Publicado em 21 Agosto 2024
Da Redação
O ano era 1741. O Brasil vivia o auge do período da extração de ouro. No coração do Planalto Central, localizada entre serras, estava o Quilombo de Papuã, fundada por escravos fujões de Crixás. Estamos falando de Pilar de Goiás, uma verdadeira joia da princesa, localizada no coração da região do Vale São Patrício. Seus tesouros históricos vão além de Pirenópolis e da cidade de Goiás. Em seus 277 anos, a cidade permanece praticamente a mesma, com um conjunto arquitetônico e paisagístico preservado, o que faz de Pilar de Goiás uma história viva. São duas igrejas e mais de 20 casarões centenários.
Passeando pelas poucas e estreitas ruas da cidade é possível perceber elementos únicos na arquitetura brasileira. Num raio de menos de um quilômetro, é possível conhecer toda a história da cidade, com destaque para a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar. Bem ao lado, está o campanário, com os três maiores sinos feitos para um templo em Goiás, fabricado em 1785 e com peso de 900 quilos, dos quais 15 são de ouro. Logo abaixo está o Chafariz São José, de 1745, e que ainda sacia a sede de moradores e turistas com água pura. Bem próximo dali, numa pequena colina está a Igreja Nossa Senhora Mercês. Erguida pela irmandade dos pardos, é uma das três igrejas mais importantes do período no País, a única que guarda maior originalidade e integridade.
Na parte baixa da cidade, está o museu de Pilar, também conhecido como Casa da Princesa. Considerada a construção mais luxuosa do ciclo do ouro, o prédio abrigou a princesa Isabel por alguns meses, quando a cidade tinha a maior produção aurífera de Goiás. Seu interior impressiona pelas pinturas de portas e tetos em gamela. É a mais importante obra arquitetônica não-religiosa do barroco do século 18 de Goiás.
A menos de dez metros está a Casa de Câmara e Cadeia, o menor prédio deste tipo no Brasil. Ali, no período colonial, funcionavam os órgãos públicos. O Entende, uma espécie de prefeito e juiz, era o comandante do local. Abrigava a cadeia, onde acusados eram julgados e, se condenados, levados presos. Em condições muito precárias eles morriam doentes ou enforcados. Inúmeros escravos morreram na forca erguida ao redor da Igreja Nossa Senhora das Mercês. Em outro extremo da cidade, fica a Prainha da Limeira, antiga lavanderia de roupa das escravas.
No auge da mineração, Pilar chegou a abrigar 15 mil pessoas, ainda no século 18. Com o fim da atividade, a população caiu para 1,5 mil moradores. Em 10 anos, Pilar produziu o equivalente a todo o ouro extraído da província de Goiás em um século, razão pela qual a administração provincial se transferia para ela por seis meses do ano. Desde a revolução de 1932, a cidade permanece praticamente a mesma. Sem muita infraestrutura, como restaurantes e hotéis, a cidade é um convite para quem quer conhecer um pouco mais sobre Goiás e o Brasil.
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