Publicado em 11 Dezembro 2016
Juvenal Junior
Um dos expoentes da cultura de Rialma, com 16 livros lançados e outros cinco inéditos prontos para lançamento, o escritor Edvaldo Nepomuceno (Dinda) conversou com a reportagem do Diário do Norte na semana passada e falou sobre o seu trabalho de escritor, professor de línguas e jornalista. Leitor voraz, Dinda começou a escrever aos 15 anos de idade e sua primeira obra foi com O Sol e Laranja (Contos).
Nascido em Ceres, e morador de Rialma desde a infância, Dinda se diz triste e decepcionado com o universo cultural brasileiro, em especial da região onde vive, o Vale do São Patrício. "Vivemos o reinado da imbecilidade. Hoje, os imbecis da internet têm direito a voz e se julgam verdadeiros intelectuais. O fato é que ouve uma banalização da cultura, onde o mais do mesmo se perpetua", diz Dinda.
Atualmente Dinda é o editor do Jornal Farol 21, um periódico mensal que circula em várias cidades da região. Considera-se um 'analfabaite' (alheio as tecnologias). Dinda não abre mão da máquina de datilografia para escrever suas matérias, artigos e contos. Critico ferrenho do atual modelo de cultura, considera que há um verdadeiro descaso com a arte brasileira, seja na televisão, pintura, teatro e tantas outras. Estudioso de várias línguas, entre elas o Latim e o Grego Clássico, a paixão pela escrita e leitura sempre o acompanhou e por muitos anos colaborou com Diário da Manhã, O Popular e Pasquim, do escritor Ziraldo.
Em Rialma não existe quem não o conheça. Professor Dinda é como o chamam. Defensor do jornalismo literário, o escritor avalia como deplorável o universo cultural em Rialma e na região. Segundo ele, "Rialma e o país vivem um apagão literário e cultural desde a chegada de Fernando Henrique Cardoso à presidência, em 2004". "As reverberações do atual Ministro da Cultura, Roberto Freire, faz com que a cultura nacional fique engessada. Não há mecanismo para revelar os novos talentos. É uma verdadeira odisseia fazer um artista sair do anonimato", pontua.
"Poderíamos ter inúmeros incentivos nos municípios para revelar esses artistas mas, infelizmente, os gestores municipais vivem presos na inópia cultural, ou seja, há uma pobreza cultural que os impede de valorizar os verdadeiros artistas", diz. Dinda diz que o jornalismo, a segunda profissão mais velha do mundo, está atualmente aviltada pela pletora (excesso), "que deu voz a milhares de imbecis que fez com que a comunicação social fosse preterida e banalizada, dificultando a vida dos escribas", pontua.
"Os filisteus da cultura não querem que a arte seja disseminada pelo país. Muitos dos políticos não têm uma visão aberta para a arte. Só falam em cultura nos períodos eleitorais, apenas para cobrir lacunas dos seus programas de governo", diz Dinda. "No fundo é tudo conversa de boi", critica. "Infelizmente o nosso cotidiano é de uma pobreza de linguagem. Não temos senso crítico e ainda estamos querendo muito", desabafa. Ao lançar seu último livro, Versos Latinos de Noites Métricas, Dinda diz que tem outros cinco livros prontos, "mas não vê apoio e nem leitor para apreciar sua obra", lamenta.
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