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CRIMES EM MAMBAÍ E SIMOLÂNDIA

Professor e taxista assassinados

Um maior e dois menores confessaram o crime. Eles filmaram a morte do taxista


Publicado em 13 Março 2016

Jaldene Nunes

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Jaldene Nunes
João Filho (19 anos) e os dois menores que confessaram as duas mortes
João Filho (19 anos) e os dois menores que confessaram as duas mortes

Os assassinatos do professor Fábio Santos da Silva, que tinha 21 anos e lecionava pelo segundo ano no Colégio Estadual Sebastião Moreira da Silveira (CESMS), de Mambaí, e do taxista Raimundo Francisco Dourado, 53, também residente em Mambaí, causaram grandes comoção e revolta não só na pequena cidade de 7,9 mil habitantes (IBGE, 2015) e na vizinha Damianópolis, de onde Fábio era natural e residem seus pais e quatro irmãos, mas em todo o Nordeste Goiano.
Os crimes envolveram ao menos três rapazes lá mesmo de Mambaí, dois deles menores, que atraíram Fábio para a casa de João Pereira de Novais Filho, 19, em cujo quintal foi encontrado o corpo do educador, na manhã de terça (8), depois de o bando ter também assassinado o taxista, entre a noite anterior e a madrugada de terça, cujo crime a polícia não tem dúvida se tratar de latrocínio (roubo seguido de morte).
Segundo o delegado George Aguiar Muniz, titular da Delegacia de Polícia de Alvorada -- que preside os procedimentos de investigação (um, chamado de AIAI, Auto de Investigação de Ato Infracional, para apurar a conduta dos menores; e o inquérito policial, que apura a conduta do maior) --, D.S.N.L., de apenas 14 anos, aluno do professor Fábio; G.J., que ainda fará 18 agora em maio; e João Filho promoveram uma festinha na casa onde morava este último, no sábado (5), e lá, na mesma data ou no domingo (6), mataram o professor, provavelmente com ação contundente, com uso de uma pá e um pedaço de madeira, e o enterraram.
O delegado disse não estar esclarecido, ainda, se o crime contra o professor foi um latrocínio, embora objetos tenham sido subtraídos da casa dele. Confirmou que investiga a possível participação de um terceiro menor (também de 14 anos) na morte do professor (irmão de G.J.), que, inclusive, foi ouvido no flagrante, em Posse, pelo delegado plantonista do dia, Stanislao Montserrat Garcia Neves, e que já concluiu que a morte de Fábio foi premeditada, pois a cova para o seu enterro, com o fim de ocultar o cadáver, fora cavada horas antes.
Depois da morte do professor, ao menos um dos autores teria utilizado o seu celular, inclusive o aplicativo WhatsApp, postando mensagens, em grupos, como se fosse o próprio Fábio, a fim de despistar o seu desaparecimento. Na segunda-feira (7), a falta do educador, que era tido como responsável e muito assíduo, foi notada na escola pelos colegas professores, que já tinham achado estranhas as mensagens no WhatsApp, e resolveram ir até a sua residência, de manhã e, depois, à tarde, turnos que ele deveria ter comparecido para lecionar as disciplinas de Ciências e Geografia, e, sem resposta, passaram a compartilhar a foto de Fábio e a narrar o seu sumiço. A residência do professor, frequentada depois do seu assassinato pelos autores, que de lá teriam furtado objetos, não estava arrombada. Ou seja, usaram a própria chave da vítima para o furto. Segundo o delegado George, o que eles levaram são objetos de pouco valor: caixa de som e um notebook.
À tarde, turno em que estudava na mesma escola, D. (de 14 anos) saiu mais cedo, nem ficou para a atividade física. Por volta das 23h30, como medo de ser descoberto, o trio começou a telefonar para taxistas da cidade, se passando por clientes. Um dos taxistas, para o qual não se identificaram, negou a corrida, alegando que estava sem bateria no carro. Outro também negou, sem se desculpar. Mas o terceiro, Raimundo Francisco Dourado, aceitou fazer a corrida, que seria para Barreiras, na Bahia – Estado que faz divisa com o Nordeste Goiano -- e se tornou presa fácil para os criminosos, que o amarraram e o mataram nas imediações do aeroporto, a cerca de 12 quilômetros de Simolândia, e fugiram no próprio carro da vítima, a quem torturaram, em busca de dinheiro, filmaram tudo e, ainda, passaram o carro por cima do seu corpo, com o homem ainda vivo, amplificando a revolta pelo ocorrido. Um dos taxistas que negaram fazer a corrida alertou Raimundo, pelo celular, sobre o risco de fazê-la, mas o colega teria confiado que um dos passageiros era conhecido de sua família.

CAPTURA EM LEM
Foi a Polícia Militar do vizinho Estado da Bahia (PMBA) que prendeu João e apreendeu os dois menores, por volta das 5h30 da manhã de terça, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Eles estavam no veículo roubado de Raimundo Francisco -- um VW Gol, de cor preta, placa JHN 0689, de Brasília (DF) --, em atitude suspeita, quando foram parados pela guarnição, durante patrulhamento, na Praça Ottomar Schwengber, sob o comando do sargento Chacal Alves.
Com os acusados, foram encontrados os documentos das vítimas, o que facilitou a captura do trio. Eles confessaram os crimes e deram a localização dos corpos: o do taxista, também morto com objetos contundentes (pedras e pedaço de madeira, provavelmente), num matagal cerca de 500 metros depois da pista do Aeroporto de Simolândia.
Além disso, no interior do veículo, foram encontrados vários produtos roubados das vítimas, como celulares, notebook, relógio, caixa de som e dinheiro.
O trio foi levado para Mambaí na mesma data, à tarde, e o delegado plantonista do dia, Stanislao Montserrat, que também responde por Mambaí, presidiu o flagrante, com a logística da Delegacia de Alvorada do Norte. João Filho está recolhido no presídio de Simolândia, enquanto os menores, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estariam em uma cela especial, na Delegacia de Posse, da qual Stanislao Montserrat é o titular.
Excluída a morte do professor, que o delegado George ainda analisa as circunstâncias e suas motivações, João Filho vai responder, somente pelo crime contra o taxista, por latrocínio, podendo pegar até 30 anos de cadeia, e corrupção de menores, com pena de até quatro anos de reclusão. E os menores, por ato infracional assemelhado ao crime de latrocínio.
"Isso aí só pelo crime contra o taxista. Quanto ao professor ainda estou analisando. Se não configurar latrocínio, seguramente, será um homicídio qualificado, até pela circunstância da morte, sem nenhuma chance de defesa à vítima", afirmou o delegado responsável pelo caso.

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