Editorial
Não às listas fechadas
Publicado em 17 Junho 2007
Há necessidade premente, porém não iminente, de que o Brasil tenha sua estrutura política reformada. A legislação, as práticas, os costumes, tudo o que está aí leva a um simulacro de democracia e enseja a malandragem quase generalizada. E tudo às custas da frustração de esperanças e bancado com dinheiro do povo. A reforma política começou a andar com a decisão do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e dos líderes partidários de que seja colocada em votação, incluindo os itens de financiamento público de campanha e a chamada lista fechada, que leva o eleitor a votar na legenda e não no candidato. São os partidos que estabelecem a ordem dos candidatos na lista.
Aparentemente seria o fim de eleições financiadas por empreiteiras e outras empresas interessadas em negócios com o governo. Financiando, fazem um agrado aos candidatos. Mais parece a compra de favores, o que acontece em muitos casos, como mostrou a Operação Navalha, que ainda está cortando cabeças de ministros a deputados, de altos funcionários a policiais corruptos.
Quanto a votar nos partidos e não nos candidatos, isso já foi decidido pela Justiça. Os votos pertencem às legendas e não aos candidatos e se esta regra estivesse de fato valendo, muitos dos que entraram nas casas legislativas com os votos de legenda, pois os seus foram insuficientes, estariam entregando os seus cargos. E entregariam também os vira-casacas, aqueles que, por interesses políticos, financeiros ou de outra ordem que não o público, mudam de partido a toda hora. Aceitam quem dá mais. E o eleitor, que votou no candidato de um partido que supostamente abraçava as idéias pregadas pela agremiação, é tapeado.
Alguém já escreveu que é mediocridade discutir pessoas e nobre discutir idéias. Assim, estaríamos fazendo, pela votação no modelo atual, escolhas que podem se transformar em mediocridades, pois escolhemos pessoas e não idéias. E não há nobreza na maioria dos partidos, pois eles não passam de siglas sem ideologia ou programa, dispensáveis ou trocáveis na primeira oportunidade em que o político vislumbra vantagem.
Pelo novo sistema eleitoral pretendido pelos deputados há a garantia aos atuais deputados federais, estaduais e vereadores de que terão direito a encabeçar as tais listas de candidatos partidários. Isso equivale a uma espécie de reserva de mercado ea institucionalização das panelinhas.