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ENTREVISTA

Helio de Sousa avalia gestão Caiado e vê mais erros do que acertos

Deputado do PSDB faz análise da gestão e aponta tentativa de desmonte do legado Marconi


Publicado em 06 Agosto 2019

Jaldene Nunes

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Divulgação
Deputado estadual Helio de Sousa
Deputado estadual Helio de Sousa

Integrante da bancada de oposição ao Governo Ronaldo Caiado, o deputado estadual Helio de Sousa (PSDB) comprou a briga contra a proposta do Estado entrar no Regime de Recuperação Fiscal. Foi de sua iniciativa a apresentação de um requerimento para suspender a votação da matéria, mas este acabou rejeitado pelo plenário da Casa.
Nesta entrevista, concedida ao Diário do Norte por ocasião da solenidade de passagem de comando do 15º Comando Regional de Polícia Militar, em Goianésia, sua principal base eleitoral, Helio fala sobre a proposta do Executivo, à qual chamou de inócua, aprovada pela Assembleia Legislativa; crítica o que classifica de desmonte do Vapt Vupt; e diz enxergar Ronaldo Caiado ainda sem rumo, seis meses depois de empossado governador.
“Tem mais desacertos do que acertos e perde tempo em desconstruir o legado deixado pelo PSDB, que é muito grande”, aponta.
Helio de Sousa também comenta sobre a sucessão municipal que se avizinha, garante não ser candidato à Prefeitura de Goianésia e que o seu partido, o PSDB, terá, sim, candidato à sucessão do atual executivo, o prefeito do MDB, Renato de Castro.

Diário do Norte – Qual a importância dessa troca de comando da PM em Goianésia?
Helio de Sousa – É, a gente acompanha, desde o meu mandato de prefeito, esta unidade da Polícia Militar aqui de Goianésia. No nosso primeiro mandato, nós conseguimos viabilizar uma Companhia Independente para Goianésia e, ao longo dos anos, passamos para Batalhão, hoje nós temos um Comando Regional, e a gente fica feliz porque as manifestações que aconteceram aqui hoje são de muito respeito para nossos comandantes, o coronel [Wolmey Vieira] Barros, que deixou o comando da unidade, talvez recebeu hoje aqui a maior homenagem de sua vida, quando juízes, como o Liciomar Fernandes da Silva, promotores, como o Everaldo Sebastião de Sousa, falando em nome das suas cidades, mostraram a gratidão por tudo que ele fez. E a gente fica feliz porque, querendo ou não, nós somos avalistas desse processo. E muito mais feliz estamos agora com a certeza de que o trabalho continua. O coronel Edson Rodrigues, que assumiu o comando do 15º CRPM de Goianésia, é um jovem aqui da região, da região de Cafelândia, de Juscelândia.

DN – Qual balanço o senhor faz dos seis primeiros meses do governo de Ronaldo Caiado?
Helio – Eu entendo que o governo estadual, neste primeiro semestre, teve mais desacertos do que acertos. Então, é preciso fazer uma reflexão e buscar um caminho que seja bom para o Estado. Eu diria que é um governo que é polêmico, é um governo que mostrou muita insegurança, que tomou medidas que poderiam ter sido evitadas, o não pagamento de dezembro até hoje para todos é algo inexplicável: se, nesse período, ele mudou salários de servidores; se, nesse período, ele tomou uma série de medidas que mostram que o Estado tem condições, então, a gente poderia dizer, sem medo de errar, que é um governo polêmico, é um governo inseguro, mandando projetos para a Assembleia, como, por exemplo, o vale-transporte dos estudantes, que depois recuou, mandando para a Assembleia uma proposta de emenda constitucional para reduzir o gasto com a educação de 25% para 23%. Então, são coisas complicadas. E culminou aí com esse projeto, que ele apresentou, do Regime de Recuperação Fiscal, que é inócuo. Esse projeto, ele não tem nenhum valor técnico para o governo do Estado. O que tem valor é quando ele apresentar as metas que ele pretende atingir ou apresentar, para poder viabilizar que o Estado seja enquadrado no Regime de Recuperação Fiscal. Então, está muito complicado e, com certeza, se ele tiver inteligência de, junto com a sua equipe, de rever os erros, evitar que se repitam e buscar fazer aquilo que tem que ser feito, nós vamos torcer para dar certo.

DN – E foi essa característica que o senhor mencionou, inocuidade dessa matéria, em sua avaliação, que o levou a apresentar requerimento pela suspensão da tramitação da matéria, requerimento este rejeitado pela Casa?
Helio – É um comportamento que é a obrigação nossa, a Assembleia Legislativa cumpriu o seu papel do contraditório e do debate. Eu apresentei esse requerimento para retirar a matéria, porque, como eu disse, esse projeto não tem nenhum valor para o Estado; ele não é utilizado porque ele não tem nenhuma proposta, ele apenas quer uma autorização, quando a autorização só tem valor quando você o apresentar com as metas. Aí, sim, ele pode apresentar as metas e pedir que nós entramos em Regime de Recuperação Fiscal e nós vamos analisar, se preciso ou não. Então, a gente tem a segurança de dizer que é um governo que está inseguro, é um governo que precisa analisar melhor como administrar, evitar que algumas coisas, que são simples para o Estado, não fiquem da maneira como está. Por exemplo: do lado de Niquelândia, a gente escuta lá, de vereadores, manifestando a incredulidade, imaginando que daqui a duas semanas nós vamos ter o início da festa de Muquém [Romaria Nossa Senhora d’Abadia de Muquém] e a rodovia está totalmente sem condições de trafegabilidade. 

DN – Vamos falar de eleições. Qual é a sua previsão para as eleições de 2020?
Helio – Eu acho que ela será diferente, já que nós não vamos ter coligações. Então, vamos ter que fazer grupos. Goianésia e as cidades que eu represento já estão trabalhando esses grupos, quer seja um ou dois partidos, mas não tem condição de ter mais partidos. Então, eu trabalho com essa ideia. Entendo que a questão majoritária, de vice-prefeito e de prefeito, é questão de estar trabalhando, buscando alternativa. E eu acho que, no momento certo, que seria no começo do ano que vem, já ter aqueles que vão nos representar, tanto para vereadores ou vereadoras, quanto as candidaturas ao executivo, de prefeitos e vice-prefeitos.

DN – O senhor prevê grandes embates nos municípios que o senhor representa e nos maiores colégios eleitorais de Goiás, entre marconistas, caiadistas e danielzistas/maguitistas?
Helio – Eu diria que é a realidade. A campanha municipal, ela é aguerrida, é uma disputa que todos querem ganhar e poucos vão ganhar. E eu vejo que essa tentativa que tem o governo atual de tentar desconstruir aquilo que o PSDB fez, já é uma mostra de que eles estão preocupados, porque o legado é muito grande. 

DN – O seu nome tem sido discutido como o virtual candidato do PSDB em Goianésia. O senhor tem essa disposição ou descarta essa possível candidatura?
Helio – Não, eu descarto totalmente, eu acho que nós temos valores, tem esse projeto e não serei candidato a prefeito.

DN – Qual deve ser o encaminhamento para a sucessão do atual prefeito de Goianésia, o Renato de Castro, a ser dado pelo seu partido, o PSDB?
Helio – Não, é discutir, chamar aqueles que têm condições. Eu não quero trabalhar com nomes, mas, no momento certo, provavelmente em janeiro, nós vamos apresentar.
 

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