Protesto contra a Folha de S. Paulo
Publicado em 06 Julho 2008
O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração de Minerais Não Metálicos de Minaçu, indignado com as matérias sobre o amianto e preocupado com o futuro social e econômico dos trabalhadores do segmento amianto, em especial os mineiros da única mina desse mineral localizada em Minaçu e toda uma comunidade que, direta e indiretamente, dependem dessa atividade, vem esclarecer que essa campanha desenfreada para banir o amianto no Brasil é injusta, de caráter econômico e com interesses individuais sem visão coletiva e nem um pouco preocupada com os trabalhadores, os principais afetados. O mineral amianto não é o 1º na lista de produtos perigosos, pelo contrário ele é o 130º, porque proibir apenas o amianto? Como estão trabalhando nossos companheiros em outras frentes de trabalhos sabidamente dezenas de vezes mais perigosas que o amianto, sem regulamentação, sem controle dos trabalhadores, sem conhecimento dos malefícios que estes produtos causam ao ser humano, sem participação do próprio governo através dos órgãos competentes.
Porque proibir uma atividade que explora um mineral natural, brasileiro, cientificamente conhecido? Fomos os únicos capazes de organizar de fato o nosso local de trabalho de forma legal e tripartite, os representantes dos trabalhadores eleitos e com estabilidade no emprego, interagindo no processo de controle e melhorias, fiscalizando, sugerindo e até com poderes de parar a planta caso seja detectado descumprimento da legislação ou do acordado, e o próprio Ministério Público do Trabalho, 18ª Região, sabe disso, mas desvirtuou a verdade em declaração à Folha de São Paulo dizendo que teia de aranha é fibra de amianto.
Esse não é o Ministério Público que queremos. Hoje temos plena convicção que é possível, sim, trabalhar com amianto de forma segura, temos condições seguras de trabalho e, sem nenhuma modéstia, somos referência em organização do local de trabalho não só no Brasil mas também no mundo. Não somos irresponsáveis, colocando nossas famílias e nossos companheiros expostos a uma atividade que fosse tão prejudicial, temos plena consciência de nossas declarações. Portanto, jamais concordamos com a proibição do amianto no Brasil nem no resto do mundo, desde que seja trabalhado de forma controlada e responsável, como deveria ser em qualquer atividade.
A reportagem da Folha de São Paulo relata ainda que nossos acordos tripartites são imorais, indignos e estaríamos praticando ações anti-sindicais. Agora perguntamos: firmar um acordo coletivo de trabalho com a empresa, devidamente homologado pela Delegacia Regional do Trabalho, garantindo direitos além do previsto em lei, sem ônus para o trabalhador, é considerado prática anti-sindical?
Assinar acordo coletivo de trabalho garantindo que a empresa pague curso superior e técnico a seus funcionários, as mensalidades escolares, incluindo materiais como apostilas para dependentes em escola particular e de boa qualidade, é prática anti-sindical?
Plano de saúde e dentários para todos os trabalhadores e dependentes; passagem e hospedagem com direito a acompanhante quando o tratamento for realizado em Goiânia a 550 km de Minaçu; cesta básica em forma de cartão Visa; subsídio de farmácia de até 80% do valor da compra com receita médica; estabilidade no retorno das férias; refeição gratuita para os trabalhadores, tudo isso sem nenhum custo para o trabalhador, isso é prática anti-sindical?
Sandálias para tomar banho, sabonete, toalha e uniforme lavado; garantia de acordo coletivo tripartite -- sindicato, empresa e Ministério do Trabalho --, melhores condições de trabalho, com uma comissão de trabalhadores eleitos pelos próprios trabalhadores, com estabilidade de emprego, disponibilidade de quatro horas semanais para fiscalizar o cumprimente do acordo e da legislação; treinamento anual para todos os membros e as despesas custeada pela empresa. Então, garantir todos esses direitos e benefícios, sem custo aos trabalhadores, zelar pelo local de trabalho, dar poderes ao trabalhador é ação anti-sindical? Na visão dos senhores iluminados do saber, o que seria de fato uma ação sindicalmente correta?
Lembrando que o sindicato não recebe verbas, como divulgado pela Folha de São Paulo, o sindicato reivindica benefícios e a empresa custeia esses benefícios, conforme consta em todos nossos acordos, homologados pelo Ministério do Trabalho. Nossas contas estão à disposição dos órgãos competentes para as devidas averiguações;
E ainda, não são sete sindicatos, como foi mencionado pela Folha, somos na verdade, quinze Federações que aglutinam dezenas de sindicatos cada. Uma Confederação composta de milhares sindicatos. Duas das maiores Centrais Sindicais CGTB e a Nova Central integram mais de cinco mil sindicatos, além de mais de 100 países, todos apoiando e defendendo nossa atividade de forma consciente, organizada e transparente.
Diante da possibilidade de um possível banimento do amianto no Brasil, com o que jamais concordaremos, nós trabalhadores reivindicamos total garantia cientificamente comprovada que o produto sintético que estão propondo substituir o amianto seja realmente seguro e não prejudique a nossa saúde daqui a alguns poucos anos; garantir outra atividade em Minaçu, com os mesmos padrões que dispomos hoje, para substituir a renda e os 3.500 postos de trabalhos que serão eliminados com a proibição do amianto; considerando que o amianto "é tão prejudicial" por um grupo que defende seu uso a ponto de ser banido, garantir aposentadoria para todos trabalhadores independentemente do tempo de exposição, uma vez que esses trabalhadores dificilmente conseguirão trabalho em outras empresas.
Por fim, os trabalhadores do segmento amianto são auto-suficientes para saberem o que querem. Estamos convictos de nossa segurança, não precisamos de abelhudos sem nenhum conhecimento de causa, com interesses escusos interferindo em nossa atividade, caso em algum momento venhamos precisar de ajuda sabemos exatamente onde recorrermos, para isso existem os órgãos competentes para tal e as entidades de classe que, de fato e de direito, nos representam. Se quiserem conhecer nossos ambientes de trabalho, nossas portas estão abertas a quem quer que seja. Venham, vejam, mas falem a verdade sobre o que realmente viram, sejam honestos, verdadeiros, íntegros e sem especulações mesquinhas.
Fica aqui o nosso repudio a esses veículos de comunicação, em especial a Folha de São Paulo, que distorcem os fatos e não têm compromisso com a verdade nem com o social, causando prejuízos irreparáveis aos trabalhadores.
Adelman Araújo Filho é presidente do Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Extração de Minerais
Não Metálicos de Minaçu