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Temal: ‘não deixo a presidência’

Acusado de estupro de menor, vereador alega inocência e ataca colegas após pedido de afastamento


Publicado em 05 Novembro 2011

Anderson Alcântara

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Correio Goiano/Cristiano Mello
Antônia Lacerda (vice), Temal (presidente) e Adriana Dias (secretária) durante sessão na câmara
Antônia Lacerda (vice), Temal (presidente) e Adriana Dias (secretária) durante sessão na câmara

O presidente da Câmara Municipal de Goianésia, Temal Carrilho (DEM), se pronunciou oficialmente pela primeira vez sobre a acusação de estupro da qual foi indiciado. A fala do vereador aconteceu durante a calorosa sessão ordinária de terça-feira (1°) na Câmara Municipal, após aprovação por seis votos contra duas abstenções do requerimento que pede seu licenciamento do cargo por tempo indeterminado. Temal usou a palavra por 15 minutos e declarou-se inocente das acusações. O foco, porém, de seu discurso foi um ataque aos colegas. "A partir do momento que os nobres colegas assinaram tal pedido, me pré-julgaram", bradou o parlamentar.
"Não tenho culpa, vou provar a minha inocência", afirmou Carrilho. Para o presidente da Câmara, os colegas estão usando o povo para o derrubarem do cargo. "Ninguém (da população) está querendo que eu deixe a Câmara, porque todos confiam em mim. Não estou aqui por acaso, conquistei isso aqui ao longo da minha vida. Minha posição causa ciúme, causa inveja, dor de cotovelo", disse. Em um recado indireto à vice-presidente, Antônia Lacerda (PV), Temal afirmou: "querer tomar o cargo do outro, subir na política através da desgraça do outro é muito triste".
Temal Carrilho deixou claro que não aceita o que considerou como pré-julgamento dos vereadores. "Quem tem que me julgar é a Justiça", lembrou. "Se algum de vocês tem provas, vou pedir para que seja arrolado como testemunha (no processo)", completou.
Temal não deixou qualquer dúvida sobre a sua permanência no cargo. "Não vou me afastar (da presidência), até que o processo seja transitado e julgado, eu sou inocente", reforçou, lembrando que o processo pode demorar até anos. "Queria que tivesse um desfecho hoje, mas sei que pode demorar", palpitou.
Sobraram alguns ataques para a titular da DEAM (Delegacia Especializada de Apoio à Mulher), Fabiane Drews, responsável pelo inquérito. "A delegada não tem o direito de achar que sou culpado ou não, ela não me respeitou, abrindo o caso à imprensa", condenou. Temal também não poupou a mídia e fez um lembrete: "Não vão me intimidar. Pode vir (a TV) Tocantins, pode vir a Rede Globo, pressão em cima de mim não resolve", esbravejou. "Estou sendo massacrado", finaliza Temal Carrilho.

Mauricinho cobra mais coerência

O vereador Mauricinho André (DEM) não poupou críticas aos colegas Adriana Dias (PSDB) e Tião do Mercado (PSD) após ambos terem registrado abstenção na polêmica votação do requerimento que pediu o licenciamento de Temal Carrilho (DEM) da presidência da Câmara. "É inadmissível que presidente (Adriana) e membro (Tião) da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar se abstenham num caso desses", criticou.
"Se tiver um outro caso que venha se concretizar não sabemos o que eles vão fazer", conjectura Mauricinho. Apesar disso, o parlamentar afirmou que a atitude já era esperada. "Não foi surpresa. Sabemos como são feitas algumas particularidades entre alguns vereadores", afirmou, sem oferecer maiores detalhes das supostas particularidades.
Mauricinho demonstrou preocupação com a atitude dos dois vereadores e ameaçou tomar atitude. "Vamos nos reunir (com os demais vereadores) para tomar alguma medida quanto a isso. A comissão que realmente tem que mostrar ética e decoro faltou exatamente com a ética e com o decoro", finalizou.

Vereadores criticam Temal por insistir em ficar no cargo

"Ele está atrapalhando os trabalhos da Câmara, não tem mais clima, não tem mais condições", desabafou a vereadora Antônia Lacerda (PV), vice-presidente da Casa, sobre a recusa de Temal Carrilho (DEM) em se licenciar do cargo de presidente da Câmara Municipal de Goianésia. A opinião de Lacerda é compartilhada pelo colega Gilmar da Silva (PMDB). "Estamos contra o que vem acontecendo, não o queremos na presidência nessa circunstância", afirma.
Após a sessão ordinária de terça-feira (1°), quando sete vereadores apresentaram requerimento pedindo o licenciamento do presidente Temal Carrilho, acusado de estuprar uma sobrinha de 14 anos, muitos parlamentares resolveram falar à imprensa. A principal preocupação dos vereadores era mostrar à população que não há conivência deles para com o presidente, mesmo com o caso ainda sem um desfecho na esfera judicial. "Sabemos o peso que é presidir a Câmara, nosso pedido é até para preservar a sua integridade (de Temal)", justifica Mauricinho André (DEM), ex-presidente da Casa.
Abadia Delfino (PSDB), uma das líderes do requerimento que pede o licenciamento do parlamentar da função de presidente, também soltou o verbo. "Seria melhor para ele responder à acusação não sendo presidente da Câmara", diz. Para ela, a permanência de Temal no posto "prejudica muito esta Casa de Leis".

SOCIEDADE PRESSIONA
Todos os vereadores ouvidos alegaram o mesmo motivo para a oficialização do pedido de licenciamento: pressão das ruas. "A sociedade tem nos cobrado uma posição sobre isso. Estamos firmes no que colocamos, estamos aqui para defender a sociedade de Goianésia", garante Gilmar. Mesmo discurso defendido por Mauricinho. "Grande parte da população tem nos procurado, o requerimento aconteceu porque muita gente nos procurou", afirma. Abadia rebate Temal, que afirmou durante a sessão que os vereadores estão usando o povo para o derrubarem da presidência. Temal afirmou que a população não o cobra nas ruas e que ele anda de "peito aberto, de cabeça erguida". "O povo não está cobrando dele, mas de nós, sim", disse a parlamentar, que ainda sugeriu gravar as cobranças populares. "Fui cobrada pela Igreja, familiares, eleitores na rua, por todo lado, cobram atitude", relata Antônia, que foi a primeira vereadora a falar publicamente sobre o caso.

FUTURO
É opinião entre os vereadores que o ambiente na Câmara, que já era ruim, ficará ainda mais nebuloso a partir de agora. "O clima vai continuar tenso, nós também fomos atacados, nem tivemos chance de responder", revela Mauricinho, se referindo aos ataques de Temal contra os vereadores, que o teriam "pré-julgado", ao assinarem o requerimento polêmico. "Não o pré-julgamos, ele sim, que nos pré-julgou, fomos atacados", devolve Mauricinho.
Antônia Lacerda vai mais além. "O ritmo dos trabalhos, infelizmente será prejudicado por causa da falta de clima", profetizou. Gilmar acredita que quem tem a perder com o desenrolar dos fatos é Temal Carrilho. "A partir de agora, a Câmara não vai perder, quem vai perder é ele", dispara.

Aprovado pedido de afastamento

Conforme anunciado em primeira mão pelo Diário do Norte na edição de número 909, os vereadores de Goianésia protocolaram o requerimento 1.239/11, na sessão de terça-feira (1°), pedindo o licenciamento do presidente Temal Carrilho (DEM), acusado de crime sexual contra menor. A matéria, assinada pelos vereadores Abadia Delfino (PSDB), Antônia Lacerda (PV), Antônio do Simino (PMDB), Eustáquio Naves (PMDB), Gilmar da Silva (PMDB), Mauricinho André (DEM) e Valdomiro Baiano (PR), foi colocada em discussão e votação pelo presidente Temal Carrilho. Aprovado por seis votos (Abadia, Antônia, Antônio, Eustáquio, Gilmar e Mauricinho), o texto, que não tem poder de afastar o parlamentar de suas funções regimentais, serve para mostrar à população o posicionamento de cada vereador diante do caso. Valdomiro Baiano não esteve presente à sessão. Adriana Dias (PSDB) e Tião do Mercado (PSD), presidente e membro, respectivamente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, se abstiveram da votação. "Eu quero me abster do voto por não ter interesse nesta matéria e quero que isso conste em ata", discursou a vereadora Adriana Dias.
Em entrevista, o vereador Mauricinho André criticou a atitude dos colegas em se abster da votação. "É inadmissível que a presidente (Adriana Dias) e membro (Tião do Mercado) da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara se abstenham do voto em um assunto como este. Eles são responsáveis pela Comissão, que teria que mostrar ética e decoro. Faltou ética e decoro na Comissão", ataca.
A redação do requerimento aborda que o indiciamento do presidente "tem causado enorme constrangimento a esta Casa e, até mesmo, aos subscritores deste (requerimento), pois, a opinião pública os tem julgado (vereadores) coniventes com tal situação e, ainda, está maculando a imagem do Poder Legislativo junto à comunidade goianesiense".
Os vereadores Mauricinho André, Abadia Delfino e Eustáquio Naves fizeram uso da palavra. "Não tenho nada com seus erros nem com seus acertos, só estou cumprindo com o pedido da comunidade", disse o vereador Eustáquio, se dirigindo a Temal. "Esse licenciamento dará mais oportunidade ao presidente para se defender e tirar o foco da Câmara", justificou Abadia. Diante de toda a pressão, Temal usou a palavra e encerrou qualquer possibilidade de licenciamento ou renúncia. "Não vou me afastar. Até que o processo seja transitado e julgado eu sou inocente", afirmou.

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