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EDUCAÇÃO

Ensino superior é mal avaliado

Nenhuma faculdade em Goiás conquistou a nota máxima dada pelo MEC: faltam profissionais qualificados


Publicado em 13 Novembro 2016

Beto Silva especial para o DN

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A falta de corpo docente qualificado e de infraestrutura são os principais fatores que colocam as universidades goianas avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC) em classificações consideradas ruins no índice do Conceito Preliminar de Curso (CPC). O desempenho dos alunos no Enade, realizado com os que estão concluindo o curso, também é computado.
Os dados completos serão publicados na segunda-feira (21) no "Diário Oficial" da União. Nenhuma instituição goiana teve nota máxima.  E 18 apresentaram situação delicada, com notas insatisfatórias que motivam penalidades.
O parâmetro é o indicador de qualidade do ensino superior no país e norteia as políticas educacionais das instituições.
As universidades e faculdades goianas têm poucos mestres e raros doutores. "Existe baixo investimento em um doutor, por exemplo. As faculdades os contratam apenas para a liberação do curso. Depois, os despedem. Mas quando são analisadas e investigadas pelo MEC surgem estes dados negativos", diz Antônio Lisboa Almeida, mestre em educação e pesquisador da qualidade do ensino universitário no Brasil.
Para ele, a má qualidade das faculdades goianas representa uma espécie de estelionato contra o estudante: "Ele é sempre a parte mais frágil. Demora a perceber a diferença de uma faculdade com biblioteca de verdade, que traz livros de ponta em seu ramo de saber. E só sente a diferença em ter um professor com boa formação quando tem esta experiência em sala. Como a maioria das faculdades não oferece esta possiblidade acabam sem uma boa formação".
Ele cita o exemplo das faculdades de Direito, que em sua maioria não têm bons quadros de mestres e doutores -  e quando estes existem, quase sempre estão voltados para os programas de pós-graduação.  "Por ironia, uma das áreas que formam 'doutores', na verdade não contrata nem tem doutores de verdade. Geralmente, eles são uma grande minoria dentro das instituições". Antônio Almeida diz que a situação é ainda pior em áreas como engenharia civil.
 
AVALIAÇÃO
A avaliação do MEC totalizou 6.805 graduações. Os dados se referem a 2014.
Apenas 2,23% das instituições receberam nota máxima no CPC.
Uma das penalidades do MEC para a instituição com nota 1 e 2 (consideradas irregulares) se refere ao impedimento de aumentar vaga e realizar novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
E dependendo da situação, a faculdade é impedida de realizar vestibular. A maioria das faculdades goianas apresenta nota 3, de alerta para a qualidade.  Não chega a ser um patamar crítico, mas que em próximas avaliações, caso não melhore corpo docente e estrutura, podem entrar na lista das que serão penalizadas pelo MEC.
 

Jornal Diário do Norte

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