrada transnacional, sentiu-se incentivado as inovações pioneiras na atividade agropecuária.
Os primeiros confinamentos são de sua autoria na região Centro-Oeste. Para tanto, fez viagens aos Estados Unidos, buscando novos conhecimentos tecnológicos. Hoje, a revolução verde que aconteceu na região se deve muito à sua ação empreendedora. Em vista disso, o senador Wilder Morais está propondo no Congresso Nacional o nome de Otávio Lage à rodovia que compreende o trecho de 260 quilômetros entre Anápolis (GO) e a divisa de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro.
Acidentes contínuos
Palco de muitos acidentes com vítimas fatais e expressivas perdas materiais, a BR-153 voltou a ser palco de discussão na Câmara Federal durante recente audiência pública na Câmara Federal em que se discutiu a duplicação da rodovia e a retomada da concessão para a Galvão Engenharia.
Segundo o senador Wilder Morais, que participou da audiência convocada pelo deputado federal Marcos Abrão (PPS), a BR-153 é a rodovia da integração nacional e já deveria estar duplicada. "Infelizmente essa discussão está atrasada. Ainda estamos debatendo a duplicação. Ainda estamos buscando meios para assegurar essa obra e garantir segurança para os usuários e o transporte de cargas", disse o senador.
Wilder lamentou que, por ser pista simples, a BR-153 registra muitos acidentes e dezenas de pessoas perdem as suas vidas todos os anos, sem contar as vítimas que sofrem mutilações, o que provoca muitos problemas para as famílias. Há também outro fator preocupante que é o prejuízo para a economia nacional, com os graves acidentes envolvendo caminhões e veículos menores. "Qualquer avaliação que se faça sobre a necessidade de duplicação da BR e vamos concluir que essa obra já deveria estar pronta. Mas temos que entender a realidade e buscar alternativas e condições para que essa obra saia finalmente do papel e se torne realidade, especialmente para as pessoas que residem no Norte do Estado e no Vale do São Patrício", defendeu o senador.
Wilder disse que a audiência pública na Câmara Federal foi uma demonstração de maturidade da bancada de Goiás e sua responsabilidade com essa obra. "Temos que nos unir para cobrar uma solução para esse impasse. Afinal, o trecho da BR entre Anápolis e Alvorada no Tocantins já foi objeto de leilão no ano de 2014. O que não podemos permitir é que nada seja feito enquanto sabemos da triste realidade diária de quem transita por esse trecho", defendeu Wilder.
A concessão desse trecho, no entanto, está parada porque a Galvão Engenharia, ganhadora do leilão, não conseguiu captar empréstimo do BNDES de cerca de R$ 800 milhões para realizar a obra de duplicação e iniciar a cobrança de pedágio.
Wilder disse que para o Brasil voltar a crescer e gerar empregos, precisa investir nas grandes obras de infraestrutura, além de controlar gastos, estabelecer metas para inflação e incentivar o crescimento. "Sou um defensor dessas grandes obras. Somos um País continental que depende de rodovias, ferrovias e outros meios de transporte para assegurar o escoamento de nossa produção. Mas com rodovias simples não é possível avançar", disse o senador.
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