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NIQUELÂNDIA

Leishmaniose deixa Saúde em alerta


Publicado em 16 Novembro 2013

Euclides Oliveira

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O Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Niquelândia acionou na última semana, em caráter emergencial, técnicos do Laboratório Central de Saúde Pública Doutor Giovanni Cysneiros (Lacen, de Goiânia) e do Núcleo de Apoio ao Controle de Endemias (Nace, de Ceres) depois que oito casos de leishmaniose tegumentar foram confirmados na cidade em apenas 30 dias, desde 15 de outubro. Faltando menos de dois meses para o final de 2013, Niquelândia contabiliza 23 casos da doença. Nos doze meses de 2012, houve 26 registros. Com apoio dos profissionais da vigilância local e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Lacen e o Nace foram a campo entre a segunda-feira (11) e a quinta-feira (14) - em vários locais da área urbana e rural do município - para a captura de fêmeas do mosquito flebotomíneo (ou flebótomo), principal vetor de transmissão da doença, também conhecido como mosquito-palha. Eles vivem em locais úmidos e escuros, preferindo regiões onde há acúmulo de matéria orgânica em decomposição (como lixo doméstico e fezes de animais, por exemplo). Caracterizada por feridas indolores na pele ou mucosas do indivíduo afetado, a leishmaniose tegumentar tem um período de incubação de dois a três meses para se manifestar. Porém, os sintomas podem aparecer entre 15 dias a mais de um ano nas pessoas que são picadas pelo mosquito.

"Esse número de casos não indica a existência de um surto da doença em Niquelândia, mas sim uma ´chamada de atenção´ para a população em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde para evitar outros casos. Juntamente com período chuvoso, o ambiente da cidade - com muitas serras e matas - é propício ao surgimento de vetores, que já existem aqui. Viemos para confirmar a proliferação em dois povoados (Faz Tudo e Traíras) porque esse mosquito (palha) é diferente do da dengue (Aedes aegypti) e não necessita da água para se reproduzir. Ele (o palha) se reproduz bem em chiqueiros e galinheiros; e também em locais onde há muita sombra com folhas em decomposição. O primeiro passo, para eliminar esse mosquito das proximidades das casas, é fazer o correto manejo ambiental. Esses animais (porcos e galinhas) são fonte de alimentação às fêmeas do mosquito contaminado; e o homem se contamina ao passar por esse caminho", comentou a bióloga da Seção de Entomologia do Lacen, Nara Gonçalves Costa.

Segundo Nara, as pessoas devem estar atentas para ulcerações (feridas) na pele que, ao contrário de um machucado comum, não cicatrizam mesmo decorrido um determinado tempo. Bordas mais firmes e um aspecto ´melado´ dessas feridas, de acordo com a bióloga, caracterizam a leishmaniose tegumentar. Outros sintomas: febre irregular por longos períodos; anemia; palidez, emagrecimento; fraqueza; problemas respiratórios; tosse seca, diarréia e, sangramento na boca e nos intestinos (sangue nas fezes, por exemplo) em casos mais graves. Por tratar-se de um processo inflamatório agudo, sobretudo em seu início, a representante do Lacen recomenda às pessoas que procurem um médico para que a doença não seja confundida com outras. O prazo para que o Lacen apresente o resultado das amostras dos vetores coletados em Niquelândia pode chegar a 90 dias.  

Passado esse período, o laboratório poderá afirmar se há, em Niquelândia, chances reais de alguém contrair a leishmaniose visceral. Segundo Nara, a doença não apresenta lesões na pele mas causa visível inchaço do abdômen - atingindo o fígado e baço do ser humano - com grande risco de morte especialmente para idosos e crianças por conta da baixa imunidade nessas faixas etárias. Em zonas urbanas os cachorros são o principal hospedeiro da doença. Na zona rural, cavalos e bois desempenham tal papel. "Além dessa ação do Lacen, estamos realizando também um trabalho de Educação Continuada nas escolas da cidade e nas unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESFs), com palestras objetivando a conscientização da nossa população", completou a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Niquelândia, Lívia Jerônimo.

 

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