Publicado em 26 Novembro 2013
João Ramos (diagramador do Diário do Norte e filho de Hilda Pereira Ramos, falecida há cinco meses)
Ter alguém muito especial que possamos lembrar nos momentos bons é ótimo. Só que geralmente, apenas lembramos nos momentos bons, e esquecemos o quanto esta pessoa deve ter batalhado e sofrido muito para que você pudesse ter somente lembranças boas dela. Errou? Claro que errou, mas quem não erra? Aí, vêm uns e outros e dizem: "Para uma pessoa ser feliz outra tem que sofrer". Não concordo. Na vida temos que, pelo o menos, fazer a nossa parte para termos um convívio mais agradável com as pessoas, coisa que não acontece.
Natal está próximo e é tempo de paz, de graça e de alegria, e este ano não vou ter muito o que comemorar. Há cinco meses eu sofro com um aperto no peito, uma saudade infinita. Dia 12 de julho de 2013, dia que meu teto desabou, maior dor que já senti. Perdemos nossa mãe! Quem já perdeu sabe o que estou falando. Dói, dói muito. Abre uma luz negra onde não sabemos onde vai dar. Isolamos do mundo, como se tivesse arrancado um pedaço de dentro da gente. Mas a vida é assim, não podemos escolher quem vai morrer e quem vai viver.
Digo que não vou ter que comemorar apenas pela perda, mas tenho que pensar positivo e ver que além da perda enorme, tenho sim motivo de muita alegria, outra vida está vindo para alegrar nosso mundo. Isso me consola. Me faz rever conceitos sobre a vida.
Sempre que morre alguém muito importante para nós fica a pergunta, por que acontece? Por que mãe tem morrer? Mãe deveria ter vida eterna. Está certo que tem muitas que não podem nem mesmo pensar em gerar um filho. Mas digo que a maioria são iguais, mãe incondicional.
Em alguns casos somos egoístas, com vários problemas de saúde como pneumonia, enfisema pulmonar, pressão arterial descontrolada e com infecção generalizada, ainda queríamos que ela lutasse e que não desistisse de viver. Mas na última visita que fiz na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde esteve internada por uma semana, pude ver que ela não queria mais lutar. Não conseguia mais! Estava sofrendo muito.
Uma imagem que não vai sair da minha cabeça, quando uma rara vez que acordou da sedação me viu conversando com o médico e com uma expressão me olhando querendo saber qual seu real estado de saúde, não acreditou no que eu disse, apenas virou a cabeça para o lado e não abriu mais os olhos. Foi a última vez que vi olhos da minha mãe abertos! Três dias depois e ela se foi!
Morreu prematura com apenas 72 anos, tinha muito para nos ensinar, mas não podemos ir contra a lei da vida.
Perdi a pessoa mais importante, que me deu a vida e ensinou a viver. Hoje sinto muito falta do colo de mãe, das ligações de horas, das opiniões, dos nossos papos no café da manhã, do carinho que ela tinha por mim e minha família, são lembranças que vão ficar para sempre.
Exerceu o papel de mãe e pai desde os meus dois anos de vida, lutou, batalhou e conseguiu criar três filhos menores e um deficiente. Com garra enfrentou com unhas e dentes todos que quiseram entrar em seu caminho, bateu de frente com o preconceito de ser a "separada" da rua, mas não se enfraqueceu, tomou disso sua força para lutar, lutou e venceu.
Tenho orgulho, bato no peito e grito o tão alto que for para dizer: Mãe, tenho orgulho de ser seu filho, te amo e para sempre vou te amar!
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