Publicado em 04 Novembro 2019
O sonho de ver a BR-153 duplicada, uma das maiores expectativas da população da Região Norte de Goiás e Sul do Tocantins, finalmente sairá do papel. Foi o que garantiu o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, durante Audiência Pública realizada na cidade de Porangatu na sexta-feira (1º).
Os trabalhos realizados no Thattersal do Sindicato Rural foram conduzidos pelo deputado federal José Nelto. O evento contou com a presença dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado; e Mauro Carlesse, do Tocantins.
O ministro Tarcísio afirmou que a concessão irá acontecer nos 850 quilômetros que compreendem o trecho entre os municípios de Anápolis e Aliança do Tocantins, empreendimento que deverá ser iniciado no máximo até o segundo semestre de 2020, e que prevê investimento na ordem de aproximadamente R$ 13 bilhões, R$ 7,5 bilhões na duplicação, na alteração de capacidade, na implantação de terceiras faixas, construção de passarelas, e mais R$ 5,5 bilhões no sistema operacional.
A reestruturação prevê a existência de pátio de descanso para caminhoneiros, socorro mecânico e atendimento médico de emergência, serviço de resgate. Tais serviços, de acordo com a estimativa do Governo Federal, deverão gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em arrecadação para os municípios.
"Este projeto vai sair do papel porque tem uma equipe que tem paixão por entregar e por fazer as coisas certas. Estruturamos o estudo, fizemos audiências públicas, ouvimos os prefeitos, a sociedade e colocamos melhorias no modelo. Quem fez o projeto foi a empresa de Planejamento e Logística juntamente com o Banco Mundial. Já se errou uma vez e não temos o direito de errar novamente. Nós vamos entregar um contrato que realmente funcione", garantiu o ministro.
Ainda de acordo com o ministro Tarcísio, dos 850 quilômetros, 670 serão duplicados e o restante será adequado e posteriormente duplicado caso aconteça aumento de tráfego significativo. A primeira etapa será destinada à recuperação do pavimento da rodovia que está ruim, a sinalização e proporcionar segurança. A concessão terá um prazo de 30 anos e envolve a exploração de infraestrutura e prestação de serviço público de recuperação, conservação, manutenção, ampliação de melhorias e ampliação de capacidade. Serão impactados diretamente 38 municípios nos dois estados.
"E pela primeira vez nós iremos trabalhar com tarifas diferenciadas, haverá tarifa para pista simples e tarifa para pista dupla. Desta forma o usuário só irá pagar a tarifa da duplicação quando o equipamento estiver duplicado", explicou o ministro Tarcísio.
O governador Ronaldo Caiado ressaltou que a concessão da obra de duplicação da BR-153 é um sonho tanto para Goiás quanto para o Estado vizinho. "O exemplo disto foi a participação massiva da população nesta solenidade. É a duplicação de uma rodovia fundamental para Goiás. Ela é um eixo, ela é exatamente a coluna vertebral do Estado", ressaltou Ronaldo Caiado.
A BR-153, conhecida em razão dos violentos acidentes e tragédias de trânsito com a Rodovia da Morte, foi inaugurada na década de 60, há praticamente 60 anos. Ela é a principal via de transporte de carga e pessoas da região Médio-Norte do Brasil, ligando os estados do Tocantins, Maranhão, Pará e Amapá, com a região geoeconômica Centro-Sul do País e deixou de comportar o alto fluxo de carros e cargas pesadas há muito tempo, provocando alto perigo, devido ao péssimo estado de conservação e seu traçado sinuoso, gerando um elevado índice de acidentes. Cenário que certamente será modificado com a realização da concessão da rodovia.
Antecedendo ao discurso do ministro Tarcísio, o prefeito de Porangatu Pedro Fernandes apresentou um balanço preocupante elaborado pela Confederação Nacional de Transporte que alertou ainda mais as autoridades ao problema. No relato, Fernandes destacou que 2.176 acidentes com vítimas foram registrados somente em 2018, o que corresponde a cerca de seis acidentes com vítima por dia. O mesmo levantamento apontou 250 mortes por acidente de trânsito na BR-153 no mesmo ano. Isso significa quase uma vida ceifada por dia.
"Esses dados fazem com que a BR-153 se torne uma das rodovias mais violentas do nosso País. Nossa necessidade é urgente. Precisamos da duplicação já. Esta rodovia foi construída há mais de 50 anos, já não atende mais a atual demanda. O mundo evoluiu, a tecnologia trouxe novas possibilidades de negócio, crescem as importações, nas mesmas proporções, elevam-se as exportações. Existem mais caminhões levando ou trazendo cargas de diferentes lugares do nosso país", ressaltou o prefeito Pedro Fernandes.
Quem também fez um discurso inflamado em defesa da duplicação foi o ex-prefeito Eronildo Valadares quando alertou que a audiência só se justificaria se dela confirmasse uma única decisão: a duplicação da BR. "Chega de mortes, de perdas humanas, de prejuízo, enfim, não há mais o que esperar e confiamos no presidente Bolsonaro para realizar essa obra, que será um marco no desenvolvimento do Norte de Goiás", discursou Valadares.
Também participaram da Audiência Pública: o senador Luiz Carlos do Carmo; os deputados federais Glaustin da Fokus e José Mário Schreiner; os deputados estaduais Paulo Trabalho, Cairo Salim, Wagner Neto e o deputado estadual pelo Tocantins Gleydson Nato; a presidente da Ceasa, Vanusa Valadares; o secretário nacional interino de Transportes Terrestres, Marcello Costa; o diretor da EPL -Empresa de Planejamento e Logística, Rafael Benine; o presidente do Sindicato Rural de Porangatu, Carlos Garcia; o presidente da ACIAP, Fernando Pessoa; vereadores de Porangatu e prefeitos da região Norte do estado e do Tocantins, entre eles Fernando Carneiro (Niquelândia), Zilmar Filho (Minaçu), Edson Palmeiras (Santa Tereza), Cristina Beatriz (Bonópolis), Davi José (Novo Planalto) e Cirinha da Farmácia (Montividiu do Norte).
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