Publicado em 27 Janeiro 2019
Jaldene Nunes
Nas vésperas de assumir, no próximo dia 1º, o quinto mandato de deputado federal, João Campos (PRB-GO), que chegou a colocar o seu nome na disputa para a Presidência da Câmara dos Deputados, mas o retirou no começo do ano, comentou, a pedido do Diário do Norte, durante visita a Goianésia, a situação das finanças estaduais identificada pelo governador Ronaldo Caiado (DEM). Na cidade de 45,2 mil eleitores, ondeobteve842 votos do total de 106.014 recebidos em outubro passado, o parlamentar entregou ao prefeito Renato de Castro (MDB) um ônibus zero quilômetro para o transporte escolar.
"[Vejo] com muita tristeza [a situação financeira reclamada pelo governador Ronaldo Caiado], mas, conhecendo a realidade do Brasil, e não só a de Goiás, eu preciso destacar que temos estados com situação muito pior. É o caso do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, e eu poderia citar outros estados em situação ainda pior", afirmou o parlamentar, que não credita o atraso dos salários de dezembro de parte dos servidores estaduais ao ex-governador José Eliton (PSDB), de quem é aliado. "Na verdade, o Caiado recebeu o governo com salário em dia, porque o salário de dezembro paga-se até 10 de janeiro. E o governador José Eliton pagou a folha de mais ou menos 10 órgãos dentro do mês de dezembro. O remanescente só se considerou atrasado depois do dia 10", apontou.
João Campos reconhece que Goiás tenha dificuldades, mas ressaltou não ser a mesma dos demais estados ditos em crise. "Lamentavelmente, alguns gestores públicos não têm observado de forma rigorosa a Lei de Responsabilidade Fiscal aprovada pelo Parlamento brasileiro, exatamente para colocar ordem na administração pública", disse, sem citar nomes. "Mas nem todo mundo a observa adequadamente, e aí municípios e estados terminam entrando em dificuldades".
Questionado se havia a necessidade do decreto de calamidade financeira, aprovado na semana passada em sessões extraordinárias pela Assembleia Legislativa, João Campos preferiu não fazer juízo político do fato, mas lincou ao episódio antecedente de que Goiás aderiria ao Regime de Recuperação Fiscal do Governo Federal. Afirmou desconhecer, tecnicamente, as razões pelas quais foi estabelecido o decreto de calamidade financeira, mas disse imaginar que o governador tenha tido suas razões. "Não acompanho tecnicamente, mas acho que, se não estivesse devidamente fundamentado, a Assembleia Legislativa não o aprovaria. É certo que, antes disso, o governador Caiado anunciou que aderiria ao Regime de Recuperação Fiscal, uma forma de ter ajuda do Governo Federal. E o que correu como notícia é que o Estado de Goiás não preencheu os requisitos para isso. Precisava estar classificado com nota D e, pelo que os meios de comunicação noticiaram, Goiás está com nota C, o que significa que não está tão ruim. E aí o governador buscou essa outra alternativa, que foi esse decreto de calamidade das finanças de Goiás".
O republicano disse esperar, e torcer muito, para que Goiás supere logo essas dificuldades e que o decreto dê ao governador as condições, o quanto antes possível, de organizar as finanças do Estado. Segundo ele, o governador Caiado merece "a confiança de todos nós", para que Goiás volte a recuperar a sua capacidade de investimento.
SEM CONSTRANGIMENTO
Questionando, ainda, se o incomoda essa situação identificada pelo governador Caiado, já que João Campos integrou a base aliada liderada por Marconi Perillo e José Eliton, o parlamentar se esquivou: "Não, não me constrange, porque eu nunca fui vice-governador, ou secretário de Estado, e aí por diante. Eu sempre fui parlamentar. Então, eu nunca tive responsabilidade nenhuma com a gestão pública, eu tive responsabilidade só com meus mandatos".
Sobre como ficam as lideranças, no caso os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, ambos do PSDB, diante dessa situação, João Campos concluiu: "Certamente, eles vão explicar isso para o povo e o povo fará o julgamento no momento adequado".
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