CRIXáS
Afastado presidente da câmara
Carlos Borges é acusado de irregularidades. No seu lugar assumiu Tide Pio, do PP
JUVENAL JUNIOR

Tide Pio é o novo presidente: missão de moralizar a CasaO vereador Carlos Borges Barros (PMDB) foi afastado preventivamente (por 120 dias) da presidência da Câmara Municipal de Crixás na quinta-feira (4), através de decisão judicial. Ele é acusado mau uso de dinheiro público e abuso de poder.
No seu lugar assumiu o vereador Tide Pio (PP), em sessão realizada na noite do mesmo dia. Devido às acusações contra o vereador, o delegado Getulino de Melo, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (DERCAP), entrou com representação para a quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal, além do afastamento do mesmo da presidência da Câmara.
Dentre as denúncias contra o vereador, consta a contratação de funcionários fantasmas, montagem de processo de licitação para contratação de assessor jurídico, fornecedor de combustível e locação de veículo, em flagrante violação à lei de licitações. Recaem ainda sobre o vereador as acusações de saques de dinheiro, através de cheques nominais à própria câmara, descontados diretamente na boca do caixa. Transferência de dinheiro da conta bancária da câmara para terceiros e para outras contas, sem justificativas de despesas; uso de notas frias e adulteradas para justificar despesas, o que, em tese, caracteriza o crime de peculato, de responsabilidade e de formação de quadrilha, segundo informou o vereador Tiago Dietz (PSDB).
De acordo com o vereador Tiago, contra Carlos Borges está sendo instaurado ainda inquérito policial, para apurar possíveis crimes praticados pelo então presidente. Tiago afirma ainda que, com base nos documentos encaminhados a DERCAP, através de requerimentos com vários documentos que comprovam o envolvimento do colega nos crimes praticados, é possível que o mesmo seja preso a qualquer momento. Tiago não poupou críticas ao colega vereador ao falar com a reportagem do DN. "É dever dos demais vereadores, enquanto representantes do povo, lutar pela honra da câmara e é por isso que entraremos com pedido de cassação de Carlos Borges", desabafou Tiago.
Segundo Tiago, a Câmara de Crixás recebe mensalmente algo em torno de R$ 118 mil. Já as despesas da casa giram em torno de R$ 90 mil, portanto, segundo Tiago, a diferença desse valor estaria sendo desviada por Carlos Borges, tendo em vista que a conta da câmara está com saldo quase zero, revela Tiago. No texto da representação, conforme relatado por testemunhas, Carlos Borges teria adquirido vários bens, tais como veículos, gado de elite, propriedades rurais e imóveis desde que assumiu a presidência da Câmara. Conforme a representação, há fortíssimas suspeitas de que o vereador teria usado parentes como "laranjas", notadamente, seu pai Eli e seu irmão Cláudio, com o fim de lavar o dinheiro apropriado indevidamente dos cofres públicos. A reportagem do DN tentou contato com Carlos Borges, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.
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