Publicado em 26 Novembro 2015
Euclides Oliveira
Arquivo DN

Vitalino, 41 anos de idade, morreu de infarto
O policial militar Edson Vitalino de Santana, de 41 anos, morreu às 18h30 da quarta-feira (25) em Colinas do Sul, após sofrer um infarto fulminante no intervalo de uma ‘pelada’ de futebol entre amigos no município de 4 mil habitantes, subordinado à 4ª Companhia Destacada da Polícia Militar (4ª CDPM) em Niquelândia. Cabo Vitalino, como era mais conhecido o PM, chegou a ser socorrido ao Hospital Municipal de Colinas do Sul, mas não resistiu. No velório na casa da família no Bairro Soares, em Niquelândia – que prosseguiu até às 5 horas da madrugada desta quinta-feira (26), quando o corpo foi transportado para o sepultamento em Uruaçu – um colega de farda contou, ao DN, que Vitalino sofria de hipertensão (doença popularmente conhecida como “pressão alta”). O policial tomava três comprimidos por dia para o controle dos sintomas mas, por volta das 14 horas de ontem, havia sido medicado no hospital de Colinas após ter sua pressão aferida em 16 por 11. “Ele foi orientado a fazer repouso, mas não deu importância e foi jogar bola mais tarde, dizendo que a pressão dele ‘era alta assim mesmo’. Saiu de campo para o revezamento entre os jogadores e sofreu o ataque quando estava agachado, amarrando o cadarço do tênis”, contou o militar ao DN no velório, por volta da 1h30 da madrugada de hoje.
Nos últimos tempos, porém, o militar estava passando por forte turbulência em sua carreira de 22 anos na corporação após ter seu nome recentemente envolvido na morte do motociclista Mateus Ribeiro Cardoso, de 18 anos. Em circunstâncias muito nebulosas, o jovem foi alvejado por um tiro no peito disparado por dois PMs que estavam em serviço por volta das 00h30 do dia 26 de setembro na rodovia GO-237, trecho conhecido como Rodovia da Fé (Niquelândia-Muquém). Um desses PMs era justamente o Cabo Vitalino, cujo nome foi mantido em sigilo pelo DN nos últimos 60 dias a pedido das polícias Civil e Militar, para preservar a integridade física do policial e de seus familiares; e assim, evitar qualquer tipo de represália/ameaça dos parentes do jovem morto. Depois disso, Vitalino seguiu trabalhando normalmente em Niquelândia até ser transferido para o Destacamento da PM em Colinas do Sul, cidade onde era muito elogiado por sua atuação anterior.
De acordo com o delegado Cássio Arantes do Nascimento – titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Polícia Civil em Niquelândia, o depoimento do PM – que poderia ou não resultar em seu indiciamento formal pela morte de Mateus – estava marcado justamente para tarde desta quinta-feira (26), praticamente no mesmo horário que seu corpo descerá à sepultura em Uruaçu, com honras militares do 14º BPM. Ainda de acordo com o colega de farda que conversou com o DN, o quadro de hipertensão arterial de Vitalino agravou-se em função dos problemas que ele estava vivenciando nos últimos dois meses. O DN seguirá mantendo, em sigilo, o nome do outro PM que poderá ser indiciado – ou não – pela morte do motociclista. O militar, segundo o 14º BPM, está atuando normalmente em Uruaçu depois do fato ocorrido em Niquelândia.
TRABALHO SOCIAL
Entre 2010 e 2011, o então soldado Vitalino foi entrevistado duas vezes pelo DN por sua brilhante atuação no "Projeto Formando Hoje o Cidadão do Amanhã" que beneficiou 590 alunos do Colégio Estadual Agostinho Nunes de Souza, na Vila Mutirão, em Niquelândia. Respaldado pela diretora da época, Luzimar Vicente da Silva (que voltou ao cargo recentemente) e pelo comando da 14º Batalhão da Polícia Militar (14º BPM) de Uruaçu, Vitalino fora devidamente treinado e implantou o conceito da “Escola Semi-Militar” na escola, onde permanecia em tempo integral para aplicar conceitos de cidadania às crianças, para minimizar a indisciplina em sala de aula; e ofertar, aos docentes, a oportunidade de lecionarem com mais segurança e tranquilidade no bairro, um dos mais carentes da cidade. O público-alvo aos ensinamentos de Vitalino eram alunos rebeldes que tivessem notadamente potencial para cometer atos infracionais (crimes passíveis de punição pelo Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA).
Euclides Olivei