Publicado em 24 Setembro 2017
Uma ampla reforma da Previdência, como meio de se salvar os Estados e a própria União do colapso financeiro e fiscal, foi defendida pelo governador Marconi Perillo durante palestra que realizou na abertura do Painel Especial sobre a Crise Financeira Estadual realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, na sexta-feira (22). Ao lado do governador anfitrião, Pezão e do economista, Raul Velloso, Marconi iniciou suas explanações tecendo críticas às imposições feitas pelo Congresso Nacional e a União. "Se não fizermos a reforma da Previdência, os Estados vão falir", disse.
“Muitas vezes os governadores e prefeitos são acusados de incompetentes, pouco resolutivos, omissos ou de pouca coragem para enfrentar desafios graves", afirmou Marconi. "Na verdade, grande parte dos problemas que os estados vivem hoje está diretamente ligada a decisões que são tomadas no Congresso Nacional, ou a partir de iniciativas do governo federal que são compulsórias", disse ele. "Nós somos obrigados a cumpri-las. Nós não temos mais o que fazer do ponto de vista de programas de austeridade, teto de gastos. Tudo o que tinha de ser feito, foi feito”, afirmou.
O governador declarou que o percentual de cobrança previdenciária feito em Goiás, de 14,25%, ainda é insuficiente para fechar a conta do pagamento dos benefícios. "Nós precisaríamos de 40%, mais a parte do Estado se quisermos fazer o equilíbrio”. Por esta razão, Marconi entende que se o Brasil não fizer uma reforma da previdência que resolva pelo menos a questão da idade, os estados estão fadados a falência. “Não há dúvidas sobre isso”, reafirma. "Sem a reforma, todo esforço que fazemos em vista de uma gestão moderna e eficiente, austera, responsável, será em vão se nós não tivermos algo que realmente resolva a questão previdenciária no Brasil”, completou.
Outro aspecto apresentado pelo governador diz respeito a relação entre o número de ativos e inativos na administração do Estado. “Em Goiás nós tivemos um recuo no número de servidores ativos, menos de 17%, mas uma explosão no número de inativos, mais 58%. Há dez anos, nós tínhamos um déficit previdenciário de R$ 400 milhões. Neste ano chegamos a R$ 1,96 bilhão. Em condições normais nós teríamos esse ano um déficit de menos de R$ 1 bilhão", afirmou o governador. "Só o déficit previdenciário é quase o dobro disso. Não fosse o problema previdenciário nós teríamos mais de R$ 1 bilhão por ano para investimentos", afirmou.
"Esse é um gravíssimo problema que enfrentamos atualmente. O mais grave do País. Ou a gente faz a reforma da previdência ou os Estados vão falir. O Brasil não tem saída”, afirmou Marconi. Ainda na análise do tema, o governador alertou que se nada for feito, “daqui a dois anos não haverá mágica e nem governador que consiga governar com um déficit como esse". "Os Estados não irão sobreviver. Não é possível mais que algumas pessoas se aposentem com 45 anos de idade com salário superior a R$ 30 mil. Nós temos 67% dos nossos aposentados, ou seja, 64 mil do total recebendo acima de R$ 5 mil. Os demais recebem acima disso e até mais de R$ 30 mil. Não há país e nem estado que suporte isso”, disse.
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