rui sabóia

Pedro Wilson Guimarães
A Região Norte de Goiás no passado era prensada entre o Centro-Sul e a área que hoje é o atual Estado do Tocantins. A criação do Tocantins foi positiva para todos nós e deu mais visibilidade a Porangatu, Uruaçu, Minaçu, São Miguel, Mutunópolis, Formoso e Trombas (terra que deve comemorar os 50 anos da vitória dos camponeses de José Porfírio, Neném Carneiro, Zé Sobrinho, Doracina, Tibúrcio, Godói Garcia, Jeová, Manoel Porfírio e outros lutadores contra a terra grilada pelos latifundiários, hoje o norte deve agradecer a este movimento camponês que democratizou a posse rural).
Região abandonada, teve forte impacto com a construção da Belém-Brasília, de Bernardo Saião e JK; Brasília, Goiânia e Ceres, colônia agrícola, que estimulou o movimento camponês a ocupar terras devolutas públicas, muitas griladas por jagunços e registros falsos nos cartórios da Santana do Maxabombo. Inventaram até herdeiros de sesmarias em Pirenópolis para tomar as terras de sertanejos e migrantes vindos do Nordeste tocados pelas secas e cercas dos latifúndios da caatinga e agrestes. Tempos idos e vividos. Muitas famílias pioneiras deram tudo pelo progresso regional e o último mártir foi Sebastião Rosa da Paz. Uruaçu da fazenda de Jango Goulart. Região de terras boas, muitos minérios nobres, níquel, ouro, esmeralda, amianto e outros em Niquelândia, Barro Alto, Mara Rosa, Crixás, Minaçú, Campos Verdes e Santa Terezinha. Terras do pequi, de gados, sojas, peixes, cajus, romarias, calor, serras e de muitas águas que vem do Araguaia de areias brancas e de mil belezas até o Tocantins volumoso da Usina da Serra da Mesa de mil possibilidades de turismos e psciculturas. E geração de empregos, rendas, lazer, oportunidades nessas paragens de Karajás e Avá-Canoeiros imemoriais. Terras do cerrado que estão sendo derrubadas, destruídas sem dó e sem piedade desta savana maravilhosa que Deus nos deu. E nós, inconseqüentemente, estamos destruindo em nome de um progresso, no mínimo, duvidoso. Podemos expandir lavouras e criações, canaviais e álcool, melancias e tomates, irrigações e barragens sem destruir os cerrados, sem destruir a natureza milenar herdada por índios, trabalhada por negros quilombolas e por migrantes vindos de todas as partes do Brasil e mesmo do Mundo. Existem progressos que trazem vida, mas existem aqueles que trazem morte, doenças, mudanças nos climas e nas águas do planeta azul de Deus.
Depois vieram explorações de minas, barragens, novas culturas, escolas, empreendimentos, UEG. E os caminhões que substituíram as boiadas indolentes levadas por sertanejos e boiadeiros para charqueadas além Rios Parnaíba e Grande. Saiu o curraleiro e o antigo gir pintado e entrou os nelores, holandês, girolandos e outros mais. Vieram frigoríficos, logísticas, comércios, indústrias, usinas, leite, açafrão, monopólios, cooperativas, assentamentos, luz para todos. O bolsa família e os CEFETs estão chegando e gente e mais gente estão cruzando águas dos Rios das Almas, São Patrício, Ouro, Crixás, Maranhão, Paranã levando e encontrando progressos bons para todos homens e mulheres, principalmente para os jovens que, sem emprego e oportunidades, cruzam idas em sentido contrário para as cidades grandes? E a melhoria e duplicação da BR-153, Ferrovia Norte-Sul chega mesmo ao Tocantins, Maranhão e Porto de Itaqui? E o entroncamento de Rodovias que vêm do Mato Grosso ficam em Uruaçu? E Porangatu da nova estrada de ferro compromissada pelo presidente Lula? O PAC chegará até a Região Norte? Vamos pedir a Nossa Senhora do Muquém para nos ajudar. Os políticos somente vão lá festejar e pedir votos e depois abandonam a região fronteira de Goiás com a Amazônia de mil eldorados.
Será que os municípios, igrejas, movimentos sociais, empresários, comerciantes, escolas, universidades, sindicatos estão unidos ou é cada um pra si porque é tempo de murici? Existem cooperativas, associações e parcerias pelo desenvolvimento rural, urbano, turismo, educação, trabalho, segurança, saúde, Banco do Brasil, UNIFEM, CEF, BASA, Pronaf, BNDES, PAC? Existem iniciativas comunitárias, casas de farinha, artesanatos, capacitações da juventude, segurança, esporte, lazer e comunicação democrática? E a arte, saúde, festivais, poesias, musicais, teatros, pastorais a serviço da vida, do progresso social para todos filhos de Deus? Será possível levar a UFG para Região Norte, qual cidade? Porangatu? Uma linha aérea? Navegações turísticas no Araguaia e no Tocantins/Serra da Mesa? E a integração com o Tocantins? Ninguém é dono da verdade. A luta faz a realidade mudar e mudar para melhor se tivermos olhos apontados nos horizontes das parcerias, solidariedade, articulação, integração, crítica fundada e união pelo progresso de todos. Um outro mundo é possível e desejável nesta região do Norte e do sul destes cerrados que devemos ver, deslumbrar agora e daqui a mil anos. Quem viver verá. E quais são nossas responsabilidades, tarefas para fazer da política a arte do bem comum? Os governantes de cada município do estado goiano e do Brasil estão compromissados com esta terra cortada por mil estradas, terras, águas, faunas, floras, climas, cidades e gente e mais gente boa? Políticos, vereadores, deputados/as, prefeitos/as, partidos, governadores de ontem e de hoje, Presidente Lula? E as igrejas, CUT, cooperativas, faculdades, escolas, trabalhadores, empresários estão fazendo sua parte pelo progresso, pelo desenvolvimento econômico, social sustentado? E o PT, PP, PMDB, PTB, PSDB, PC, PV? O que fazer agora? Ir à luta?
A sorte está lançada. Ninguém educa ninguém, mas todos podemos aprender, ensinar, fazer juntos e participar dos resultados deste mundo melhor hoje do que ontem. Será melhor amanhã se fizermos nossa parte com competência, dedicação, entreajuda, cooperação, respeito e solidariedade porque Deus fez o céu e a terra para todo mundo e não para meia dúzia. 'Ele' veio para que todos tenham vida e vida digna. Vamos à luta com humildade, verdade e responsabilidade política, administrativa e social. E se não pudermos tocar na lua podemos olhá-la cheia e bela; minguante diminuindo nossos egoísmos e vaidades; crescente em esforço comum e sempre nova num mundo de paz e justiça social. E de dia temos, com certeza, muito sol, muita energia, alegria e esperança para todos os homens e mulheres. Oxalá. Axé. Aleluia. Shalon. Shalan.
[b]Pedro Wilson é Deputado Federal
PT/GO, Ex-Prefeito de Goiânia. Professor da UFG e UCG[/b]