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NIQUELÂNDIA

Fé a Sta. Efigênia e resgate à cultura negra


Publicado em 03 Julho 2017

Nathália Pires

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Divulgação
Prefeito Valdeto também participou do tradicional ato cultural e de fé
Prefeito Valdeto também participou do tradicional ato cultural e de fé

24 de junho. Fieis reunidos para a santa missa. Depois da bênção do pároco é hora de pegar as enxadas e capinar o mato alto em volta da Igreja Santa Efigênia, conhecida como santuário dos negros. Os Congos estão presentes com vestes brancas, penachos na cabeça e instrumentos musicais na mão. Sob o som deles o largo é limpo. Todo capim é retirado e levado pela comunidade. Segundo a tradição, as pessoas que carregam os ramos recebem graças. Todo este ritual é conhecido como 'Capina do Largo'. Ele dura a mais de 200 anos e acontece em Niquelândia. Em 2017 não foi diferente. O rito foi cumprido no sábado (24), a um mês da festa em homenagem à Santa Efigênia.
O Satiro Pedroso, de 87 anos, é o mais antigo da turma dos Congos e é considerado o ancestral, ainda vivo, da Capina do Largo. Ele contou ao Jornal Diário do Norte que desde criança participava do ritual, que reunia fieis em busca de promessas. "A cabeça doía, a pessoa corria para Santa Efigênia. Sentia dor nas costas, o doente pedia a Santa e depois carregava os ramos. Muitos pediam milagres a ela. Uma tradição vinda dos escravos", explicou Satiro. 
O Frei Gilberto de Jesus, responsável pela organização do evento, enfatizou que muitos usam o ramo como um produto medicinal. "As enxadas são abençoadas, acontece a capina e depois os ramos são levados ainda por conta desta tradição curativa", disse o pároco. Co-participante também da organização, a Superintendente Municipal de Cultura, Ana Matilde, relatou que os padres compareciam a Igreja Santa Efigênia, na época conhecida como Irmandade, uma vez por ano, por isso, o ritual para capinar os arredores do santuário. "Nos anos 80 o ato se modernizou. O local da igreja virou uma praça e apenas uma faixa de terra foi deixada lá para o mato crescer e se cumprir a tradição", explicou Ana Matilde.
Após o ritual da 'Capina do Largo', um café da manhã foi servido à comunidade. A prefeitura, por meio da Superintendência de Cultura, ajudou na preparação do evento, que resgata a tradição cultural e religiosa da região.

FESTIVIDADES SEGUEM
No dia de 29 de junho, de acordo com Frei Gilberto, foi realizado o levantamento do mastro, na Igreja Santa Efigênia, em devoção a homenageada. Dos dias 16 a 26 de julho é a vez das novenas, com barracas de comidas no período noturno. Segundo o pároco, no dia 25, Dia de Santa Efigênia, acontece uma procissão na cidade. No dia seguinte, é a missa de Nossa Senhora Santana, onde os congos dançam. "Toda uma programação voltada à santa Efigênia", finalizou o Frei.

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