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ENTREVISTA Catarino Silva

Tenho aprovação porque não roubei e não deixei roubar em Trombas


Publicado em 07 Março 2016

Pedro Gomes

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Não podemos permitir que a Ferrovia Norte-Sul se transforme num grande  elefante branco. Hoje isso ocorre por falta de representatividade do Norte no Congresso Nacional
Não podemos permitir que a Ferrovia Norte-Sul se transforme num grande elefante branco. Hoje isso ocorre por falta de representatividade do Norte no Congresso Nacional

O prefeito de Trombas, Catarino Silva, eleito sucessivamente por dois mandatos (2008/2012), declarou em entrevista ao Jornal Diário do Norte que tem intenção de disputar uma vaga na Câmara Federal em 2018. O político que é policial da reserva da Polícia Militar disse que pretende ser o representante da Região Norte no cenário federal, tendo em vista que o povo deste grande aglomerado de cidades ficou sem representação na última eleição. De acordo com Catarino, uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Brasil Política mostrou que a administração dele no município teve aprovação de 91 por cento nas indicações que vão entre regular, bom e ótimo. O prefeito Catarino Silva tem 48 anos e nasceu em Trombas, na época então território que pertencia ao município de Formoso. Ele é casado com Soraya Pedro dos Santos, e é pai de três filhos.

Diário do Norte O senhor é pré-candidato a deputado federal em 2018?
Catarino Silva – Esse desejo não partiu de mim mesmo, mas sim de grupos de formadores de opinião que perceberam uma lacuna muito grande causada pela falta de representatividade na Região Norte, tendo em vista que atualmente o Norte Goiano perde para as demais regiões do Estado. Se analisarmos as microregiões, hoje o Norte talvez seja a região menos atendida de Goiás, ficando atrás até mesmo do Nordeste. Devido a esta triste realidade, esses grupos de formadores de opinião, incluídos educadores, religiosos, pequenos e grandes produtores rurais, integrantes de assentamentos e demais segmentos da sociedade, nos procuraram e resolvemos aceitar a proposta, mas desde que a nossa pré-candidatura viesse aglutinar diferentes partidos políticos. 

DN De que forma o senhor pretende estruturar a sua pré-candidatura, uma vez que Trombas não possui tantos eleitores? 
Catarino – Esse projeto não é uma ideia apenas das pessoas de Trombas. Temos apoio em praticamente todas as cidades do Estado de Goiás e também se considerarmos que atualmente cerca de 30% da população reside na região metropolitana de Goiânia. Portanto esse desejo nós compartilhamos com moradores de cidades importantes do Estado. Nosso projeto contempla realizar reuniões na capital e nas cidades de Anápolis e Aparecida de Goiânia para que possamos conversar frente a frente com este pessoal que tem vínculo com a nossa região e que hoje não mora mais no Norte. Um fator importante que contribuiu para que pudéssemos abraçar esta ideia foi a reforma política que proibiu o financiamento empresarial das campanhas e que vai baixar significativamente os gastos com a campanha eleitoral, pois não temos intenção de comprar um mandato, mas ganhar uma eleição.

DN Mesmo com um custo baixo, quanto o senhor acredita que será necessário para eleger um deputado federal em 2018?
Catarino – Eu ainda não tenho esse levantamento de quanto gastaria. Mas eu acredito que vai ser uma campanha fundamentada em bons princípios que não irão comprometer o mandato do parlamentar caso ele venha ser eleito, pois, eu não quero aqui generalizar, mas da forma que estava funcionava como uma barganha. Na maioria dos casos os candidatos se elegiam já compromissados com grupos econômicos, e deste modo surgiram as propinas que prejudicam o sistema político. O que nós queremos é trabalhar de forma limpa, obedecendo a legislação brasileira.

DNO senhor fala em unir forças políticas diferentes. No seu palanque haverá coalizão de siglas?
Catarino – Sou hoje um pré-candidato do PT, tendo em vista que estou filiado no PT há mais de 30 anos. É um período muito grande e por isso temos amplo conhecimento com os companheiros de todo o Estado, no entanto não poderemos ser eleitos apenas com votos de eleitores do PT. Nós pretendemos unir forças também com pessoas que não são simpatizantes do meu partido, que caminham com outros grupos, porém aprovam nossa administração e admiram a minha forma de trabalhar. Não vejo nenhum problema em dialogar, tenho um bom relacionamento com as lideranças partidárias nas esferas estadual e regionais, a exemplo de Porangatu, Uruaçu, Niquelândia, São Miguel e Minaçu e entendo que não devemos partidarizar uma campanha porque precisamos respeitar a opinião de quem não concorda com o PT.

DN Estamos às vésperas de uma campanha eleitoral. No entanto o senhor já lança a sua pré-candidatura a deputado federal. Na sua visão quem almeja vencer as eleições em 2018 precisa decidir logo se vai ou não entrar na disputa?
Catarino – Eu acredito que sim, pois muitas vezes um candidato faz uma campanha de três ou quatro meses e consegue vencer a eleição, porém na base da gastança e esta prática fere os nossos princípios. E não é assim que eu trabalho. Estamos preparando o nosso campo já há algum tempo e eu entendo que aqueles que não agirem antecipadamente dificilmente terão êxito. Estamos conversando com os formadores de opinião desde já, trabalhando intensamente com os parceiros até para que eles tenham certeza do nosso projeto.

DN O momento político não está sendo dos melhores e a classe política tem sofrido desgaste. Como o senhor vai lidar com esta situação delicada, principalmente no caso do seu partido e tentar mostrar que a sua pré-candidatura é viável?
Catarino – Eu acho que este desgaste do Congresso Nacional beneficia aqueles que não tiveram um mandato. Entendo que a sociedade está madura e percebo que os eleitores desta vez vão optar por fazer uma limpeza quase que geral, tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa, porque este talvez seja o Congresso mais conservador da história do Brasil, um Congresso que está retrocedendo e a sociedade sabe disso e também saberá separar o candidato do partido. Eu sei que há um desgaste generalizado, mas acredito que mesmo com todo o desgaste, e isto pode ser comprovado com pesquisas feitas recentemente, o PT ainda é o partido mais aceito da população, que tem bandeiras e que defende a classe trabalhadora.

DN Quando comparamos economicamente as regiões de Goiás é possível notar que existem diferenças grandes. O Sudoeste Goiano, por exemplo, está bem mais avançado. O mesmo não tem acontecido e com a mesma velocidade no Norte. Falta vontade política para mudar a situação? 
Catarino – Não tenho dúvida disto, e não é pela questão da densidade eleitoral, pois nós temos uma região habitada por quase 400 mil pessoas e com pólos econômicos importantes, principalmente nos setores mineral, agropecuário e da prestação de serviços. Lutamos desde 1982 pela construção da Ferrovia Norte-Sul e agora que ela está pronta não vemos os investidores que deveriam usá-la. Não podemos permitir que a Ferrovia Norte-Sul se torne um elefante branco, uma linha sem trens, pois passou até hoje um único veículo. Falta representatividade na Câmara Federal e, por isso, quando se fala na Região Norte lá não tem ninguém para se manifestar em defesa do nosso povo e com isso muitos recursos não vêm para as nossas cidades e acabam indo para outras regiões que são atendidas em razão da representatividade política. O Norte de Goiás tem condição de eleger de dois a três deputados estaduais e um deputado federal e assim participar ativamente do processo político do Estado, articulação que não está acontecendo. Porangatu é uma cidade que está perdendo muito, já não tem mais a Receita Federal do Brasil e está perdendo também os órgãos do Estado que estão indo todos para outros municípios. Acredito que falta voz que saiba dialogar no governo do Estado e nos ministérios.

DN O senhor tem uma aprovação considerável em Trombas. O que determinou isso?
Catarino – A sociedade é muito carente de quase tudo: de infraestrutura, de ação social que envolva as famílias menos favorecidas e o nosso governo criou alguns programas que foram destaques e também investimos acima do que a lei manda na Saúde e na Educação. Isto contribuiu bastante para que a sociedade aprovasse o nosso trabalho. Agora como que se faz isto? Existem duas principais vertentes: a primeira é não roubar e a segunda é não deixar roubar. Fazendo assim o dinheiro sobra para fazer as obras e então garantir os benefícios para a população. O segredo é focar nas prioridades. O dinheiro é muito escasso e se o gestor não souber gerenciar e aplicar os recursos onde é verdadeiramente necessário, dificilmente ele terá êxito, principalmente quando se trata de uma cidade de pequeno porte. 

DN De que forma o senhor acredita que um deputado federal poderia auxiliar os municípios de forma a garantirem melhoria de vida para as comunidades?
Catarino – Fui presidente da Amunorte e sempre defendi a gestão compartilhada agrupando os municípios através da formação de consórcio onde se torna possível conseguir recursos do Governo Federal para atender a região.  Se adotarmos o sistema de consórcio e fortalecermos a região, certamente iremos acabar com a metade da burocracia que impede a realização das ações nos municípios pequenos. Porém eu entendo que só teremos sucesso quando tivermos um representante no Congresso Nacional.

DNA agricultura e a pecuária da Região Norte são bastante fortes, no entanto é notório que muitos produtores rurais padecem com a falta de assistência técnica, orientação fundamental para o aumento e também para a melhoria da qualidade da produção. Como mudar isso?
Catarino – Aqui existe uma bacia leiteira que tem um potencial muito grande e não temos produzido mais por falta de assistência técnica eficaz. Aqui há condições de ser uma das maiores bacias leiteiras de Goiás, porque a região tem vocação para isto. Agora o que eu acho um absurdo é ver uma estrutura tão grande como aquela da antiga LeitBom ali perto de Uruaçu fechada e por que está daquela forma há anos? É somente porque falta o produto e só falta o produto porque os produtores não recebem assistência técnica rural. Aqui no município temos o Programa Balde Cheio que atende às rigorosas exigências sanitárias e atinge uma produção incrível. O mundo evoluiu e só teremos êxito no campo se lançarmos mão da tecnologia, porém o processo é muito caro e por isso existe a necessidade de realizar o atendimento técnico aos produtores por meio de parcerias dos governos federal, estadual e municipal e a presença de um representante da Região Norte na Câmara Federal ajudará na viabilização do processo. 

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