Publicado em 14 Abril 2013
Anderson Alcântara é escritor e jornalista.
Em suas postagens nas redes sociais, a indignação contra os políticos corruptos. Gente que chega a ter nojo dos mensaleiros e outros metralhas do dinheiro público. Em show de rock gozam, quase que literalmente, quando Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, através de berros e palavrões, coloca o dedo na ferida dos Sarneys, Calheiros e Collors da vida.
Pessoas de bem. Que não suportam o câncer da corrupção que assola o país. Pessoas de bem. Que vão à Igreja, que devolvem o dízimo, que dão esmolas e participam de grupos de oração pela paz mundial. Pessoas de bem. Que abraçam árvores para salvar o meio ambiente, que choram ao ver baleias e ornitorrincos sendo maltratados na Somália.
Difícil acreditar que pessoas assim são as que não perderam tempo e, sem crise de consciência ou sentimento de crime ou pecado cristão, se lançaram sobre a carga de micro-ondas tombada na GO-080 e fizeram a festa. Pessoas de todas as classes sociais. Saindo de caminhonetes e carros velhos. Homens e mulheres. Jovens, adultos e pessoas de meia idade. Pais e filhos. Família unida. Patrões e funcionários. Equipe destemida. Todos eufóricos e nada constrangidos. Avançaram sobre os aparelhos como abutres na carniça.
Como se, de repente, todos os conceitos morais tivessem desaparecido, o errado ganhou uma licença para ser exercido sem prejuízo ético para seus autores. O mesmo pai que ensina o filho, com a força do chicote e rubor na face, que roubar é errado, estava lá, buscando no capim um, dois, três micro-ondas. Mesmo já tendo um em casa.
É um conceito capenga. Se o mesmo caminhão tivesse parado às margens da rodovia, nenhum dos ladrões de terça teria coragem nem desejo de levar parte da carga. Certamente não considerariamoralmente correto. Condenaria quem o fizesse. Uma vez tombado, tudo é permitido. É como um sinal dos céus, um presente divino. Nem o olhar tristonho do motorista inspirou qualquer piedade nos ladrões. Nos bons ladrões. Nos honrados cidadãos de bem, arautos da honestidade quando estão em suas comarcas. Mas gatunos da mais baixa estirpe quando estão longe dos olhos conhecidos, quando estão às margens do caminho, se misturando aos vermes e às formas de vida mais rastejantes.
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