Publicado em 13 Fevereiro 2016
Euclides Oliveira
A Superintendência Executiva da Administração Penitenciária (Seap) - organismo ligado à Secretaria Estadual de Segurança Pública - assumiu oficialmente na terça-feira (2) o comando da cadeia pública de Crixás. Na cidade do Vale do São Patrício, a vigilância de 60 presos estava sob a responsabilidade da Polícia Militar (PM). A mudança era uma antiga reivindicação do Poder Executivo; do Poder Legislativo; do Poder Judiciário; do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e da população em geral, já que o município de 18 mil habitantes registrava significativo volume de ocorrências de furtos e roubos já que a PM local estava desfalcada de parte de seu efetivo às rondas periódicas, dada a retenção dos militares no prédio da cadeia. O assunto ganhou força em dezembro quando a cúpula da Segurança Pública em Goiás - liderada pelo secretário Joaquim Mesquita - participou de audiência pública orquestrada pelo deputado estadual Lincoln Tejota (PSD) em apoio aos pleitos do prefeito Orlando Naziozeno (PMDB). No dia em que a Seap assumiu as atividades, o próprio prefeito - que é médico - assumiu para si a responsabilidade de entrar na cadeia para exames médicos nos detentos porque dois profissionais da área de Medicina da Prefeitura de Crixás - requeridos pelo Governo do Estado à atividade - estavam fora da cidade em cursos de aprimoramento profissional. O médico Márcio Dietz também auxiliou Naziozeno na tarefa.
De acordo com o diretor da 7ª Regional Norte da Seap em Goianésia, Genair da Abadia Souza Vieira, foram designados 14 agentes prisionais (contratados em caráter temporário) para atuar na cadeia de Crixás. O diretor-interino da unidade prisional será o agente penitenciário Diego de Castro, que estava exercendo funções como agente-plantonista em Campinorte. A cadeia de Crixás fica na região central da cidade - na rua de trás do prédio da prefeitura - e a movimentação de três viaturas pretas do sistema penitenciário chamou a atenção de quem passava pelo local.
Segundo Genair, para marcar essa fase de transição, a Seap enviou para Crixás uma equipe-tática com 40 homens para uma varredura completa nas oito celas do presídio, o que culminou com a retirada/apreensão de algumas facas e telefones celulares. "De agora em diante, vamos adaptar essa unidade ao nosso padrão de trabalho com a implantação de atividades laborais que possam auxiliar na reinserção social dos reeducandos. Embora as polícias Civil e Militar façam um bom trabalho nos auxiliando, ambas não possuem a incumbência e nem a formação necessária para desenvolver a atividade carcerária como nós (da Seap) que fomos preparados exatamente para isso", detalhou o diretor da Seap em Goianésia.
Após entendimentos com o Conseg de Crixás; Conselho da Comunidade e outros parceiros, o prédio também deverá passar por novas adequações que permitam a construção de uma área administrativa para o diretor e demais agentes prisionais. De acordo com Genair, a cadeia de Crixás não apresenta problemas de superlotação. Porém, como a PM irá ter mais militares em serviço de agora em diante, existe a possibilidade de ocorrer esse problema.
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