Eleiçoes 2008
Reeleição, os riscos de se perder o poder
Em 12 cidades do Norte, apenas 5 prefeitos se reelegeram
Publicado em 06 Maio 2007
Ganhar eleição é difícil. Uma vez eleito, a reeleição, quatro anos depois, parece tarefa fácil. Mas apenas parece. Apesar da máquina na mão, do poder de contratar e exonerar servidores, de definir pagamentos e escolher gastos, a vida de quem está no comando de uma prefeitura não é fácil durante uma campanha eleitoral. Todo esse poder pode não servir para nada se não for utilizado com inteligência e prudência. Inteligência para agradar aliados. Prudência para não romper os limites da lei e cair na malha fina do Ministério Público. Há incontáveis exemplos de prefeitos que foram bem, administraram com correção e, ainda assim, nadaram, nadaram e morreram na praia da reeleição.
Em Goiânia temos um bom exemplo de candidato à reeleição que não se deu bem, no campo eleitoral. Pedro Wilson (PT), eleito em 2000, mas que acabou perdendo para Iris Rezende, hoje candidato à reeleição e disparado na frente dos seus adversários. Pedro fez uma ótima administração. E não se tem notícia de que tenha enriquecido às custas de dinheiro público. Tanto que voltou a dar aulas assim que deixou a prefeitura, no final de 2004.
No Norte do Estado há mais exemplos, relativos às últimas eleições. Em doze cidades, onde os prefeitos tentaram um novo mandato, apenas cinco obtiveram êxito. Os demais naufragaram fragorosamente. Ou seja, mais de 50% daqueles que na época pediam mais quatro anos de gestão, não foram atendidos (veja o quadro acima). O eleitor disse 'não' a eles. E para cada cidade há uma explicação, uma razão. Foi assim em 2004. Será assim este ano. No amor e na guerra não há vitórias ou derrotas. Mas nas eleições, sim. Há os que perdem. Há os que vencem com louvor e glórias.
Não se reeleger, no entanto, não chega ser uma maldição para os candidatos. Vários são os fatores que determinam o sucesso ou fracasso de uma campanha eleitoral. É preciso inteligência e sensibilidade para analisar o quadro sucessório antes de decidir enfrentar as urnas. O prefeito de Formoso, Maurílio Alves Macedo, o Biri, por exemplo, desistiu, de forma surpreendente, de pleitear mais quatro anos de mandato. Ele ainda não disse oficialmente o que o fez mudar de idéia. Mas certamente, de posse de pesquisas de intenção de voto, percebeu que suas chances de vitória seriam mínimas. Diante de uma situação assim, é melhor perder os anéis e conservar os dedos. Foi o que ele fez.
Quem está no poder e diante de uma nova eleição que se prepare. Tudo que for prometido para um novo mandato pode ser confrontado. A desconfiança do eleitor numa segunda eleição é maior. Se não fez em quatro anos, porque haveria de fazer agora, nos próximos anos. Prefeito ainda convive com o desgaste, quase diário, de ter que falar não aos inúmeros, muitas vezes absurdos, pedidos. E quando se fecha a porta para o eleitor, ele pode não perdoar jamais. Mas apesar de todos os pesares, uma vitória na reeleição tem um sabor especial. É quase a consagração, o reconhecimento de que a gestão está no caminho certo. Enfim, com ou sem reeleição, que vença sempre o que for melhor.