Publicado em 01 Julho 2007
Euclides Oliveira - Uruaçu
euclides oliveira

Marisa Araújo e demais autoridades, na abertura do encontro sobre o PDA do Lago Serra da Mesa
“A ganância do capitalismo ainda vai avançar sobre o 'restinho' que resta do cerrado. Se esse modelo de exploração ambiental continuar, um dia nossos rios vão secar e a nossa geração vai morrer de sede". As contundentes palavras do antropólogo Altair Sales Barbosa, do Instituto do Trópico Subúmido (ITS), ligado à Universidade Católica de Goiás (UCG), sintetizam com clareza a seriedade das discussões fomentadas na tarde de terça-feira (26), quando se deu o 1º Encontro Intermunicipal para a elaboração do Plano Diretor Ambiental (PDA) do Lago Serra da Mesa, em Uruaçu.
"Nós esperamos criar uma comissão com representantes de todos os outros municípios. A partir daí, nós iremos formalizar essas parcerias e começar a criar os grupos de trabalho, o que representará um passo importantíssimo para a concretização do projeto do PDA", afirmou o professor e diretor do ITS, Roberto Malheiros. Ele e renomados profissionais da UGC e do ITS, todos de Goiânia, estiveram no auditório João Camapum Barroso para estabelecer métodos para tentar brecar novos e futuros impactos na região, tão alardeados por Altair em sua exposição. Como se sabe, a partir da construção da UHE Serra da Mesa, por parte de Furnas Centrais Elétricas, em 1997; e a conseqüente inundação de áreas de 15 municípios lindeiras ao atual lago, o panorama social, econômico e ambiental do Norte Goiano passou por severas modificações, sem que todas as contrapartidas prometidas pelos idealizadores do empreendimento fossem viabilizadas.
"Foi criada uma grande expectativa de que haveria turismo e geração de empregos, mas isso nós não vimos. Nem os gestores municipais, nem o próprio povo. Ficou essa grande interrogação. Agora, de forma planejada, temos que fazer acontecer algo que venha de encontro com tudo isso", comentou a prefeita Marisa dos Santos Araújo, anfitriã do encontro e atual presidente do Consórcio Intermuncipal de Desenvolvimento Integrado Serra da Mesa (Cidisem). Aliás, o próprio Cidisem, com respaldo da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap), do governo federal, contando com apoio da Agência Rural e da Prefeitura de Uruaçu, conseguiu viabilizar o projeto da criação de tilápias em cativeiro no município, que está sendo expandido para Minaçu, Colinas do Sul e Niquelândia, como forma de gerar emprego, alimentos e uma alternativa de renda para quem plantava e colhia o próprio sustento, antes do surgimento da UHE.
"Vejo que a tilápia possui uma condição industrial de exploração, para o estabelecimento de uma produção frequënte e segura de uma planta de abastecimento, que garante a fixação do produtor na região. A regularidade da reprodução de outras espécies é de um ano em média, que são ciclos longos, no caso de peixes como o matrinchã, piracanjuba, o tambaqui e o pacu. Fora esse motivo, há também a questão da qualidade, já que a tilápia é um peixe de carne firme, branca e de sabor delicado", afirmou a professora e coordenadora do Mestrado em Piscicultura do ITS/UCG, Delma Machado.