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SÃO PAULO/NIQUELÂNDIA
Votorantim debate mercado de metais
Gigante de mineração no Brasil realiza evento e discute futuro da economia mundial e perspectivas de crescimento, além de anunciar novos investimentos para o setor

João Bosco da Silva,diretor-superintendente da Votorantim Metais para o Brasil e exterior

As tendências dos mercados dos minérios de níquel, de alumínio, de cobre e de zinco foram amplamente debatidas por empresários e parceiros comerciais da Votorantim Metais entre a manhã e a tarde da terça-feira (2), em São Paulo (SP), quando a multinacional realizou o "Encontro de Negócios para Clientes do Brasil e do Exterior - Elementos do Futuro". Um seleto público de 400 pessoas, incluindo jornalistas de vários Estados e de várias nacionalidades onde a mineradora possui operações comerciais dos quatro minérios citados, foi recepcionado no World Trade Center, na Zona Sul da capital paulista, pelo diretor-superintendente da Votorantim Metais no Brasil e no mundo, João Bosco Silva.
"Nós terminamos um ano atípico (se referindo a 2009). Talvez tenha sido um dos piores anos da história da indústria de metais, com a situação econômica exercendo impacto negativo muito relevante, em que poucas pessoas tiveram tempo de olhar para o futuro. Estamos entrando agora em um ano em que ainda não conhecemos a realidade do mercado brasileiro e internacional. Nesse período de mudanças, de dificuldades, buscamos entender as necessidades dos nossos clientes para, juntos e unidos, nos tornarmos mais fortes. Nosso objetivo, agora, é olhar para a frente", afirmou João Bosco, em breve pronunciamento na abertura do evento.


GOIÁS
O Diário do Norte, dentro de sua filosofia de entregar a melhor e mais completa informação para seus leitores, percorreu 1.300 quilômetros entre Niquelândia e São Paulo e se fez presente na maior cidade do Brasil e da América Latina para tomar ciência dos planos da Votorantim Metais para o Estado de Goiás, para a Capital do Níquel; e para o município de Montes Claros de Goiás (na Região Oeste do Estado, onde a multinacional estuda intenções de explorar minério de níquel).  Segundo o diretor da Unidade de Negócios Níquel, Valdecir Botassini, a empresa concluiu a instalação de uma caldeira a coque (investimento estimado em R$ 180 milhões) na planta localizada no Povoado Macedo, em Niquelândia, a 18 quilômetros da área central da cidade. A utilização de coque verde de petróleo serviu para reduzir em 40% o consumo de óleo combustível para o funcionamento dos fornos da unidade.
Ainda pela manhã, o evento foi enriquecido com as conferências proferidas pelo economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega; e pelo diretor de Mineração e Metalurgia do Barclays Capital em Londres, Ângelo Zavattieri. Ele, em sua longa e detalhada palestra, mensurou que o preço da tonelada de níquel no mercado internacional está em franca recuperação: neste primeiro trimestre de 2010, a cotação alcança US$ 21 mil,  com perspectivas de chegar a US$ 30 mil por tonelada em 2012. Até lá, ainda segundo o diretor de Mineração e Metalurgia do Barclays Capital, o preço do níquel pode chegar a US$ 21,5 mil (no segundo trimestre deste ano) e apresentar novas quedas em sua cotação. No início do segundo semestre, o valor da tonelada não ultrapassaria US$ 20 mil, com tendência de queda para US$ 19 mil no último trimestre de 2010.
Em 2011, segundo ele, o preço atingiria um valor mais elevado, cerca de US$ 25 mil, mas ainda inferior ao prospectado para daqui a dois anos. A explicação é uma só: a China responde sozinha por 31% da demanda de níquel para exportação. Um cenário bem diferente do final de 2008, quando a crise econômica mundial derrubou o preço da tonelada de níquel para uma variável entre US$ 9,8 mil e US$ 10 mil, segundo Botassini.
"O ponto negativo, em 2009, foi o aumento dos estoques. No caso do níquel, atualmente, esse estoque é suficiente para três meses de consumo. Mas a minha expectativa é que essa produção seja consumida ainda no primeiro semestre", afirmou Angelo Zavattieri. Na perspectiva dele, apesar da volatilidade da cotação dos preços dos quatro minérios explorados pela Votorantim Metais no País, a tendência do aumento de preços servirá para atrair novos investimentos para o setor de metais. "Os investimentos em commodities vão continuar altos", disse Zavattieri.
Essa queda brutal no preço do minério foi determinante para a paralisação do investimento de R$ 558 milhões do Projeto Ferro-Níquel, que fora anunciado em novembro de 2006 pelo próprio Botassini, em Niquelândia. Na ocasião, o preço da tonelada do níquel estava cotado em US$ 33 mil. O ápice da cotação ocorreu em fevereiro de 2007: US$ 45 mil/ton.

Crise não impediu os investimentos

Por volta do meio-dia, o diretor-superintendente da Votorantim Metais, acompanhado dos respectivos diretores das Unidades de Negócio da empresa, concedeu entrevista à imprensa. Para o DN, João Bosco Silva confirmou que a tonelada do níquel está realmente cotada em US$ 21 mil nos dias atuais, mas disse que a multinacional trabalha com números diferentes dos prognósticos apresentados pelo diretor do Barclays Capital. Segundo ele, o mercado de commodities vive de expectativas. Por isso, lançar novos projetos de expansão quando os preços caem "seria como dar um tiro no pé". Ele afirmou que o Projeto Ferro Níquel será reativado em Niquelândia quando a Votorantim Metais notar sinais mais claros de reaquecimento da demanda por níquel no mercado global.
"O níquel é um metal mais destinado à exportação. Seu consumo doméstico gira em torno de 30% do que nós produzimos. Nós não vamos deixar de retomar o projeto, mas faremos isso quando o mercado se mostrar mais firme. Para nós, não existe um projeto sem data (para ser reativado), pois o sem data nos parece algo muito longe. Mas, neste ano, o volume de investimentos em Goiás, sem considerar o Ferro Níquel, será de R$ 100 milhões. Goiás, para nós, é um Estado extremamente importante, onde está nossa maior produção de níquel, já que Niquelândia abastece nossa planta de níquel eletrolítico aqui em São Miguel Paulista (bairro da capital paulista)", afirmou o diretor-superintendente, na coletiva. 
Por seu turno, Valdecir Botassini ressaltou que, embora o Projeto Ferro Níquel esteja paralisado, a Votorantim Metais tem procurado manter a melhor estrutura possível para conservar o que já foi edificado no terreno da planta vizinha à já existente no Povoado Macedo. O gerente de Negócio Níquel lembrou que, mesmo diante da crise em 2009, a Votorantim investiu R$ 140 milhões na área de metais, sendo R$ 100 milhões em Goiás. Segundo ele, a Votorantim está voltada para buscar a modernização das instalações no Povoado Macedo, objetivando mais segurança aos seus trabalhadores, efetuando também investimentos na área de Meio Ambiente, tanto preventivo como educativo, com sustentabilidade para Niquelândia e região.
"A exemplo de 2009, temos um portfólio de projetos, inclusive sociais, que prova nosso interesse em manter a competitividade de custos das operações de Niquelândia. A implantação da caldeira coque, por exemplo, é um grande sucesso, já que empresas de vários Estados estão nos visitando para conhecer o funcionamento dessa caldeira", comentou Botassini. O gerente-geral da Votorantim em Niquelândia, Wagner Lourenço, também esteve em São Paulo para encontrar-se com a alta cúpula da empresa. Sempre ladeado por Botassini e por João Bosco, Wagner afirmou ao DN que o saldo do evento foi positivo para reafirmar o interesse da Votorantim em dialogar com a comunidade.


MONTES CLAROS DE GOIÁS
O diretor de Exploração Mineral da Votorantim, Jones Belther, afirmou em São Paulo que o projeto para exploração de níquel em Montes Claros já está com o estudo de pré-viabilidade completo. No momento, informou ele, a multinacional busca a obtenção do licenciamento ambiental junto ao Governo de Goiás. 
A jazida de Montes Claros de Goiás possui 150 milhões de toneladas de minério, com 0,9% de níquel contido, o que garantiria o beneficiamento de 10 mil toneladas por ano, durante 20 anos. Na área de pesquisa mineral, além do Brasil, a Votorantim desenvolve ações na Argentina, Peru, Bolívia, Colômbia, México e Canadá, com investimento previsto de R$ 100 milhões para 2010. Na parte da tarde, o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico e dos Transportes e diretor do Departamento Nacional de Planejamento da Colômbia, Maurício Cárdenas, mostrou como o Brasil é visto no cenário internacional e a importância do País para a economia global.
O jornalista do DN viajou a SP a convite da Votorantim

Com Dilma ou Serra, a economia não mudará

Ministro da Fazenda do governo José Sarney entre 1988 e 1990, o economista Maílson da Nóbrega discorreu, no evento da Votorantim Metais em São Paulo, na manhã da terça-feira (2), sobre os possíveis rumos da Economia do País, no caso da eleição da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT); ou do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidatos à Presidência da República no pleito de outubro. "Qualquer que seja o presidente, a política econômica do Brasil não vai mudar", garantiu Maílson. Ele citou que a melhor coisa para o País foi a compreensão, por parte do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que existe uma relação direta entre a estabilidade econômica e a independência do Banco Central (BC), atualmente presidido pelo goiano Henrique Meirelles. "Mas ainda existe uma parte dentro do PT que não se converteu à essa realidade e que poderá, em algum momento, dar alguma declaração que poderá prejudicar a candidatura da ministra Dilma, que é a favorita nessa disputa. Mas sua dificuldade e inexperiência em lidar com as provocações, às quais sempre reage mal, poderá atrapalhar sua imagem", sentenciou o ex-ministro. Para Maílson, Lula é um fenômeno político latino-americano, no melhor estilo "clássico e populista", de uma nação que está evoluindo economicamente. A eventual saída de Henrique Meirelles do BC, seja para cuidar de seus negócios pessoais ou para candidatar-se a algum cargo eletivo, também é motivo de preocupação para o ex-ministro da Fazenda. "A renúncia de Meirelles geraria um clima de insegurança na economia", resumiu. Sobre a candidatura de José Serra, derrotado por Lula nas eleições de 2002, Maílson da Nóbrega aponta que o pré-candidato tucano terá dificuldades para construir um discurso oposicionista para a disputa, uma vez que Lula e o PT teriam conseguido "desconstruir" a imagem dos oito anos governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), alicerçado na estabilidade econômica obtida com a implantação do Plano Real, em julho de 1994, quando FHC era ministro da Fazenda. "O Lula pode conseguir criar um ambiente plebiscitário. É uma coisa desonesta, mas politicamente eficaz. O ideal seria uma chapa Serra-Aécio (Neves, governador de Minas Gerais, também do PSDB, que já admitiu estar fora da disputa)", comentou Mailson. As demais pré-candidaturas à Presidência, da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PV-AC); e do deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP), também foram "cornetadas" pelo ex-ministro. Ele afirmou que Marina Silva não é uma candidata competitiva e que vai lançar seu nome à disputa apenas para se tornar conhecida nacionalmente. "O Ciro não vai participar (da eleição presidencial). Se participar, dirá alguma coisa que vai destruir sua candidatura, em algum momento", alfinetou Maílson. Mas o comentário de Maílson que mais divertiu o público presente ao evento da Votorantim Metais foi sobre a relação do PMDB com todos os presidentes e partidos políticos que já governaram o Brasil. Segundo ele, a tradicional legenda sempre vai estar preparada para fazer composição com qualquer governo. "Ninguém governa sem o PMDB, mas também ninguém governa com o PMDB", disse o ex-ministro, arrancando gargalhadas dos empresários e dos jornalistas.
Euclides Oliveira - (Enviado especial a São Paulo (SP))



Euclides Oliveira - Enviado especial a São Paulo (SP)


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