Publicado em 03 Setembro 2017
Juvenal Junior
Erguida pelos escravos na primeira metade do século XVIII, o antigo arraial de Papuã, hoje Pilar de Goiás celebra no próximo mês 276 anos de história. Erguida sob um terreno de topografia acidentada entre morros, a cidade preserva um grande acervo da época imperial, com casarões, casa da intendência, igrejas e o encantador chafariz, com sua queda contínua e ininterrupta de um rego de água cristalina, que brota numa serra a cerca de um quilômetro, além dos magníficos sinos, com seus quase mil quilos. Os sinos tem ainda uma arroba de ouro para dar a liga ao ferro. No auge da exploração do ouro, a cidade chegou a ter mais de quatro mil escravos trabalhando nas lavras de ouro, o que chamou a atenção da Coroa para o antigo arraial.
Nos relatos e escritos da época, Pilar de Goiás nasceu em 1736, quando escravos foragidos de Crixás encontraram abrigo ali. Não demorou muito para descobrirem uma grande fonte de ouro. Na incumbência de recuperar os escravos, o bandeirante João de Godoy Pinto Silveira adentrou mata e desbravou o cerrado à procura dos escravos. Ao encontrá-los, eles já haviam explorado grande quantidade de ouro e, em troca da liberdade, ofereceram o metal precioso. Nos relatos, foi neste momento que se iniciou o povoado ou Quilombo de Papuã, que significa capim marmelada.
Após a descoberta de ouro no povoado, centenas de pessoas passaram a explorar o local. Contudo, a região não tinha água em abundância para extrair o minério. Foi somente após a promessa de um garimpeiro à Nossa Senhora do Pilar, de que se brotasse água naquela região, ele daria um sino de ouro para a igreja, que seria construída na vila. Não demorou muito e a água brotou e ao cumprir a promessa, o povoado passou a ser chamado de Pilar de Goiás, mostrando que a santa ajuda àqueles que recorrem a ela.
Com abundância do ouro, o pequeno arraial logo se tornou o maior produtor aurífero da província, o que despertou o interesse do Império. Há relatos de que o povoado produziu em uma década a mesma quantidade de ouro que toda a província de Goiás produziu em um século. Foi nessa época que membros da família real se alojaram por seis meses na cidade e para isso foi construída a Casa da Princesa ou Casa dos Dutra. Nos estudos e documentos da época, mostram que viveu ali a Princesa Isabel (Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon). O casarão é considerado a construção mais luxuosa do ciclo do ouro em Goiás. Seu interior impressiona pelas pinturas de portas e tetos em gamela. Para muitos é a mais importante obra arquitetônica não religiosa do barroco do século XVIII em Goiás.
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