Publicado em 18 Janeiro 2011
Estava eu por aqui nesta capital abençoada e de todos nós goianos de nascimento ou por adoção, tratando de assuntos diversos, quando recebi um telefonema de um amigo que há tempos não via, aliás, para dizer a verdade, sempre que nos encontramos surge uma boa história.
Naquele papo quase sempre muito curto ao telefone, causado pelas custas que nos impõe os freios inibitórios do uso da tecnologia, porém o suficiente para que ele me convidasse a prestigiá-lo em uma corrida atrás de uma bola. Fiquei ali olhando o seu esforço. Nada muito animador o seu desempenho, mas como nem eu e nem ele somos profissionais deste esporte, resolvemos seguir na direção do bar, local onde nossas habilidades são mais refinadas.
Entre um gole e outro, e mais outro, ele então me sugeriu escrever alguma coisa sobre a região do "Vale do Araguaia", achei aquilo bem interessante e comecei a pensar sobre o assunto. Sabe que escrever para alguém que já gosta, é igual coceira em cachorro pulguento, quanto mais à coceira aperta mais aumenta a vontade de coçar. Então foi assim que surgiu este artigo.
O Vale do Araguaia, ou Noroeste de Goiás, é uma região dotada de vários pré-requisitos que a torna importante naquilo que representa de bom no incremento do potencial econômico para o desenvolvimento de Goiás. Aqui a água é farta, solo fértil, e a capacidade de produção não deixa a desejar a nenhuma outra parte do Estado. Por algumas vezes pensei em migrar para outra região de Goiás, mas sempre me vinha à mente: onde vou encontrar um Rio tão bonito como esse Araguaia! Depois de tanto me debater em pensamentos, decidi ficar por aqui mesmo.
A quantidade e a qualidade do rebanho bovino por aqui, são de causar inveja a outras localidades, a qualidade das terras também surpreende, mas o que mais chama atenção é a capacidade de sua gente ao receber as pessoas. Terra de gente hospitaleira, honesta e trabalhadora, que cultiva em sua essência a cordialidade e a bravura para o enfrentamento de novos desafios. Pautada no bem servir, no ajudar, colaborar e na solidariedade.
Terras desbravadas por bandeirantes, escravos e povoadas por divergentes segmentos, formação essa que nos remete a face mais expressiva da pluralidade cultural deste País.
Destas terras, germinam não somente alimentos para o corpo, mas principalmente para a alma, ofertados por nossos artistas famosos, como "Cora Coralina e Marcelo Barra" ou anônimos, como "José Piabanha", homem experiente conhecedor da vida nas matas e nos igarapés como poucos, e que ainda se gabava de ter o corpo fechado contra balas. Se isso é verdade ou não, nem o tempo dirá; afinal esse mesmo tempo que é impiedoso com todos nós, já tratou de levá-lo de volta ao pó assim como professam as sagradas escrituras.
Penso que houve muita demora por parte das lideranças deste Estado, em dar o reconhecimento devido, e importância econômica e política que essa região merece no contexto estadual. E o reflexo desta demora, pode ser vista nas disparidades causadas entre as regiões mais desenvolvidas e o nosso querido Vale do Araguaia.
Não que isso nos amedronte, pelo contrário, isso nos motiva cada dia a avançar mais, e num curto espaço de tempo, tudo isso possa nos aproximar dos melhores e nos colocar com clareza como opção real para o desenvolvimento deste Estado.
Queremos ser reconhecidos também por nossa capacidade de construirmos um desenvolvimento sustentável, com nosso rebanho bovino, nossa agricultura, nosso turismo, nossas praias, nossas matas, nossos peixes, nossa cultura e por nossa capacidade ímpar de superarmos desafios.
Quero, ao final, reafirmar todos os compromissos já estabelecidos, somos o potencial em potencial, com nossa cara e nosso jeito, com nossas virtudes e defeitos, porém reservo-me no direito de manter preservados os nossos costumes e tradições. Deixamos as portas abertas para todos aqueles que querem desenvolvimento e preservação, modernidade e tradicionalismo, ousadia e prudência e que saibam entender que o vale só valerá se o fizermos valer.
Luemir Santana é colaborador do Diário do Norte
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