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GOIÂNIA
Sucessão marca festa de tucano
Senador completa 47 anos em festa que reuniu mais de 20 mil pessoas. Alckmin pediu “volta Marconi’
FOTOS: íRIS ROBERTO

Marconi Perillo cumprimenta correligionários durante festa de aniversário na Atlanta Hall, na capital

Entre a tarde e a noite da sexta-feira (5), o Atlanta Music Hall foi o epicentro do "furacão eleitoral" que passou por Goiânia e por Aparecida de Goiânia, naquele dia. O fenômeno atende pelo nome de Marconi Perillo desde a eleição de 1998. Na ocasião, o então candidato ao governo tinha apenas 3% de intenções de voto, derrotou o favoritismo de Iris Rezende (PMDB) e tornou-se o mais jovem político a governar o Estado, isso há 12 anos. Dono de dois mandatos como governador por quase oito anos (até março de 2006) e eleito senador com mais de dois milhões de votos naquele mesmo ano, Marconi arrastou uma multidão de mais de 20 mil pessoas (segundo os organizadores); aproximadamente 150 dos 246 prefeitos goianos; deputados federais; estaduais; além de lideranças de todas as correntes partidárias para comemorar seu 47º aniversário em grande estilo na maior casa de shows de Goiás. 
Com tanto churrasco, feijão tropeiro, mandioca cozida e refrigerante à vontade, somados à presença do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); além dos shows sertanejos das duplas Zezé di Camargo e Luciano; Gino e Geno; e Racyne e Rafael; com direito ao "selinho" da esposa e ex-primeira-dama Valéria Perillo, tudo se remetia ao cenário que será novamente visto em 30 de junho, último dia para que os partidos realizem suas convenções partidárias, quando o nome de Marconi deverá ser oficializado como candidato do PSDB para tentar seu terceiro mandato como governador, nas eleições de outubro.
"Foi somente uma festa de aniversário para os milhares de amigos que o senador Marconi possui em Goiás. Lançamento de candidatura é outro procedimento", desconversou o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB), sobre a verdadeira motivação do encontro. Para o deputado estadual Júlio da Retífica (PSDB), também presente ao mega-evento, a grande multidão apenas quis demonstrar seu apreço por um político que, ao menos nas palavras do ex-prefeito de Porangatu, já fez muito pelo Estado quando era governador. "Agora, na vida de um político, tudo é política. Essa festa foi a maior prova que o povo quer Marconi de volta no governo", disse Júlio, ladeado pela esposa Gláucia Melo.
O prefeito de Minaçu, Cícero Romão (PSDB), viajou 520 quilômetros até Goiânia para dar os parabéns para Marconi. Segundo ele, o eventual retorno do senador ao Palácio das Esmeraldas "seria a redenção" para a cidade que administra e para o Norte do Estado. Cícero organizou uma caravana com 50 carros, além de um ônibus com 53 pessoas, para manifestar seu apoio ao senador. "A pré-candidatura dele, na verdade, já é uma concretização. O povo de Goiás está com saudades de Marconi como governador; e a presença maciça do povo no evento serviu para reforçar isso", opinou a deputada federal Raquel Teixeira (PSDB). Mesmíssima opinião foi dada pelo prefeito de Porangatu, José Osvaldo da Silva, também do PSDB. "O Marconi é o nosso líder maior, que nos motiva. É uma pessoa para a qual nós temos vontade de continuar trabalhando, para que Goiás tome novos rumos de progresso e de desenvolvimento", disse José Osvaldo.
O ex-deputado federal Vilmar Rocha (DEM) disse que o eleitorado goiano quer "continuidade e não ruptura" das ações hoje desenvolvidas pelo Governo do Estado, citando a necessidade de melhorar e ampliar ainda mais os programas sociais. Pela dimensão do ato político que marcou o aniversário de Marconi, Vilmar vislumbra traições no ninho alcidista, mesmo com a possibilidade da Frente Alternativa lançar um candidato que aglutine o DEM, o PR e o PP. "Uma grande parte do PP estará integrada com a base aliada (de Marconi e do Tempo Novo). Isso não é segredo para ninguém. Há manifestações públicas nesse sentido", comentou Vilmar.
Dois nomes de grande expressão do PR, o deputado federal Sandro Mabel e o vice-governador Ademir Menezes, também estiveram na festa marconista. "Política é política, amizade é amizade", afirmou o vice de Alcides. Mabel, por seu turno, não gostou muito de ser questionado sobre a presença dele no evento. "Você vê algum problema nisso? Então, quando se tem uma briga política, a gente não pode nem mais ver o camarada? Nós nem brigamos ainda. Ele (Marconi) anda dizendo por aí que servimos até para ser vice dele" comentou Sandro Mabel, com relativo bom humor. Porém, em recente evento do PR em Uruaçu, o deputado e presidente da legenda no Estado fez críticas indiretas aos governos de Marconi e disse que há a necessidade de um novo modelo de gestão no Estado, sem o endividamento da Celg e da Saneago, por exemplo.
A chegada de Marconi Perillo com Geraldo Alckmin foi tumultuada: houve muito empurra-empurra, com muitos correligionários querendo abraçar, beijar ou apenas tocar no senador tucano. Houve certo tumulto, devido ao excesso de cinegrafistas, repórteres e fotógrafos, que queriam obter uma declaração exclusiva de Marconi.
Discurso inflamado mesmo foi feito por Geraldo Alckmin, que esteve em Goiânia representando o pré-candidato tucano à Presidência da República no aniversário de Marconi. Além de garantir o palanque para Serra em Goiás, Alckmin relembrou aos goianos que Marconi foi o grande responsável pela criação de programas sociais como Renda-Cidadã, o Cheque-Moradia e o Bolsa-Escola, amplamente difundidos no Brasil pelo PT nos dois mandatos do presidente Lula. "O Marconi governou para os mais pobres e para os mais necessitados, com humildade e com sabedoria. Goiás tem pressa na nova eleição de Marconi, ainda no primeiro turno, pois sabe que ele representa mais desenvolvimento para o Estado. Volta Marconi", bradou Alckmin, aos berros. O evento foi apresentado pelo ator goiano Stepan Nercessian, da Rede Globo, que cumpre seu segundo mandato como vereador pelo PPS, no Rio de Janeiro.


QUEM FOI
Grande parte dos prefeitos do Norte do Estado e do Vale do São Patrício prestigiou o aniversário de Marconi Perillo na capital. Porém, dada a multidão presente ao encontro, o Diário do Norte apenas conseguiu registrar a presença dos prefeitos Orcino Braga (Estrela do Norte), Nilson Preto (Mara Rosa) e Dásio Marques (Amaralina), além de Cícero Romão e José Osvaldo da Silva, já citados. Ronan Batista (Niquelândia) e Luiz Borges da Cruz, o Cabo Borges (Alto Horizonte) também prestigiaram Marconi, de acordo com assessores e secretários de ambos que estavam no Atlanta. Porém, os dois prefeitos não foram encontrados na festa para conversar com o DN sobre a possível volta do senador ao Governo de Goiás.



Euclides Oliveira

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