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SAÚDE

Vacinação da Covid-19 e morte súbita e possíveis relações

Para o especialista em cardiologia esportiva, Marcos Perillo, o risco de doenças do coração existe mais no pós contaminação que no pós vacina


Publicado em 16 Fevereiro 2022

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Marcos P. Perillo Filho é graduado em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)
Marcos P. Perillo Filho é graduado em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

A cada etapa de vacinação, desde que foi apresentado o imunizante contra  a Covid-19, novas polêmicas surgem. Com a aplicação da terceira dose para adultos e início da vacinação infantil, nova onda de questionamentos. Dentro desse padrão e motivada por intercorrências sofridas em campo por atletas reconhecidos durante a pandemia, – como Cristian Erikson, da Dinamarca, e Sérgio Aguero, do Barcelona, que, devido a quadro de arritmia cardíaca, foi levado a encerrar a carreira no futebol –, mais uma vez vozes se levantaram para associar vacinação, principalmente as vacinas que usam a tecnologia do RNA mensageiro (m-RNA) contra Covid-19, a mortes súbitas. 


O cardiologista Marcos Perillo, especialista em cardiologia esportiva, tem uma visão mais técnica e precisa sobre o quadro que, segundo ele, remete mais para a males resultantes da contaminação pelo vírus do que a possíveis reações ao imunizante. A miocardite caracteriza-se pela inflamação do músculo cardíaco o que pode ocasionar sintomas como falta de ar, palpitações e dores toráxicas. 


O médico acrescenta que quadros de miocardite no pós vacina são muito raros, na ordem de 0,0024%, ou seja, menos de três morte em 100 mil pessoas. Por outro lado, se considerarmos quantos passam a sofrer com a miocardite, após serem contaminados, esse número se torna mais expressivo: 1% a 3% dos infectados desenvolveram as diversas gradações da doença, o que representa 30 mil pessoas em um milhão de contaminados.

 

Além disso, não há comprovação de relação entre a vacina e qualquer um dos casos de mortes súbitas em atletas, como esclareceu o informe de 08 de janeiro de 2022, da Sociedade de Medicina do Exercício e Esporte (SMEE) sobre eventos de morte súbita e atletas vacinados contra Covid-19. Também já foram divulgados estudos, como o britânico "Coronavirus Disease 2019: cardiac complications and considerations for Returning to Sports Participation" (Doença do coronavírus 2019: complicações cardíacas e considerações para o retorno à participação esportiva), que apresentam achados sobre as alterações provocados pelo coronavírus nos músculos cardíacos e vasos sistêmicos. De acordo com a pesquisa  a Covid-19 eleva o risco de miocardite e alterações em eletrocardiograma, ecocardiograma e ressonância miocárdica.

 

Com base nessas informações e nas observações ambulatoriais, o médico acredita ser totalmente equivocada a disseminação da informação de que o imunizante da Covid-19 seja responsável pelas mortes súbitas em atletas e pessoas sedentárias e que tais casos sempre existiram, antes da pandemia e vacina. “É irracional o pensamento de que a vacina é mais perigosa ao coração do que a própria doença e a ciência prova isso”, finaliza o profissional que, em sua  rotina profissional, acompanha de perto atletas de clubes profissionais nas avaliações para entrar em quadra e campo, seja no pós vacina ou pós infecção.

 

Sobre o especialista

Marcos P. Perillo Filho é graduado em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), é Cardiologista pelo Instituto de Cardiologia do Distrito Federal, com formação específica em Cardiologia do Esporte pelo Instituto Dante Pazzanese (SP).

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