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Questão de oportunidade!


Publicado em 16 Março 2008

Luemir Santana - luemirsantana@hotmail.com

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O homem vai se construindo ao longo de sua existência, mas, mesmo sabendo disto, muitos se consideram velhos na busca do conhecimento, posição totalmente adversa diante da dinâmica imposta pelo mundo contemporâneo. Não é difícil encontrar nos dias atuais senhores e senhoras já há muito tempo fora das salas de aulas, hoje disputando espaços com jovens que teoricamente poderiam ser seus filhos e netos. Seria esta uma tendência no mundo ou somente no Brasil? Segundo alguns professores que estudam sobre o comportamento humano, seria, sim, essa, uma tendência nos países emergentes, como: Brasil, China, África do Sul e Índia. Ainda segundo esses estudiosos, isto pode se tornar uma busca natural nos países pobres também. A grande preocupação sobre o assunto é a capacitação do educador, não que ele não seja capaz de assimilar essa tendência nas escolas em todos os níveis, mas isso é novo para ele também, esse educador por não ter tido aperfeiçoamento adequado, pode estar encontrando alguma dificuldade no trato com esse novo educando, pois de forma inesperada passou a conviver agora com uma situação totalmente diferente e complexa, vendo freqüentar a mesma sala: aquele educando já com pouca paciência e aquele com toda energia do mundo, e isso lhe tem assustado um pouco. É preciso, a partir deste entendimento, encontrar mecanismos pacificadores dessas duas vertentes que estão nas salas de aula hoje. Nos governos, precisa existir alguém que enxergue isso, como uma corrente crescente e emergente. A imposição que o mercado de trabalho faz por qualificação, coloca esse senhor e essa senhora literalmente na berlinda, ou busca o conhecimento ou seguramente estará fora do perfil que as empresas exigem. Talvez seja ousadia de minha parte, classificar essa onda como inclusão, mas se não for inclusão estará bem próximo disso. Sei que vários educadores irão questionar meu ponto de vista, mas é assim mesmo que gostaria que esse tema fosse encarado. Não se pode tratar de forma igualitária uma pessoa de idade um pouco mais avançada ao chegar à sala de uma universidade, com um jovem ao entrar nessa mesma universidade na idade ideal. O educando mais velho já chega à sala de aula cansado de seu dia de trabalho, enquanto o mais jovem chega totalmente despreocupado. O educador ao fazer sua avaliação pessoal do desempenho de cada aluno, deve apreciar suas diferenças, não exigindo daqueles que trazem do cotidiano o cansaço e o stress acumulado, os mesmos conceitos àqueles que se dispensa aos jovens. O Brasil dos excluídos, da violência e corrupção generalizadas, precisa reconhecer distorções pontuais as quais nos envergonham, e nos mantém no mundo não desenvolvido. Mais do que episódicas preocupações ou campanhas oportunas precisa-se exigir de nossa educação, um constante exercício de reflexão, avaliação de conceitos e comportamentos, afinal o mundo mudou, e nós temos a obrigação de seguirmos o curso da transformação. Não desejo, ao final, ser mal interpretado, jamais pensei em dar privilégios, estou sim, buscando discutir com justiça um tema que é urgente e real. A busca pelo conhecimento por àqueles que não tiveram condições de acesso aos estudos em outras épocas, e hoje presentes em salas, seja nas universidades ou mesmo em cursos diversos e agora oportunizados a voltarem às salas de aulas, por necessidades ou opção, transformando-se em atores participantes de uma realidade conquistada por poucos.

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