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Um medalhista do conhecimento

Jovem, estudante do ensino médio em escola pública de Goianésia acumula medalhas e muitos saberes


Publicado em 14 Maio 2018

Jaldene Nunes

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Divulgação
Gilberto com sua professora de Língua Portuguesa Leydna Karla
Gilberto com sua professora de Língua Portuguesa Leydna Karla

Guardem esse nome! Gilberto Gonçalves Gomes Filho. Ele tem 17 anos, cursa o 2º ano do ensino médio numa escola pública de Goianésia e já coleciona dezenas de medalhas e outras premiações, oriundas de conquistas em certames estaduais, nacionais e, até, internacionais, de diferentes e variadas áreas do conhecimento. A mais recente delas, medalha de prata, foi na Olimpíada Canguru de Matemática (OCM), organizado pela Associação Canguru Sem Fronteiras.
"Foi a primeira vez que participei dessa olimpíada, a Canguru de Matemática, uma olímpiada que acontece em mais de 50 países, e consegui a medalha de prata no Brasil", conta Gilberto. Quando o jovem soube da OCM, pediu à então coordenadora pedagógica da área de exatas do Colégio Estadual Jalles Machado, Ducicléa Soares, a quem solicitou que se fizesse a inscrição da escola no evento. "Ela fez a inscrição, fiz a prova em março e, nessa segunda-feira (7), veio o resultado. Foi uma surpresa para todos na escola".
É a 3ª premiação internacional de Gilberto que, no ano passado, ganhou bronze, na olímpiada francesa Mathématiques sans frontèires, e a oitava somente em matemática -- são dele 5 medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e uma menção honrosa na Olimpíada de Matemática do Estado de Goiás (Omeg).
Tudo começou em 2013, quando Gilberto estudava o 6º ano do ensino fundamental. Incentivado por Laura Veiga, sua professora de matemática até hoje, a quem ele dedica grande parte de suas conquistas, Gilberto se inscreveu na sua primeira Obmep, a 9ª edição do certame, organizado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Ganhou bronze. Daí em diante, o jovem, então com 12 anos, não parou mais. Ganhou, no ano seguinte, a menção honrosa na Omeg, organizada pelo Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade Federal de Goiás (UFG); e, nas Obmep's seguintes, prata, em 2014 e 2017; e ouro, em 2015 e 2016.
"A Obmep é a 1ª olimpíada que participei, quando ainda estava no 6º ano, e é uma das que tenho mais carinho, porque me rendeu muitas conquistas", diz o adolescente que, antes do Jalles, estudou na Escola Municipal João Manoel da Silva, e pretende seguir carreira acadêmica na área de exatas: "Matemática, Engenharia, algo do tipo".
Mas, como narrado antes, não é só em matemática nem tão somente em matérias de exatas que Gilberto Gonçalves tem se revelado prodigioso. Seu talento vai além, e ele domina, até, o que para muitos parece impossível, a temida redação, pela qual passou a interessar-se no 9º ano, incentivado pela professora Quirtes Maria Borges. Foi por meio de um concurso desses que ele ocupou, no ano passado, o 1º lugar, em Goiás, do 10º Jovem Senador, promovido pelo Senado Federal, sendo um dos 27 jovens senadores brasileiros que participaram das atividades legislativas, no plenário da Casa, e de cursos e oficinas, no período de 27 de novembro a 1º de dezembro de 2017. O tema do concurso, em 2017, foi "Brasil Plural: para falar de intolerância", e Gilberto foi escolhido com a redação Mosaico, tendo como orientadora a professora Leydna Karla de Carvalho.
"O Jovem Senador é um projeto que vai além desse concurso de redação, que serve apenas para selecionar os alunos representantes de cada Estado no Congresso Nacional. Daí, quando chegamos lá, 27 alunos, cada uma de uma Unidade da Federação, fomos divididos em três grupos, e cada comissão fica responsável por elaborar um projeto de lei. A minha comissão elaborou um projeto de lei relacionado ao sistema informatizado do Sistema Único de Saúde [SUS], que foi votado nas comissões e hoje tramita no Senado, podendo virar lei".
Em redação, Gilberto também se sobressaiu, no ano passado, como 3º lugar na fase estadual do 46º Concurso Internacional de Redação de Cartas, promovido pela União Postal Universal e, no Brasil, pelos Correios; e, com a mesma colocação, em 2016, no Concurso de Redação Violência contra a Mulher e a Lei Maria da Penha, organizado pela Deam de Goianésia.
O jovem goianesiense tem ainda outras conquistas das quais se orgulha: medalhas de prata, em 2015 e 2017, na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira e pela Agência Espacial Brasileira; de ouro, em 2016, na Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (Obfep), pela Sociedade Brasileira de Física (SBF); e de bronze, em 2016, na Olimpíada Brasileira de Informática Organizada, pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

SEGREDO
Filho de agricultor e dona de casa -- seus pais são Gilberto Gonçalves Gomes e Márcia Cristina Rodrigues Gonçalves --, Gilberto é um rapaz simples, focado nos estudos, mas que nem por isso deixa a vida social de lado. Ele tem amigos, muitos, aliás, e diz levar vida normal. Como qualquer adolescente de sua idade, ele assiste séries, vê filmes com frequência, sai com os amigos e, católico, participa das atividades de sua igreja --a Paróquia Nossa Senhora d'Abadia, em Goianésia.
"Muita gente, que sabe dessas minhas conquistas, acha que é algo de outro mundo e pensa: 'Ah, o Gilberto vive só de estudar'. Mas não é assim. Mas, para ganhar olimpíadas, não é preciso estudar o dia inteiro. Você precisa manter o foco, estudar, isso é certo, mas pouco e todo dia. Esse é um segredo. Outro é começar cedo. Desde pequeno, me dedico a isso, estudando uma hora, uma hora e meia por dia, fora da sala de aula, mas isso não me afasta dos amigos", ensina. 

CANGURU
A notícia da conquista na Olimpíada Canguru de Matemática chegou ao Colégio Estadual Jalles Machado na segunda-feira. Foi a diretora da unidade, Irmã Bia Lial César, a responsável pela transmissão do fato. 

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