Defesa da extensão rural
Publicado em 18 Maio 2008
Josias Luiz Guimarães
Entendo a manifestação altiva da extensão rural como um brado de alerta, em defesa da Família Rural, levado a efeito pelos próprios extensionistas, ao passo que deveria ser, do próprio governo, a iniciativa; pois cabe lhe, fundado na constituição cidadã, de 1988, assistir a família rural, integrando-a , na corrente de progresso do Estado.
Ora, não assisti-la técnica e socialmente, é quase o mesmo que expulsá-la da terra, o que acontecerá, lamentavelmente, se a reforma agrária, em curso, não for acompanhada de um programa audacioso de credito educativo: consubstanciada a assistência técnica e social aos pequenos produtores.A extensão rural encontra-se, há muito, sem meios para uma ação eficaz à altura dos objetivos a que foi instituída, nos idos de 1958. Havia, naquela época, em torno de 20 mil pequenas propriedades no Estado. Hoje são mais de cem mil. Então, nobres leitores, a agência de extensão, no Estado, já deveria estar supercapacitada, muito mais do que no tempo da benemérita Acar-goiás, e, mesmo Emater, ambas extintas, para assistir esse enorme contingente de pequenos produtores. Todavia, o que vemos é o oposto, poucas, muito poucas dessas famílias, bem assistidas. Tudo, devido à falta de apoio logístico. Logo ela, legendária, na transferência de tecnologia ao campo, nos anos dourados, aquele tempo da valorosa política agropastoril, quando a agricultura de subsistência, então, arcaica e improdutiva, foi substituída pela agricultura de mercado, moderna e produtiva, laboriosa; tendo como palco o cerrado, na ocasião, improdutivo, afogava os anseios de progresso das cidades; servia apenas para o gado pastar na seca, após as queimadas.
Com efeito, tão audacioso projeto de reforma, em vez de lubrificá-la, engessa-a, não atende à realidade rural conjuntural. Incentiva o ócio, em vez de estimular o abençoado trabalho agropastoril, responsável pelo substancioso agronegócio. Ao subestimar sua capacidade realizadora, torpedeia o sonho acalentado por milhares de famílias, de prosperidade e bem estar; ao mesmo tempo que abre caminho a sua expulsão do meio rural e venham, amanhã, inchar, ainda mais, os bolsões de pobreza urbana. Esperamos, pois, que a Assembléia Legislativa, soberana; da alta representatividade do povo; em busca do bem maior da comunidade, abrace a sublime política em defesa da extensão.