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Importar médicos é uma questão de saúde pública, não valorização de classe


Publicado em 31 Agosto 2013

Caio Henrique Brito Rocha

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Não há que se falar em saúde de qualidade, ou até mesmo em saúde básica, em um país dotado de deficiência no sistema público de saúde, o qual é notoriamente precário e insuficiente para atender a demanda de sua população. Certo é que, ainda que tivessemos a mais alta infraestrutura em hospitais públicos, postos e unidades de saúde, ainda assim não seria possível sanar os inúmeros problemas, vez que tal sistema padece de profissionais! Ao ver a classe médica sair as ruas em protesto à proposta do governo para trazer ao Brasil médicos estrangeiros, com o intuito de acabar com o sério déficit de profissionais no país, fiquei a pensar qual era realmente o objetivo dessa manifestação.

Ora, qual o problema em trazer profissionais formados em outros países, em um programa do governo que visa suprir a grave necessidade de um sistema de saúde público precário, dando preferência de participação a profissionais nacionais? Ao sugerir tal proposta, o governo visou atender aos anseios da população carente, e que sofre cada vez mais com a falta de atendimentos em hospitais e postos de saúde. Buscou sanar a clara falta de médicos nas regiões mais pobres do país, ante a falta de interesse de profissionais nacionais, tendo em vista os altos salários que eram oferecidos, os quais ultrapassavam a casa dos 30 mil reais, e ainda assim as vagas não eram ocupadas.

Tal medida é uma questão de saúde pública e, sendo assim, o governo não deve se deixar intimidar por uma classe que teme, acima das necessidades da população mais carente, e perante a uma falta de solidariedade extrema, uma possível desvalorização. Ou melhor, sendo mais claro e objetivo, teme por talvez, com tal programa, não poder mais gozar dos altíssimos salários ofertados, com o mais amplo mercado profissional, e com as mazelas de uma concorrência pífia. Prova disso é a falta de respeito com que muitos profissionais destas áreas tratam seus clientes. E que atire a primeira pedra aquele que nunca foi a um médico e não foi vítima de seus compromissos pessoais, atrasando o atendimento em horas. Não estou falando de exceções, mas sim de uma realidade excessivamente comum. Se tivéssemos uma saúde pública de qualidade, e um mercado com um elevado número de profissionais, a situação poderia ser outra.

Aliás, com certeza seria outra, levando em consideração o princípio básico da competitividade: se esse não quer, e não é competente para fazer, tem quem queira e quem seja! Importar médicos, frente ao cenário que se encontra a saúde de nosso país, é uma necessidade e uma medida extremamente adequada. E quem precisa, é quem sabe! O governo não pode dar ouvidos a quem sempre tem a sua "carteirinha" de plano de saúde no bolso e que nunca precisou utilizar-se do sistema de saúde público. O fato é que os que necessitam apóiam a proposta. Enquanto aqueles que visam o lucro e os benefícios em demasia, tentam desqualificar, dando até mesmo a impressão de termos uma das mais "qualificadas escolas de medicinas", vez que nossos profissionais estão, não sei por qual argumento, se postando como mais qualificados em relação aos estrangeiros. 

Não me parece ser conveniente dizer que médicos estrangeiros não têm qualificação profissional suficiente para atender no Brasil, vez que nossos profissionais são formados em um sistema de educação o qual aparece em penúltimo no ranking internacional, segundo um estudo, divulgado nesse ano, pelo grupo britânico The Economist.

 

Caio Henrique Brito Rocha é estudante de direito pela PUC-GO e estagiário na empresa Murillo Lobo & Advogados Associados S/S

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