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Publicado em 26 Abril 2015

Os Gritos dos Indefesos


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Quando se pensa em violência doméstica, a primeira imagem que se tem em mente é da mulher sendo agredida.

Claro que o número de mulheres que sofre agressão em casa é assustador - e isso deu origem à conhecida "Lei Maria da Penha" - mas entre elas estão também crianças, adolescentes e até idosos. 
Um fator que pode favorecer os espancamentos é a personalidade do agressor, que não sabe lidar com as frustrações cotidianas, acompanhados pelo consumo de álcool e outras drogas. De acordo com dados da SDH (Secretaria de Direitos Humanos), 70% dos casos de violência contra menores acontecem nas residências.
Há casos em que o agressor pratica atos violentos gratuitamente. Talvez porque passou por isso durante sua criação e, no exercício da ignorância, considera que esse seja o melhor método para educar seus filhos, inibir sua companheira e até mesmo mostrar aos velhinhos indefesos quem é que tem mais força. De acordo com a psicóloga Ligia Caravieri, a sociedade brasileira é conivente com uma educação baseada na violência. O fato é que sempre sobra para os mais fracos.
No caso das crianças, normalmente as mães podem ser as maiores agressoras, pois essas exigem mais cuidados como orientações na educação, higiene pessoal, alimentação etc. Muitas mães se sentem sobrecarregadas por não receberem apoio dos pais das crianças, somado à falta de um diálogo, que poderia estabelecer um vínculo positivo. 
Essas mães, muitas vezes tornam-se as principais agressoras dos próprios filhos quando, por algum motivo, a relação entre elas e seus maridos não anda muito bem, ou porque tiveram uma gravidez indesejada. Também pode ser pelas famosas "tensões pré-menstruais" (TPM).
O fato é que os danos psicológicos resultantes dos espancamentos podem ser muitos. Pois as lembranças dessas agressões poderão acompanhar as crianças por toda vida. E assim como seus pais, muitas, provavelmente, se tornarão adultos agressores, numa herança que se passa de pai para filho com a maior naturalidade. Sem falar nos casos de adolescentes que, revoltados e desestruturados emocionalmente, encontram na tentativa de suicídio uma solução definitiva para o problema. E, infelizmente, muitos conseguem chegar aos finalmente.
A violência na família - assunto que tomou as páginas dos principais jornais e programas de televisão nas últimas semanas, logo após a exibição das cenas, chocantes, de uma mãe espancando a filha por tê-la chamado de ridícula - pode ser, de forma psíquica, um fator onde o agressor destrói a moral e a autoestima do agredido, onde as marcas visíveis ao corpo da vítima, que normalmente são adolescentes e mulheres, sejam de curto prazo, porém, os traumas psicológicos deixados não se apagam com facilidade. E essas agressões podem vir também através de humilhações, xingamentos, injúrias e até ameaças contra a vida, onde as "marcas" não se cicatrizam jamais. 
Cabe a todos nós, ao tomarmos conhecimento de qualquer forma de violência, denunciarmos aos órgãos especializados, para que as famílias passem por um programa de orientação e conscientização junto aos órgãos competentes, Conselho Tutelar, por exemplo, ou até mesmo que as vítimas sejam tiradas do convívio com o agressor e ele perceba que não é tão poderoso quanto imagina, mas sim um grande covarde.
 
 

Renan Rossini, ator e diretor teatral, desenvolve um projeto de popularização do teatro junto a crianças e adolescentes: www.teatracao.blogspot.com.br

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