Publicado em 21 Janeiro 2019
Jean Vieira: jornalista e expert em redes sociais
Em recente transmissão ao vivo pelo Facebook, de sua casa, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, o presidente da extrema direita Jair Bolsonaro reconheceu que as redes sociais tiveram muito a ver com sua vitória nas eleições de outubro de 2018.
“Se nós perdermos aqui, acabou”, disse. “Se não estivéssemos aqui, pode ter certeza que o jogo estaria sendo jogado entre o PT e o PSDB”, acrescentou, em alusão aos dois partidos que dominaram as disputas nas últimas eleições. Esse fenômeno que afetou as eleições em vários estados mudou o destino de muitos candidatos que, sem a ajuda do “mito”, não teriam chances de conquistar uma vaga em suas respectivas cadeiras.
Em Goiás não foi diferente do que se observou no restante do País. Na disputa ao Senado ocorreu uma briga acirrada e as pesquisas indicavam quatro candidatos com chances reais de vitória, sendo dois com uma distância significativa dos demais. Porém o que aconteceu de fato foi um resultado surpreendente, que as pesquisas não conseguiram identificar e, no final, o terceiro e o quarto colocado cruzaram a linha de chegada à frente do primeiro e do segundo.
O cenário em que dois nomes se mantiveram à frente nas pesquisas ficou estável durante quase toda a campanha na disputa ao Senado. Aliás, as notícias com os resultados dos institutos de pesquisas deixavam em dúvida quem acompanhava o dia a dia dos candidatos.
Era notória à repercussão nos grupos de whatsapp, páginas Facebook e instagram. Na reta final da campanha para o Senado o cenário parecia final de Copa do Mundo: estavam todos atentos com seus palpites sobre os dois principais possíveis campeões.
No entanto, na política a “caixinha de surpresa” foi a vitória do terceiro e quarto colocados nas pesquisas e a surpreendente ascensão do candidato que sempre esteve na quinta posição, mas que, meteoricamente, conquistou quase 800 mil votos, e deixou para traz dois políticos tradicionais e sempre cotados para vencer as eleições.
O fenômeno dessa reviravolta teve a influência direta das redes sociais, com o movimento pró-Bolsonaro nas ruas, fatos relatados a todo momento, com filmagens, fotografias, memes, lives e toda a “parafernália” digital imaginável e existente. O fato é que a comunicação foi eficiente, quebrou toda a formalidade das tradicionais mídias, o que pode ser comprovado pelo tempo da propaganda de TV de Jair Bolsonaro, apenas oito segundos.
O fato que passou quase desapercebido pelos políticos e que fez toda a diferença nessas eleições, foi a liberação pela Justiça Eleitoral, que autorizou pela primeira vez propaganda na internet, que incluiu pagamentos para exibir anúncios eleitorais ou impulsionar publicações. Essa ferramenta apresentou um poder de alcance poderoso e de certa forma invasivo, já que o usuário não tem o poder do bloqueio a essas propagandas.
O conteúdo, quando é impulsionado, é exibido nos perfis de público específico, usuários que não precisam necessariamente ter curtido ou estar seguindo a página do candidato. Ele pode direcionar o público-alvo de acordo com seu interesse, controlando o gênero, idade e região. E ainda pode até mesmo criar público semelhante por meio de uma técnica chamada lookalike, termo usado por especialistas e que, de acordo com profissionais, é possível criar esse público a partir das páginas de seus concorrentes.
A nova regra estabeleceu que apenas candidatos, partidos e coligações poderiam fazer propaganda, fornecendo dados sobre sua identidade eletrônica à Justiça Eleitoral. Foi proibido impulsionar conteúdo eleitoral em perfis falsos e em páginas ligadas a empresas e a entidades da administração pública.
Os presidenciáveis não pouparam dinheiro. Foi investida uma bagatela de quase R$ 2,68 milhões com direcionamento em redes sociais, porém esse número é muito baixo se comparado com outros países considerados de primeiro mundo. A Cambridge Analytica, que faz consultoria em análise de dados e que está no centro do escândalo pelo uso de informações pessoais de 50 milhões de usuários do Facebook, enviou 10 mil anúncios diferentes da campanha do republicano Donald Trump durante os meses que precederam as eleições americanas de 2016. A base de dados também mostra quantas pessoas viram os anúncios.
No caso de Trump, foram US$ 37 milhões de dólares. Apesar de todos os anúncios, não foi só o dinheiro que fez a diferença, mas, sim, a colaboração de várias ondas midiáticas, que fez a notícia circular de forma democrática, independente dos anúncios patrocinados.
Dessa forma a lição deixada pelo “efeito bolsonaro” é que surgiu uma nova forma de fazer comunicação, que exclui os agentes intermediários que filtra as mensagens, agora é uma comunicação direta dos candidatos com seus eleitores.
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