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O mundo precisa de heróis


Publicado em 30 Março 2009

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O mundo precisa de heróis, precisa de homens de honra motivados para o bem comum. Quando se fala em herói, a tendência é pensar em homens de grandes feitos, homens à frente de seu tempo ou de realizações respeitáveis. Com certeza, realmente um herói pode fazer grande benefício à humanidade, seja pela ação propriamente dita, seja pelo exemplo que desperta nos seus pares. Com certeza, já tivemos grandes heróis, que fizeram à diferença na balança da justiça. O nome de cada homem de bem deve ser lembrado, deve ser registrado na história da humanidade. A memória da civilização necessita da lembrança daqueles que fizeram muito pelo seu povo, pelo seu país. O trabalhador anônimo que cumpre com seus deveres cívicos, que se orgulha de seu trabalho honesto, cuida de sua família e ainda acha tempo para trabalho voluntário junto à sociedade merece nosso reconhecimento. Esse trabalhador também é um herói. Talvez anônimo, mas fundamental como exemplo a seguir, para o crescimento da tradição do respeito coletivo. Um trabalho voluntário sério, sem fins lucrativos e sem envolvimento em política partidária, pode realmente mudar a sociedade, mudar nosso bairro, nossa aldeia e até nosso mundo. Este trabalho pode ser individual ou em grupo, através de associações constituídas na forma da Lei. O sentimento do dever coletivo, do bem estar geral pode ser disseminado e estimulado, gerando o sentimento de dever cumprido, do fazendo parte de algo maior. O cidadão pode exercer efetivamente sua cidadania com participação real e diária na sociedade, denunciando eventuais ilícitos, colaborando como voluntário nas questões coletivas, como na defesa do meio ambiente e da probidade administrativa. Já o homem público, como formador de opinião, deve, antes de tudo, cumprir seus deveres funcionais com retidão e probidade, acreditando acima de tudo que sua atitude melhora seu país e honra seus antepassados. Todos têm papel fundamental no destino de seu povo. Cada um deve fazer sua parte, independentemente de qualquer coisa. Devemos muito a heróis do passado, conhecemos muitas pessoas comuns que são verdadeiros heróis do dia a dia. Deixamos aqui nossa verdadeira admiração pelos homens de bem que defenderam a vida dos inocentes e valores como a honra e a liberdade. Mas precisamos conhecer e reconhecer os heróis da atividade comunitária e estimular a disseminação da cultura do respeito ao coletivo e do bem estar geral. Muitos destes estão na atividade jurisdicional, muitos são juízes que, além de compromisso integral com a toga, ainda fazem grande trabalho voluntário, respeitadas as limitações constitucionais e legais. O juiz voluntário é uma realidade e muitas vezes não é conhecido do grande público e talvez nem mesmo entre os operadores do direito. Mas para ele não importa, o importante são os resultados em prol da pacificação social, da justiça e da defesa da sociedade. Nunca é demais frisar que o trabalho voluntário não exclui a prestação jurisdicional, pelo contrário, os dois devem ter como objetivo principal resguardar o interesse público. Exemplos do Estado de Goiás devem ser de conhecimento público, como o estímulo ao trabalho voluntário do movimento da conciliação, encampado pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado, programas de integração do Poder Judiciário com a sociedade, programa de divulgação do Poder Judiciário, entre outros, muitos liderados por juízes interessados e abnegados. Vale lembrar que quando todos os programas não funcionarem, a justiça poderá ser acionada, já que é princípio constitucional o livre acesso à justiça e todo juiz é antes de tudo um juiz constitucional. Você conhece alguém ou alguma entidade que faz trabalho comunitário sem fins lucrativos, sem envolvimento político partidário e com respeito à Constituição Federal e às Leis? Conhece algum juiz voluntário? Se conhecer, talvez esta pessoa ou entidade seja mais um herói. Um herói anônimo. A todos eles, nosso respeito. O mundo precisa de voluntários. O mundo precisa de compromisso da sociedade com o bem estar geral. O mundo precisa de consciência coletiva. O mundo precisa de heróis. Murilo Vieira de Faria é juiz da 2ª Vara Cível, Criminal, Família e de Fazendas Públicas e diretor do Foro da Comarca de Uruaçu

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