Publicado em 25 Maio 2013
P.S.: João Ramos é o autor desse texto e filho de Dona Hilda
Muito se fala da saúde pública, mas poucos apresentam atitudes concretas para resolver o problema do caos que está instalado em toda a rede pública de saúde. Tenho uma história para contar sobre uma idosa que precisou usar seu "plano de saúde", plano esse que é o mais caro que já se ouviu falar, o tão famoso SUS e que, pela primeira vez, foi atendida bem, como deve ser toda população que depende dos ‘Cais da vida’, não digo só em Goiás, e sim no Brasil.
Em pleno segundo domingo de maio, quando se comemora o Dia das Mães, mas pensando bem, qual dia não é? Para muitas famílias esse foi um dia de comemoração e festa, para outras nem tanto, bateu o desespero. Seria um domingo especial para comemorar se não fosse um problema grave de saúde com a matriarca da família. Com dor no peito, falta de ar, pneumonia, enfisema pulmonar e pressão alta, dona Hilda, de 72 anos, que é mãe de sete filhos, sendo um deles deficiente.
Com esse quadro de saúde, ela, por volta das 15 horas, deu entrada no Cais do Garavelo, em Aparecida de Goiânia. A expectativa era de uma internação complicada e demorada, já que estava usando o tal famoso SUS. Familiares preocupados com o estado de saúde da idosa e com as notícias divulgadas em jornais e telejornais de que não havia vagas em UTIs em nenhum hospital que atendesse pelo SUS. A idosa precisando urgente de um balão de oxigênio, e nada de uma vaga de UTI. Tudo isso para uma pessoa que trabalhou a vida toda e sempre pagou seus impostos em dia, é muito humilhante ter que mendigar uma vaga em um leito hospitalar da rede pública.
"Sempre que precisa de um médico na rede pública é esse caos, nunca temos um atendimento de emergência de fato, agora minha mãe fica esperando esse tempo todo por um leito de UTI? Não dá, ela sempre pagou os impostos e hoje, que é aposentada, não consegue ter atendimento que se preze. Acredito que uma pessoa idosa que trabalhou a vida inteira deveria ser tratada como uma rainha, já que contribuiu e ainda contribui com o crescimento do nosso Estado," desabafa Gláucia Ramos, filha de dona Hilda.
Horas de espera. Mas veio o alívio. Uma vaga no Hospital Cidade Jardim, em Goiânia, muito longe da residência, mas próximo de salvar sua vida. Corre, corre e Gláucia chega ao hospital com a mãe. O estado de saúde era tão grave que ela foi direto para a UTI sem nem mesmo conseguir se despedir da filha que estava desesperada vendo a mãe ´procurando ar´ de onde não tinha.
Muito bem tratada no Hospital Cidade Jardim, a idosa teve uma recuperação devagar, mas como estava em boas mãos, não tinha mais com o que se preocupar. A recuperação foi lenta mas sem sinais de agravamento do quadro. A cada dia ela melhorava. Passada uma semana de internação, dona Hilda estava voltando para casa, mais forte e animada.
Mas o tratamento ainda requer muitos cuidados, com medicamentos caros e precisando de oxigênio para ser usado em casa. Outra correria para conseguir na rede pública. Como a família se abraça nesses momentos, um dos filhos foi atrás para conseguir o oxigênio para a mãe na Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia. E para seu espanto conseguiu logo na primeira tentativa.
24 horas! Esse foi o tempo para ser instalado o oxigênio na residência da idosa. E para nós que achamos que a saúde de Aparecida de Goiânia nunca iria funcionar, temos que, pelo menos desta vez, parabenizar pelo atendimento prestado, desde o Cais do Garavelo até a Secretaria de Saúde.
Parabéns, que continue assim. Mesmo a passos de tartaruga vamos caminhando para quem sabe, no futuro, sermos uma nação mais rica e respeitada. Sei que vai demorar muito para termos um País de primeiro mundo, mas é com pequenos passos que faremos uma grande caminhada e iremos construir um Brasil melhor, mais justo e que respeite mais o seus cidadãos, especialmente os idosos, os doentes e necessitados.