Publicado em 01 Julho 2007
Gil Bueno -São Miguel do Araguaia
gil bueno

O então vice-prefeito Ademir Cardoso dos Santos acompanhou a família de Adaílton na condução do corpo até o cemitério
Tristeza e muita emoção marcaram o último adeus ao prefeito de São Miguel do Araguaia, Adaílton do Amaral, sepultado na terça-feira (26) no Cemitério Municipal. Adaílton faleceu na segunda-feira, no Hospital Lúcio Rebelo, em Goiânia, depois de ser submetido a uma angioplastia. O corpo do prefeito chegou a São Miguel do Araguaia por volta das 2 horas da madrugada de terça-feira, sendo levado para a Igreja Matriz São Miguel Arcanjo, onde a população, durante todo o dia, pôde prestar-lhe as últimas homenagens. O governador Alcides Rodrigues e seu vice Ademir Menezes, o senador Marconi Perillo, os deputados federais João Campos e Carlos Alberto Leréia, os deputados estaduais Cláudio Meirelles e Betinha Tejota, o diretor Comercial da Celg, Perinácio Saylon, e o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Sebastião Tejota; foram algumas das autoridades presentes às celebrações.
Além deles, os secretários José Carlos Siqueira, do Planejamento; Oton Nascimento, ex-secretário da Fazenda; Sérgio Cardoso, assessor especial do governador; José Osvaldo (Porangatu), Joaquim Pires (Minaçu), Odair Justino (Novo Planalto), Misael Teixeira (Montividiu do Norte e o prefeito de Jussara, Joaquim Guilherme, presidente da AGM; também compareceram. [b]EMOÇÃO[/b]
Alguns momentos foram especialmente comoventes durante o velório, como quando um grupo de cantores da igreja entoou o hino que marcou a campanha de Adaílton do Amaral em sua disputa à prefeitura do município, em 2004. "Vai dar tudo certo, se a gente colocar a nossa fé em ação", dizia o refrão da canção.
Outra ocasião de particular comoção foi protagonizada pela mãe do prefeito, Benedita Narciza do Amaral, a Dona Bibi, que esteve o tempo todo ao lado do caixão, ao dizer que devolvia aos céus um presente muito especial recebido de Deus e que amava cada um dos presentes pelas homenagens prestadas a seu filho.
A chegada à igreja da primeira-dama Cleonice Marques de Souza Amaral, muito abatida, foi outro momento de marcante tristeza, que emocionou a todos. O padre José Rodrigues da Silva Júnior, que presidiu a cerimônia de corpo presente, também causou forte impressão durante sua homilia. O pároco de São Miguel do Araguaia confidenciou que o prefeito e sua mãe haviam combinado com ele uma benção na Capelinha de São Pedro, no município. O ritual religioso seria realizado no sábado, um dia depois da data consagrada ao santo padroeiro da capela, durante a distribuição da sopa a cerca de 200 crianças, evento organizado semanalmente pela Sociedade São Vicente de Paulo e que tinha no prefeito um de seus mais fervorosos parceiros e incentivador.
O senador Marconi Perillo, ao prestar sua homenagem ao amigo, rememorou a afeição que o unia ao prefeito desde meados da década de 1980, quando o conheceu. Bastante emocionado, o senador ainda lembrou que, quando muitos acreditavam que sua candidatura ao governo do Estado em 1998 era uma aventura, Adaílton do Amaral foi um dos primeiros a abraçar a idéia, tendo coordenado a campanha em todo o Vale do Araguaia e também no Norte do Estado.
"Seu grande sonho era ser prefeito de São Miguel e quis Deus que ele terminasse sua missão na terra como prefeito dessa cidade que ele tanto amou. Seus projetos vão continuar a ser defendidos por todos nós", assinalou, sendo várias vezes aplaudido em sua fala.
Por sua vez, o governador Alcides Rodrigues, que esteve em São Miguel do Araguaia no último dia 15 de junho quando, ao lado de Adaílton do Amaral, inaugurou e visitou várias obras na cidade, evocou o grande homem público que o Estado perdia naquele momento triste para todos da região.
"Além de lhe prestar essas homenagens em meu nome particular e em nome de todo o povo goiano, eu estou aqui para reafirmar todos os compromissos que o governo do Estado tinha com o prefeito. Todas as vitórias que compartilhamos não serão esquecidas", apontou, sendo, também, muito ovacionado pela população.
No final da tarde, um carro do Corpo de Bombeiros conduziu o corpo do gestor até o cemitério da cidade, sendo seguido por centenas de pessoas que, de moto, carro, caminhões, ônibus e até mesmo a pé, acompanharam o cortejo fúnebre. Nas ruas, por onde a viatura passava, a população aplaudia Adaílton do Amaral em sua derradeira viagem.
[b]O reconhecimento das autoridades[/b]
De origem humilde, Adaílton do Amaral começou muito cedo sua vida de trabalhador, auxiliando a mãe no sustento da casa quando da separação de seus pais. Único filho homem entre quatro irmãs, o futuro prefeito foi engraxate, vendedor de picolé e 'puxador de leite', até seu ingresso no quadro de funcionários do Detran, por volta de 1984.
Data da década de 1980 seu ingresso na vida política, sendo presidente do PMDB Jovem de São Miguel do Araguaia e região, época em que conheceu Marconi Perillo, presidente estadual do PMDB Jovem. Desde então, sempre esteve ao lado do atual senador em todas as suas campanhas, como a que o elegeu deputado estadual em 1990 e federal em 1994.
Em 1988 elege-se vereador, pelo PL, aos 23 anos, sendo relator da Lei Orgânica Municipal e presidente da Câmara em 1991. Em 1994, lidera a criação do PSDB em São Miguel do Araguaia, coordenando a campanha de Marconi Perillo ao governo do Estado em 1998 no Vale do Araguaia e Norte do Estado.
Sua atuação foi citada pelo próprio Marconi Perillo como fundamental para a mudança do quadro, que, à época apresentava 4% de intenção de votos para sua candidatura contra 70% de seu oponente, o atual prefeito de Goiânia Iris Rezende.
Em 1999, assumiu a função de assessor especial do então governador Marconi Perillo, candidatando-se a prefeitura do município em 2000, não obtendo êxito. Determinado a ser prefeito de São Miguel do Araguaia, volta a candidatar-se em 2004, sendo eleito com 6.755 votos. Todos com os quais a reportagem do DN conversou citaram Adaílton do Amaral como uma pessoa determinada, de uma maturidade política sem comparação e com um poder de liderança que deixava a todos sem palavras diante de suas argumentações. O amigo Solano, companheiro de Adaílton na Câmara Municipal, entre 1988 e 1992 e em muitas outras situações, acredita que ele vivia a melhor fase política de sua vida, realizando muitos de seus projetos para o progresso do município.
"O que mais chamava a atenção em sua vida pública, no meu modo de ver, era o respeito pelas idéias dos adversários", mencionou. Solano exemplifica com a campanha ao governo do Estado, na qual, mesmo coordenando a candidatura Alcides Rodrigues, não fez qualquer retaliação àqueles que ocupavam cargos em seu governo e trabalharam no lado oposto. O diretor comercial da Celg, Perinácio Saylon louvou sua abnegação, seu amor ao trabalho, sua humildade, seu poder conciliador e sua capacidade de ver simplicidade nos fatos que aos olhos de outros podiam parecer muito complexos.
"Eu tenho por Adaílton uma amizade cultivada em 20 anos de convivência e durante todo esse tempo eu pude presenciar que ele era um homem fadado ao sucesso, morrendo no auge desse sucesso, pego pela surpresa dos desígnios divinos. Sua morte representa uma grande perda e que seu exemplo de vida possa inspirar outras lideranças", lamentou. Para Ademir Cardoso dos Santos, que era seu vice e assumiu a prefeitura em seu lugar, Adaílton representava a esperança e o futuro, ao resgatar, durante o pouco tempo em que esteve à frente da administração de São Miguel do Araguaia, tudo o que a grandeza do município necessitava.
"Nós não perdemos um prefeito. Nós perdemos um irmão e o legado que nos deixa o Adaílton terá continuidade. Nós não vamos deixar a esperança que o povo depositou em Adaílton ir por água abaixo", garantiu.
Já o conselheiro do TCE, Sebastião Tejota, ponderou que a maior herança que fica de Adaílton, não só para a classe política mas para toda a população, é a lealdade. "Em todas as minhas campanhas, em todos os meus pleitos, sempre tive ao meu lado esse grande homem que foi Adaílton. Acredito que é essa a grande lição de vida que ele deixa a todos nós", ajuizou.
O companheirismo de Adaílton também foi saudado pelo deputado Carlos Leréia como uma grande qualidade que o distinguiu em sua trajetória. Lembrando-se de sua última campanha à Câmara Federal, o parlamentar descreveu como ela foi desenvolvida em São Miguel do Araguaia. "O Adaílton não queria que eu colocasse dinheiro para coordenar minha campanha aqui no município. O que ele queria é que eu garantisse que, se reeleito, continuaria trabalhando por mais emendas no orçamento da União para mais obras e progresso para São Miguel", contou.
Já o deputado Cláudio Meirelles não escondia as mágoas com a perda. Segundo ele, Goiás perdeu um dos melhores prefeitos, além de excelente exemplo como administrador e pai de família. “Nessas horas somente Deus para confortar o povo e a família de Adaílton”, lamentou Cláudio.