Bruno NascimentoO showmício de Marconi
O clima era de comício. Aliás, de showmício, com direito a foguetório, serpentinas, confetes, projetores de luz, churrasco e bebida à vontade. Sem a gigantesca projeção de Guapó, da famosa festa do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), mas com o mesmo sentido: emprestar as velinhas da pessoa, ao candidato.
O aniversário do senador Marconi Perillo (PSDB) fez com que a Polícia Rodoviária Federal fechasse o retorno da BR-153 para evitar tumulto no trânsito próximo a Casa de Shows onde o evento foi realizado. Congestionamentos, carros estacionados em calçadas, impedindo vias. Pessoas se acotovelavam em determinados momentos da festa, quando o ambiente interno se tornara pequeno. Para o povo, o clima era de festa. Política? Que política que nada. É farra mesmo. O povo queria ver o artista, dançar, cantar, comer e tomar cerveja. Aplaudia, é verdade, e gritava, nos discursos calorosos sob o coro de "volta Marconi", mas tudo era festa, e não seriedade, compromisso. Era apenas euforia, e momentânea.
Na outra vertente, a dos políticos, o clima era de disputa, de projeção de poder e grandeza. Tanto para Iris Rezende, quanto para Marconi Perillo, o aniversário assume outro significado. Em ano eleitoral então, nem se fala. Isso porque a dimensão das festas se traduz em prestígio pessoal e, consequentemente, político, aos atores que estão em linha de disparada rumo à sucessão. O bônus disso, no imaginário coletivo, se traduz em votos. Digo no imaginário porque não há como mensurar os reflexos ou o retorno desse tipo de evento para as eleições. Não há como saber, mas também não há como deixar de fazer. Se não rende votos, pelo menos empolga a militância, e cria o fato de que o senador é tão querido que atrai milhares de pessoas de vários municípios à sua festa.
Por que não há outro motivo senão político para mostrar popularidade, lotando uma das maiores Casa de Shows de Goiânia, ou uma fazenda no interior de Goiás. Aliás, abro aqui um parêntese para comparar as duas festas. O PSDB, elitista como é, não se misturou ao povo, como fazem os peemedebistas, liderados pelo seu chefe, Iris Rezende. Em Guapó, políticos se misturam ao povão e, depois, vão ao reservado. Até o presidente do Banco Central, mesmo cercado de seguranças, foi ao povo.
No aniversário de Marconi Perillo, quase não se via os políticos. Para fazer justiça, Daniel Goulart e Jardel Sebba circularam bem, antes da chegada do senador. Os demais, se circularam, foi pouco. O que também não faltou na festa de Marconi foram luzes, tecnologia. Até pelo próprio local, e evento ficou com cara de "chique", e o senador não teve aquela sinergia com o povo, como de costume.
A questão é que, isolado (se comparado com a base que o elegeu duas vezes), Marconi tenta mostrar o máximo possível de prestígio. Houve a presença de lideranças, além do PSDB, do PTB, PPS e, também, do PR. Ademir Menezes e Sandro Mabel deram o ar da graça, mas ficaram pouco. Muito pouco. Após 20 minutos da chegada de Marconi, os dois bateram em retirada. Como namoram com a Nova Frente e com o PMDB, os republicanos não queriam ser vistos. Se a intenção da festa de Marconi foi mostrar prestígio e capilaridade eleitoral, o tucano acertou. E mostrou, como nunca, que está pronto para o embate.