Publicado em 29 Outubro 2013
Maria Aparecida G. Martins - Mestranda em Ecologia e Produção Sustentável / PUC-GO - Professora de Geografia da Rede Municipal e Estadual de Porangat
Os problemas ambientais gerados pelos resíduos sólidos no Brasil são inúmeros, sabemos disso. E buscando soluções para eles, se realizou um ciclo de conferências de âmbito local e regional (ambas em Porangatu), a nível estadual (Goiânia) e nacional (em Brasília de 24 a 27 de outubro) sobre Resíduos Sólidos com o tema: "Vamos cuidar do Brasil". Estas têm como ações propostas a produção e consumo sustentáveis, redução dos impactos ambientais, geração de emprego e renda e educação ambiental. Uma das questões polêmicas a respeito do tema, que gera maiores discussões na cidade, é a da geração de emprego e renda relacionada aos resíduos e sua coleta.
Aqui em Porangatu, como nas demais cidades, há pessoas que retiram seu sustento da catação do lixo, e outras que além de retirar moram nesses lixões. Há, por parte do Poder Público e da sociedade civil, uma preocupação para melhorar as condições de vida dessas famílias. A retirada delas do lixão da cidade de maneira brusca, sem alternativas de sustento, gerou polêmicas porque as deixa sem seu sustento. Além das que trabalham ali, temos ainda as que coletam os resíduos nas ruas e os armazenam em suas casas, gerando desconforto, poluição do ambiente doméstico e até proliferações de doenças. A dúvida é como continuar a gerar emprego e renda com os resíduos sólidos em Porangatu de maneira sustentável? Os trabalhadores independentes e sem uma liderança específica no município poderiam formar associações cooperativas de catadores de materiais recicláveis? Como seria a profissionalização para o trabalho com os materiais recicláveis? Quem direcionaria os trabalhadores para essa prática? Um órgão público, uma ONG, os próprios catadores ou seus líderes escolhidos entre si? Vemos como ideal para responder estes questionamentos à profissionalização dessas famílias para que possam trabalhar melhor com os resíduos sólidos e destiná-los de forma rentável, diminuindo acúmulo deles na natureza evitando a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas.
As possíveis soluções para o problema, além da cooperativa de catadores, é a educação ambiental voltada à população porangatuense. Seria conscientizá-la para realizar de forma correta o descarte dos resíduos e a realização da coleta seletiva solidária, que também se constitui em uma forma de desenvolvimento sustentável e representa uma alternativa limpa de reaproveitamento de resíduos sólidos na cidade. Cabe ao município desenvolver programas de educação ambiental nos quais os cidadãos se sintam imbuídos para realizar ações que busquem consolidá-los e incluam os catadores como agentes ambientais de grande valia para a cidade.