Publicado em 24 Junho 2007
Rafael Júnior - Minaçu
rafael Júnior

Ailton Araújo, presidente da CDL: pequeno número de filiados
Diversos comerciantes de Minaçu, em entrevista ao Diário do Norte, mostraram-se insatisfeitos com os rumos que a atual diretoria tem dado à entidade nos últimos meses. De acordo com alguns comerciantes, a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Minaçu) tem feito muito pouco pelos associados e quase não se vê nenhuma programação ou promoção que vise aumentar as vendas do comércio local como ocorre em outros municípios do Estado de Goiás ou até mesmo do País.
Datas importantes para o comércio como o Dia das Mães, o Dia dos Namorados, o Dia dos Pais, Natal, entre outras, acabam passando em branco em Minaçu pela falta de iniciativa e criatividade da atual diretoria da CDL, afirmam alguns entrevistados.
Elita Cassiano, proprietária de uma loja de locação de vestidos de noivas, na Avenida Goiás, diz que vive em Minaçu há 30 anos e que seu comércio funciona há 27 anos na cidade. Ela é taxativa ao afirmar que não conhece a CDL e que apenas sabe que a entidade protege os comerciantes da ação dos estelionatários e de pessoas mal-intencionadas que visam aplicar golpes no comércio. Elita afirma não ter interesse em associar-se na CDL, apesar de já ter tido problemas com cheques devolvidos em seu estabelecimento.
A proprietária da loja de vestidos de noivas acredita que o número de associados da CDL de Minaçu não vai aumentar. A entidade possui apenas 87 filiados, segundo dados da própria CDL, pois a cidade é pequena e por ter um comércio ainda muito tímido, que não faz frente aos grandes municípios da região. Além do mais, afirma Elita, o comerciante de Minaçu ganha o suficiente para cobrir custos da loja, entre eles, o de funcionários e manter o pagamento dos impostos em dia.
Já Maria Madalena Vieira da Silva, que trabalha com o pai numa loja de confecções, também na Avenida Goiás, diz que por decisão de seu pai, a empresa é associada à CDL para garantir a proteção ao crediário pois em seu estabelecimento comercial têm surgido alguns clientes que estão com os nomes incluídos no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Madalena conta que fica sabendo dessas inclusões por intermédio das consultas que são feitas junto à entidade.
O pai de Maria Madalena, Júlio Mariano, comerciante há 15 anos, concorda com as declarações da filha. Ele acrescenta que o serviço de maior importância disponibilizado pela CDL nestes últimos anos na cidade é a consulta junto ao SPC. "Só isso justifica a existência da entidade entre nós, comerciantes. Quanto a não realização de promoções para dinamizar o comércio local como querem alguns comerciantes, acho que essas promoções durante as datas festivas não são ruins. Até poderiam ser efetuadas, mas insisto na questão da margem de lucro. O comerciante de Minaçu está com a corda no pescoço para manter seus compromissos em dia", disse.
Dona de uma loja de cosméticos na Avenida Maranhão há quatro meses, Adriana Nunes de Lima, natural de Minaçu, ainda não é associada à CDL, mas ela não descarta a possibilidade de se filiar à entidade. "Perdemos vendas por não termos como consultar vários cheques da clientela,".
Presidente contesta
O presidente da CDL, em Minaçu, Ailton Gratão de Araújo, afirmou que a entidade está funcionando na cidade desde 2000 e que embora desconheça o número real de comerciantes existentes na cidade, considera a quantidade de associados pequena, mas vê no percentual de empresas que utilizam os serviços da CDL potencial para crescimento, haja vista que o Serviço de Proteção ao Crédito é indispensável para o bom desempenho das vendas do comércio local. Quanto ao desinteresse de alguns comerciantes em filiarem-se à entidade, Araújo considera que isso só prejudica a categoria.
Em relação às críticas de que nada tem sido feito nas datas festivas em Minaçu, Araújo afirma que é por iniciativa da CDL que está sendo realizada uma palestra para orientar os microempresários minaçuenses sobre o Super Simples.
"Eu deixo as portas abertas da CDL para sugestões dos comerciantes e até para aqueles que queiram assumir a entidade, que é sem fins lucrativos. As coisas não são muito facéis na CDL, pois não temos sede própria, pagamos aluguel. Temos o desejo de ter a sede própria. É um sonho que vai se realizar um dia, com certeza", deseja.