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Filhos da senzala


Publicado em 01 Dezembro 2008

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Interessante falar de trabalho escravo nos dias de hoje. Parece uma volta ao passado. Passado esse não muito distante, já que o Brasil foi o ultimo País a decretar a liberdade dos seus escravos (os negros). O problema do trabalho escravo ainda é algo que preocupa em nosso País. Homens que, sem um mínimo de condições financeiras, se vêem obrigados a se sujeitar a esse tipo de trabalho. Esses pais de família saem de estados como o Maranhão e Piauí e vão para o Pará a procura de trabalho. Deixam suas famílias torcendo para que eles voltem pelo menos com vida. Esses são os "escravos do século XXI". Esses homens são contratados por fazendeiros do Pará, que se aproveitam da situação para ganhar com a exploração dessa mão-de-obra quase de graça. São pessoas que trabalham, trabalham e, depois, ao final de um mês todo de trabalho, recebem muito pouco ou quase absolutamente nada. E ainda, além de não receberem nada, terminam o mês devendo aos fazendeiros. Nessas fazendas os chamados peões (trabalhadores escravos) sofrem com o pior tipo de tratamento possível, dormem no chão, bebem da mesma água que o gado e trabalham como loucos. Muitos não sobrevivem e seus corpos são enterrados na fazenda onde estão trabalhando ou até mesmo jogados aos porcos para servir de comida. Os trabalhadores são proibidos de voltarem para casa antes de pagarem a suposta dívida aos fazendeiros. A comida que comem é cobrada, a água que bebem é cobrada, uma rede para dormir é cobrada. Os preços ninguém sabe, e quando procuram saber os preços, são no mínimo ridículos. Um pedaço de rapadura a 30 reais, ou uma rede para dormir a 80 reais. Assim a dívida nunca termina e esses trabalhadores continuaram a sofrer mês a mês com esse golpe. Alguns corajosos peões conseguem fugir das fazendas, outros morrem tentando. E os fazendeiros, onde ficam nessa história? Bom, a fiscalização para acabar com o trabalho escravo é fraca e sofre com a má vontade do poder público. E por isso os fazendeiros não são pegos. Quando são pegos são amparados por "brechas" na lei e no máximo, pagam aos peões o que lhes é de direito. O trabalho escravo é crime previsto em lei e ainda assim é uma prática que chega a ser comum no Brasil. A falta de fiscalização intensiva e a falta de Leis que punam justamente as pessoas que praticam esse tipo de crime são um dos muitos problemas que temos que resolver. O futuro de muitas famílias depende disso e quanto mais rápido formos, menos sofrimento e dor esses "escravos do século XXI" iram ter. Sandy Gonçalves Santana é Estudante de Comunicação Social Jornalismo - UNIRG

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