Publicado em 11 Julho 2016
João Carvalho
Um grupo de cerca de 100 pessas viajou 500 quilômetros de Minaçu até Goiânia na quarta-feira (6) para, mais uma vez, tentar resolver o impasse que envolve a Tractebel Energia e famílias impactadas com a construção da Usina de Cana Brava, no distante ano de 2.000. Dessa vez eles buscaram apoio na sede da superintendência do Ibama no Estado, local onde se reuniram com técnicos do órgão federal.
Desde o ano de 2.000 eles buscam o reconhecimento dos seus direitos com a Tractebel, que já indenizou três grupos. O grupo que veio a Goiânia é formado por quilombolas, garimpeiros, posseiros, trabalhadores e famílias que moravam na região onde houve a inundação para abastecer a hidrelétrica de Cana Brava.
Segundo um dos líderes do movimento, que rompeu com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) com atuação no Estado, João Divino Dantas eles esperam uma decisão da Tractebel para, pelo menos, fazer um novo levantamento sobre a situação de cada uma dessas pessoas que se colocam na condição de impactados.
Francisca Alves, mais conhecida como Chica Garimpeira, falou sobre a situação de várias pessoas no grupo, mostrando que cada um tem condições de provar que também foi impacatado com a construção da usina, mas até hoje não teve os seus direitos reconhecidos. Dita Carvalho Godinho e Paulo Euzébio completam a lista dos líderes do movimento, que atinge moradores de Minaçu e de Cavalcante. Segundo eles, esse grupo remanescente é formado por mais ou menos 500 pessoas.
Durante reunião com técnicos do Ibama foi esclarecido que o órgão federal não tem muito o que fazer para resolver a situação, uma vez que a solução depende da boa vontade da Tractebel. “Caso ela entenda que não tem mais obrigação de indenizar essas famílias, o caminho será buscar a Justiça”, disse Luciana Teixeira, coordenadora de licenciamento do Ibama, cujo superintendente Edilson Carvalho não estava no órgão naquele dia.
Ficou decidido que uma nova reunião será marcada nos próximo dias envolvendo Edilson e a procuradora da República que atua em Anápolis, mais um representante da Tractebel para ver qual solução seria possível para resolver esse impasse, considerando que a maioria das pessoas desse grupo denuncia descaso com a situação em que eles vivem na região.
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