Publicado em 16 Março 2013
Anderson Alcântara é escritor e jornalista.
O Peru é o que se pode chamar de um país de vanguarda. O Brasil sente-se orgulhoso com o fato de emprestar a flor da modernidade das nossas urnas eletrônicas aos irmãos paraguaios. No Peru, a evolução do processo político caminha com uma velocidade mais terrível. Os peruanos, no entanto, são humildes e avessos à propaganda. Cultivam a flor do silêncio e do segredo.
Na cidade peruana de 9 de Julho reside o néctar do processo eleitoral. Com menos de mil habitantes, o município é um bastião da democracia. O prefeito Brener Tolentino sabe do que estou falando. Ele foi eleito após um funcionário público atirar uma moeda para cima e dar cara. Pior para seu concorrente, Dionísio Yapanqui, que para homenagear sua senhora, escolheu coroa. Nunca vi nada mais democrático. Na eleição normal, os dois políticos empataram. A moeda de 50 centavos, na sua modesta soberania, ficou com o veredicto. Tenho certeza de que a moeda escolheu o melhor candidato.
Em poucos anos, o Brasil se tornaria uma potência mundial, se utilizasse o futurista método peruano. Todas as eleições, do vereador ao presidente, todas passariam pelo crivo da moeda, de preferência de 1 real. Só para mostrarmos nossa superioridade sobre os irmãos sulamericanos. Diretor de escola, de clube de futebol, até síndico passariam pelo mesmo infalível sistema.
As vantagens da moeda são várias. O País economizaria bilhões de reais com custos de campanhas, caixas-dois, urnas, marqueteiros e outros gastos. Na televisão, não seríamos obrigados a beber do amargo fel do horário eleitoral gratuito. A nossa ração diária de novela estaria garantida. Não haveria a necessidade de comícios e discursos. No caso dos discursos, os políticos guardariam para o dia da posse. A politicagem estaria extinta para sempre. Poderíamos ver candidatos se abraçando, não muito forte, mas com sentida sinceridade. Os governadores e prefeitos se preocupariam mais em governar e prefeitar, sabendo que a moeda seria a única senhora de seus destinos. A língua presidencial manteria sua natural umidade: não haveria a necessidade de destilar veneno nos pronunciamentos.
Não haveria candidatos por demais tortos ou paralíticos frente à ética. O excesso de virtude também não sensibilizaria a moeda. Por ser escassa a necessidade de ofensa, o povo passaria a acreditar nos seus governantes e as crianças cresceriam tendo lições de solidariedade.
Mais importante que tudo isso, nos desobrigaria a votar. Isso tiraria o injusto peso da nossa consciência. Está provado que nós, brasileiros, não sabemos votar. Estaria resolvido para sempre o nosso problema. A moeda nos indicaria o caminho a seguir e iluminaria o futuro da nossa nação, estado, cidade e prédio. Como estamos falando do Brasil, em caso de improbidade administrativa, a moeda novamente decidiria se o governante deveria ou não sofrer impeachment. Não há como recorrer contra a verdade esculpida na moeda. Cara ou coroa. Apenas desses dois elementos dependeria a nossa sorte.
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