Publicado em 14 Janeiro 2026
Da Redação
A deputada federal Magda Mofatto vive um momento curioso, para não dizer constrangedor, na política goiana. Após ser desapeada do comando do PRD em Goiás, partido que literalmente lhe foi tomado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, a parlamentar resolveu mudar de legenda. Até aí, nada de novo no velho roteiro da política. O enredo começa a ficar estranho a partir do capítulo seguinte.
Sem o partido que já foi “seu”, Magda desembarcou no PL como quem chega sem mala e papagaio. E agora passou a sustentar a narrativa de que sua filiação teria ocorrido a convite direto do presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto. Uma versão que, nos bastidores, não se sustenta: a deputada aparentemente ingressou no PL sem nunca ter conversado com Valdemar.
No novo partido, Magda chega em posição bem diferente da que ocupava até pouco tempo atrás. Não é general, nem comandante, no máximo, soldada. E soldada recém-chegada. A tentativa de vender sua presença como um gesto de “pacificação” interna soa mais como ilação do que como fato. O PL em Goiás tem comando definido, tem projeto político claro e tem, sobretudo, um pré-candidato ao governo do Estado já colocado no tabuleiro.
Paralelamente, a deputada parece empenhada em um jogo duplo: agradar a nova sigla sem desagradar o governador Ronaldo Caiado. Um malabarismo retórico que inclui acenos públicos e discursos calculados, numa tentativa evidente de não fechar portas, ainda que algumas já tenham sido escancaradamente fechadas.
No fim das contas, o episódio revela mais sobre a fragilidade do discurso do que sobre qualquer estratégia sofisticada. Quem perdeu o partido, e agora tenta reescrever os fatos talvez precise, antes de tudo, combinar melhor a versão com a realidade.