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PADRÉ CRÉSIO RODRIGUES DA SILVA

Bê a Bá para prefeitos


Publicado em 29 Setembro 2012

Padre Crésio Rodrigues da Silva, de Roma-Itália.

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 “O povo se alegra, quando um justo governa", diz a Bíblia (Pv. 29,2). Eu tenho a impressão de que algumas pessoas se candidatam a cargos públicos levadas pela vaidade, pela ânsia de poder, pelos benefícios e mordomias pessoais de que poderão desfrutar, sem preocupação com o que é justo. Muitos se esquecem de ler a cartilha que define tais funções, quer dizer, alguns não estão à altura daquilo que almejam. Isto é perigoso pra cidade e o risco dura ao menos quatro anos. Ofereço umas sugestões básicas para quem vai governar um município na próxima legislatura.

É bom lembrar que Prefeitura NÃO é propriedade de nenhum prefeito nem sua hospedaria, é lugar de trabalho; mais que um escritório, é sua máquina funcional da qual depende em tudo para um bom governo. Ela é composta por seres humanos que precisam ser bem tratados, melhor preparados, orientados e exigidos; é composta por inúmeros e variados equipamento destinados a fins específicos, resolver problemas do município e dar suporte às empresas (indústria, agropecuária e comercio) para suprir as necessidades da população e gerar o desenvolvimento deste povo. Ser prefeito é ter a oportunidade e responsabilidade de prestar um serviço de grandes dimensões. 
A primeira coisa de que um novo administrador deve ocupar-se é do saneamento da casa, a Prefeitura. Isto significa colocar em ordem as finanças, saldando as dívidas com os funcionários e os fornecedores: eles gastaram seu tempo e forças, eles entregaram seus produtos confiando na honestidade de quem governava e eles têm direito de receber, inclusive com a correção monetária. Também é importante buscar solução para problemas legais pendentes junto à justiça do trabalho, junto às instâncias superiores de Governo a fim de não travarem o ingresso de recursos e a aprovação de Projetos que serão encaminhados. Conforme o conceito empresarial de logística, uma cadeia de atuação abastece (provê, planifica) as atividades nos múltiplos departamentos. O “enxugamento” e otimização dos recursos gera eficácia no modo de gestionar; logo é preciso colocar os instrumentos de trabalho em condições de funcionamento.
Depois do “check-up” na máquina administrativa, onde se há de ter o cuidado de colocar os funcionários nas funções certas, balanceando o direito deles e a necessidade de seus serviços, é preciso avaliar os objetivos básicos para os quais existe a “máquina” chamada prefeitura: educação, saúde, infraestrutura urbana e rural, urbanismo, turismo e atração de investimentos; assistência humanitária, criação de empregos, eventos artísticos, esportivos e recreativos, incentivo à produção conforme a vocação de cada município.
Os recursos municipais são muitíssimos, mas não são ilimitados, precisam ser usados de maneira criteriosa, isto é, dando prioridade ao que é mais necessário, seja a curto ou em médio prazo. NÃO podem ser gastos de modo arbitrário, é preciso usar o bom senso de um pai de família (ser sábio) e ainda não basta, já que existem normas a serem seguidas para garantir um mínimo de justiça e de honestidade do governante. Na prática de alguns municípios a punição dos desonestos é bastante hipotética... mas a lei existe, é bom acreditar! Cada centavo é sagrado, já que a ética exige sermos mais rigorosos em cuidar do dinheiro dos outros.
Todas as áreas em que deve atuar uma administração municipal são importantes, dentro de seus limites. Em ordem crescente, podemos considerar três classes de objetivos, que devem ser avaliados como ações: úteis; necessárias; imprescindíveis. Junto a estes níveis de objetivos convém adotar duas metodologias simples que darão bons resultados: a) traçar algum plano que contemple os 3 graus de benefícios para os cidadãos, de acordo com a disponibilidade dos recursos evitando o imediatismo; b) embora a decisão final seja do prefeito, a avaliação das prioridades deve merecer a opinião da equipe central da administração, pois os secretários enfrentam mais de perto as situações problemáticas de suas pastas e podem ajudar muito para que os benefícios não sejam desperdiçados ou mal gastos. Evidentemente, estamos supondo que a nomeação dos auxiliares não recaia sobre pessoas incompetentes, corruptas nem nepotistas: os secretários darão muitos frutos para a coletividade se decidirem e atuarem de forma mais técnica; priorizar a pessoa humana não é o mesmo que priorizar “uma panelinha de amigos”.
Como se pode notar, se na cadeira principal se senta um indivíduo mal intencionado, egoísta, vaidoso, materialista, imoral (em vários pontos da própria vida: como infiel aos seus compromissos, preguiçoso etc.), a escolha do secretariado poderá ter a mesma tendência. Então, o líder da cidade não pode ser dado aos vícios e maus costumes. E, se é alguém que não recebeu algumas lições do mundo do trabalho, pensará em abastecer-se desonestamente a si e aos apadrinhados a fim de garantir sua “sombra e água fresca” enquanto viver. Quem paga isto são os trabalhadores honestos, a muitos dos quais são negados auxílios. É importantíssima a escolha deste primeiro escalão. Que sejam pessoas de bom currículo acadêmico, moral e profissional; que sejam pessoas empenhadas naquilo que assumem e dinâmicas na maneira de atuar, com os pés no presente e a vista no futuro; que seja gente com capacidade de coordenação de projetos e de sua equipe; sejam secretários accessíveis aos cidadãos, atenciosos e não ludibriadores.
Enfim, prefeito e secretários devem conhecer bem os problemas da cidade, tomar ciência das fontes de recursos, buscar projetos inovadores de progresso, ter amor ao município e capacidade de entregar-se como especiais funcionários do povo. Seguramente, a coletividade não vai atrasar os salários de que eles têm direito, aliás, os munícipes pagam bem: além do dinheiro, sabem reconhecer e aplaudir quando o prefeito e Cia agem como servidores ou quando eles se acham e agem como proprietários dos bens públicos. Ao votar no dia 07 de outubro, o povo expressará outra vez sua esperança de que à frente de seu município esteja uma pessoa justa governando durante os próximos quatro anos.
 
 

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