Editorial
A saída com o álcool
Publicado em 01 Julho 2007
A utilização do etanol como alternativa aos combustíveis tradicionalmente usados para mover carros de passeio, caminhões e ônibus, inovação tecnológica criada e aperfeiçoada no Brasil, ultrapassou nossas fronteiras e hoje desperta o interesse de mais de 50 países. Na verdade, a expansão das pesquisas sobre a produção do álcool combustível e a implantação de lavouras de cana ou milho, nos países interessados, são passos vitais para a criação de um mercado global e a lógica transformação do etanol em commodity, ou seja, mercadoria que passa a ser comercializada de acordo com as cotações do mercado internacional.
Essa é uma idéia que agrada, sobremaneira, a corporação dos produtores de álcool no Brasil, tendo em vista não só a experiência adquirida em três décadas, mas a expectativa de tornar o País um grande fornecedor do citado mercado. Todavia, a próxima e importante etapa a cumprir é a criação efetiva do mercado global de etanol.
O presidente George W. Bush está entre os dirigentes mundiais que vêem no etanol o substituto ideal para os combustíveis derivados de petróleo, cujas reservas mundiais indicam preocupante nível de esgotamento. A rigor, nos últimos trinta anos somente o álcool combustível foi apresentado ao mundo como fonte renovável de energia e, acima de tudo, como a alternativa mais rentável ao consumo de gasolina, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável.
É provável que essa tenha sido a razão que levou o presidente Lula a se referir aos usineiros como “heróis”, muito embora sua apreciação tenha suscitado, na ocasião, severas críticas alimentadas pelos constantes escândalos de desvios de recursos públicos com a participação de empresários de vários setores, inclusive o sucroalcooleiro.
Com essa escalada da produção da cana de açúcar no Brasil, a Região Norte de Goiás entra em definitivo nessa corrida pela produção de álcool. Será o primeiro passo rumo ao processo de industrialização da região, uma das mais esquecidas do Estado e que sente a falta de grandes empresas geradoras de empregos e de renda. O Norte hoje é importante na criação de gado, mas trata-se de uma atividade que não oxigena a economia da mesma forma que a usina de álcool. A expectativa agora é de que o Norte não fique, mais uma vez, a ver navios com o desenvolvimento do Estado.