Publicado em 31 Janeiro 2016
Euclides Oliveira

O diretor-presidente da Votorantim Metais para as operações de zinco, níquel e alumínio da empresa no Brasil e na América Latina, Tito Botelho Martins Júnior, esteve em Goiânia na manhã da segunda-feira (25) em reunião com o governador Marconi Perillo (PSDB) no Palácio das Esmeraldas para detalhar - na presença do prefeito de Niquelândia, Luiz Teixeira (PSD) - as razões pelas quais a mineradora anunciou (na segunda-feira/18) a suspensão das operações de sua planta; e a consequente demissão de 800 empregados da empresa no Norte do Estado até o próximo dia 1º de maio, quando a lavra e a usina serão paralisadas por completo. O executivo do conglomerado detalhou, ao governador, que "80% da indústria de níquel está debaixo d' água" porque a cotação da tonelada de níquel - em torno de US$ 8.000 dólares - atualmente é inferior ao preço mínimo de US$ 13.000 dólares para que a operação em Niquelândia, no Acampamento Macedo, continuasse sendo viável. O vice-governador José Eliton Júnior (PSDB); o senador Wilder Morais, o secretário estadual de Gestão e Planejamento, Thiago Peixoto (PSD); e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Niquelândia (Sitien), Geraldo Lopes de Souza, também participaram.
A reunião de Marconi com Tito Botelho em Goiânia foi assegurada na sexta-feira (22) em São Paulo, quando o secretário estadual de Cidades e Meio Ambiente, Vilmar Rocha (PSD), esteve na capital paulista para um encontro preparatório com o presidente da empresa. "Vamos manter os programas sociais que temos em Niquelândia e vamos voltar a operar no município assim que houver a melhora do cenário econômico, associada a melhoria do preço do metal", completou Tito. Segundo Vilmar Rocha, o Governo de Goiás cogitou oferecer vantagens tributárias para a Votorantim Metais, mas a empresa não aceitou sob a alegação de que o problema financeiro não seria resolvido; e que a decisão era mesmo irreversível por causa do mercado econômico. Durante a reunião, segundo Vilmar Rocha, a Votorantim Metais se comprometeu em reaproveitar a mão de obra de mais 50 trabalhadores, além dos 150 colaboradores anunciados na semana retrasada, quando Niquelândia ficou arrasada com a notícia. Outros 200 trabalhadores demitidos na cidade do Norte poderão ser aproveitados em Edealina, onde a empresa deve inaugurar uma fábrica de cimento nos próximos meses. Em rápidos cálculos, apesar do cenário desfavorável em Niquelândia, 400 empregos foram garantidos pela mineradora.
Vilmar Rocha afirmou também que o governo estadual irá ofertar - através da Goiás Fomento, em parceria com o Sebrae; com Faeg; e com a Fieg - assessoria aos trabalhadores demitidos a investirem os recursos oriundos dos direitos trabalhistas em novos projetos (que poderão ser complementados com linhas de crédito do Banco do Povo) objetivando a expectativa de criar novos empreendedores em Niquelândia. No encontro, governador Marconi Perillo também pediu prioridade total nas obras e convênios do Estado com a Prefeitura de Niquelândia.
Segundo o prefeito Luiz Teixeira, esse pacote de medidas ameniza as preocupações da administração municipal. “Essa reunião nos deixa mais tranquilos. Ações concretas vão ser tomadas de forma conjunta pelo governo do Estado, empresa e prefeitura. Ficamos seguros, pois, em qualquer momento, com uma melhora do preço do níquel, a empresa volta a operar”, disse, para lembrar que a cidade deve ter uma queda de arrecadação de mais de 50%, com a redução do recolhimento de Cefem e ISSQN. Na tarde da sexta-feira (29), em reunião na sede do Sitien, representantes das entidades classistas de Niquelândia foram cientificadas de que o diretor-presidente da Votorantim Metais ficou de estudar os inúmeros pontos de um "pacote" de pedidos feitos em Goiânia pelas lideranças locais.
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